quinta-feira, 28 de julho de 2022

2ª Enoturismo no Dão (III) : Quinta da Bica e Quinta do Cruzeiro

 continuando...


5.Quinta da Bica

A Quinta da Bica fica perto de Seia e inclui um solar carregado de história, com origem no século XVI. Aí fomos recebidos pela actual gestora e proprietária, Filipa Sacadura Botte de seu nome que, no dia a dia da empresa tem a ajuda das suas 4 filhas. No dia da nossa visita, estava presente uma sua neta que ajudou na execução da prova de vinhos. É mesmo o vinho no feminino na sua máxima expressão.

Na prova, orientada pela Filipa Botte, desfilaram:

.Qtª da Bica 2021 branco - nota 17,5

.Qtª da Bica 2018 tinto - 17

.Qtª da Bica Vinhas Velhas 2016 - 18

.Qtª da Bica Jaen 2019 - 17

Lamentavelmente, os tintos ficaram prejudicados por terem sido provados à temperatura ambiente. Uma pena...

Resta dizer que a Quinta da Bica começou a produzir vinhos em 1989 pelas mãos do enólogo Virgilio Loureiro, até 1993, continuando até 2003 com o enólogo Magalhães Coelho. A partir desta data, o responsável pelos vinhos passou a ser o já consagrado enólogo Paulo Nunes.   


6.Almoço no Paço dos Cunhas de Santar - 5 *

O almoço do grupo decorreu no restaurante do Paço dos Cunhas de Santar, já meu conhecido de outras visitas, onde fomos simpaticamente recebidos pela Ana Paula Teixeira, a responsável pelo enoturismo.

Na mesa, onde já estavam salgados e um belíssimo azeite Cabriz Selecção Especial, desfilaram:

.Espumante Cabriz 2017 - nota 15,5

.Casa de Santar Reserva 2019 branco - 17,5

Este branco maridou com um crepe de queijo da Serra.

.Casa de Santar Reserva 2015 - 18

Este tinto harmonizou com um cachaço com puré de batata doce.

.Moscatel do Douro Palestra 2009 - 17

Este fortificado acompanhou um pudim de queijo da Serra. 

Boa comida, copos Scott na mesa e serviço eficiente e profissional, embora distante.

Este almoço veio a apagar a má impressão de há 4 anos, conforme a crónica  

"Rescaldo das férias (V) : Paço dos Cunhas e (...)"


7.Quinta do Cruzeiro

A Quinta do Cruzeiro, situada na região de Mangualde, pertence à advogada Julia Kemper que dá o seu nome à maior parte dos seus vinhos.

O grupo foi recebido pela Rita Teixeira (enoturismo) e Duarte Machado (consultor), tendo orientado a prova dos seguintes vinhos:

.Elpenor 2016 rosé - nota 16,5+

.Julia Kemper Vinhas Seleccionadas Encruzado 2019 - 17

.Julia Kemper Curiosity 2012 - 17


8.Jantar na Taberna da Milinha - 4,5 *

Um espaço contraditório situado em Viseu, com a TV ligada embora sem som e copos Riedel na mesa!

Bebemos e comemos:

.Quinta do Sobral Santar Reserva 2021 branco - nota 17,5

.Soito 2019 rosé - 16,5

.Quinta do Sobral Santar Reserva 2019 tinto - 17

Estes 3 vinhos foram acompanhados por um festival de comida:

.sardinhas escabeche

.torricado de cavala

.papelote com farinheira

.tábua de queijos e enchidos

.pataniscas de bacalhau e arroz de feijão

.carne maturada e batata assada

A terminar, boa e variada comida, serviço profissional e temperaturas dos vinhos controladas.


continua...

terça-feira, 26 de julho de 2022

2º Enoturismo no Dão (II) : Caminhos Cruzados e Quinta do Medronheiro

continuando... 


1.Caminhos Cruzados

A 1ª etapa deste 2º enoturismo no Dão começou na Quinta da Teixuga do produtor Caminhos Cruzados, no concelho de Nelas, onde se situa uma moderna adega. Os Caminhos Cruzados pertencem, desde há pouco tempo, ao Grupo Terras e Terroir que também integra a Quinta da Pacheca.

Fomos recebidos pelo Luis Filipe, coordenador do enoturismo naquela quinta, que orientou uma prova com 5 vinhos, a saber:

.Caminhos Cruzados 2020 branco - nota 16,5

.Caminhos Cruzados Reserva Encruzado 2019 - 17 

.Titular Dão Novo 2021 - 15

.Clandestino 2019 - 16,5

.Titular Reserva 2018 - 17,5

Esta prova não teve grande interesse, até porque os tintos foram servidos à temperatura ambiente (quentes!) e o Dão Novo não faz sentido.


2.Almoço na Taberna da Adega - 4,5 *

A Taberna da Adega, um espaço amplo e confortável que eu já conhecia de outra visitas *, pertence à Lusovini e situa-se em Nelas. Fomos, muito simpaticamente, recebidos com um flute de espumante. 

Já na mesa, desfilaram:

.Pedra Cancela Selecção do Enólogo 2021 - 16,5

Este branco acompanhou um festival de entradas e um belíssimo azeite Pedra Cancela Virgem Extra.

.Pedra Cancela Reserva 2018 - 17,5

Este vinho harmonizou com bacalhau assado e uma posta.

.Andresen Cambridge Tawny - 13

.Andresen LBV 2011 - 16

Serviço eficiente, profissional e também simpático.

A meio do repasto tivémos o prazer e o privilégio da visita do Casimiro Gomes, o responsável pelo Grupo Lusovini e meu conhecido desde os tempos das Coisas do Arco do Vinho. 

* ver a crónica "Rescaldo das férias (IV) : Taberna da Adega e (...)"


3.Quinta do Medronheiro

Na Quinta do Medronheiro, produtor de vinhos e com um hotel rural, perto de São Cipriano, Viseu, fomos simpaticamente recebidos pelo seu proprietário Pedro Freitas que orientou uma prova de vinhos, com copos Schott e temperaturas controladas:

Desfilaram, com umas tantas tapas a acompanhar:

.Qtª Medronheiro Rosé 2017 - nota 17

.Qtª Medronheiro Blanc des Noirs 2017 - 17,5

.Qtª Medronheiro 2011 - 18 

.Espumante Stagio Blanc des Noirs 2010 - 17

Foi uma inesperada e interessantíssima prova, profissionalmente bem orientada. 


4.Jantar na Casa Arouquesa - 4 *

É um enorme (demasiado, para o meu gosto) espaço em Viseu, vocacionado para carníveros.

Como mais valia, copos Riedel e pratos Vista Alegre na mesa.

Sempre com pratos de carne à vista, bebemos:

.Casa da Passarella A Descoberta 2021 branco - 17,5

.Casa da Passarella A Descoberta 2019 tinto - 16,5

Embora este restaurante tenha armários climatizados para controlo das temperatura dos tintos, o serviço teve falhas não tendo posto na mesa os tintos à temperatura correcta.


continua...

sábado, 23 de julho de 2022

Grupo FJF (28ª sessão) : 1 surpreendente "Jerez" nacional e 2 brancos da família Pato

 Esta última sessão foi da minha responsabilidade, tendo decorrido na Taberna Albricoque com vinhos da minha garrafeira. Começo por elogiar o trabalho do chefe Bertílio Gomes que estava inspiradíssimo na sua criativa cozinha algarvia, a merecer 5 *. Bons copos Chef & Sommelier, temperaturas controladas e serviço impecável por parte do único empregado presente, mas que não retive o nome.


Desfilaram:

.Alboroque 2001 - um vinho branco de aperitivo, ao estilo Jerez, produzido pelo produtor Areias Gordas, com base nas castas Fernão Pires (fermentado em barrica) e Arinto (fermentado em inox), tendo sido engarrafado apenas em 2017; muito seco, acidez no ponto, notas de iodo, algum amanteigado, volume e final de boca acima da média (13 % vol.). Uma novidade do Tejo surpreendente e fora da caixa! Nota 17,5.

Este branco acompanhou amendoas salgadas, cenoura roxa, pão tipo Gleba, azeite e rissois de berbigão com muxama e meloa.


.Filipa Pato Nossa Calcário Bical 2017 (1 das 5170 garrafas) - com base na casta Bical (100 %); cítrico e mineral, notas florais e de maçã verde, acidez pronunciada, algum volume e final de boca (13 % vol.). Fresco e equilibrado. Nota 17,5+. 

Este branco harmonizou com arroz de lingueirão.


.Luis Pato Quinta do Ribeirinho 2019 - nota 19 na Grandes Escolhas; com base na casta Sercialinho (100 %); nariz exuberante, presença de citrinos e fruta de caroço, equilibrio acidez/gordura, volume e final de boca de respeito (14 % vol.). Complexo e apaixonante. Nota 18,5+.

Este branco maridou com polvo assado e batata doce.


.Sandeman 30 Anos (engarrafado em 2021) - 94 pontos nas revistas Decanter e Wine Spectator; presença de frutos secos, notas de brandy e caril, acidez.  pronunciada, algum volume e final de boca longo. Um agrande tawny. Nota 19.

Este fortificado acompanhou pão de ló de Ovar e sorvete de tangerina.


Foi mais uma grande jornada de convívio, comeres e beberes.

terça-feira, 19 de julho de 2022

2º Enoturismo no Dão (I) : uma introdução

Quase 6 anos depois, voltei a participar  numa jornada alargada de enoturismo no Dão. A ida ao Dão em 2016 deu origem a 6 crónicas que vale a pena relembrar:

."Enoturismo no Dão (I) : uma jornada inesquecível"

."Enoturismo no Dão (II) : Paço dos Cunhas de Santar"

."Enoturismo no Dão (III) : Casa da Insua"

."Enoturismo no Dão (IV) : Casa da Passarella"

."Enoturismo no Dão (V) : Quinta da Madre de Água"

."Enoturismo no Dão (VI) : Quinta de Lemos"


Quanto à sua organização houve uma série de alterações mantendo-se, no entanto, a presença da Maria João de Almeida, especialista em enoturismo com obra publicada e a animadora no terreno.

Por outro lado, a agência Tryvel foi substituída pela Abreu e o Rui Nobre pelo Jorge Santos. Porém, desta vez, não foi distribuída a brochura com o programa, informação sobre o alojamento e a história resumida dos locais visitados. Para compensar provaram-se mais vinhos (20 agora contra 12 no passado) e beberam-se às refeições também 13 vinhos, mas agora vieram para a mesa mais 3 fortificados (2 Porto e 1 Moscatel).


Neste 2º Enoturismo, foram visitados os seguintes produtores, para além de uma pedagógica incursão no Museu do Linho em Várzea de Calde:

.Caminhos Cruzados

.Quinta do Medronheiro

.Quinta da Bica

.Quinta do Cruzeiro

.Quinta da Taboadella

e feitas refeições nos seguintes espaços:

.Taberna da Adega (na Lusovini, Nelas)

.Casa Arouquesa (Vizeu)

.Paço dos Cunhas de Santar (Santar)

.Taberna da Milinha (Viseu)

.Quinta da Taboadella (Silvã de Cima, Sátão)


Em próximas crónicas, inventariei os vinhos provados nos produtores e os comeres e beberes nos espaços de restauração.

quinta-feira, 14 de julho de 2022

Frade dos Mares - 4,5 * e outros espaços

 1.Frade dos Mares (Av. D. Carlos I, 55)

Sala de dimensão média, mesas aparelhadas e guardanapos de pano.

A ementa apresenta 3 sopas, 6 entradas, 7 pratos de peixe, 4 de carne, 2 vegan e 8 sobremesas, tendo escolhido:

.couvert (3 tipos de pão e azeitonas marinadas)

.croquetes de polvo com salada de feijão frade

.gambas à Frade dos Mares

Estava tudo muito saboroso e as quantidades servidas eram bem generosas.

Quanto à componente vinica, inventariei 2 espumantes (1 a copo), 22 brancos (3), 2 rosés (1), 22 tintos (9), 7 raridades, 7 Portos e 3 Madeiras. uma boa selecção com os vinhos datados e temperaturas controladas. Ainda não apostaram na cerveja artesanal (apenas a semi-artesanal Bohemia).

Optei por um copo do branco Qtª Vale de Fornos Reserva 2019 - com base na castas Arinto, Chardonnay e Gewurztraminer; cítrico e mineral, acidez bem presente, algum volume e final de boca. Muito elegante e uma boa surpresa. Nota 17,5.

A garrafa veio à mesa e dada a provar num belíssimo copo sem marca.

Serviço profissional e muito simpático.

Recomendo e tenciono voltar.


2.Outros espaços (classificados de 1 a 5 *)

Com 5 *

.Taberna Albricoque

Com 4,5 *

.Degust'AR Lisboa

.Lugar Marcado

.Moinho Ibérico (São João das Lampas)

.Taverna dos Trovadores (S. Pedro de Sintra)

Com 4 *

.À Margem

.Bastardo

.Elevador

.Infame

.Mercado

.Mestrias

Com 3,5 *

.Wine Not?

terça-feira, 12 de julho de 2022

Vinhos em família (CXXXV) : brancos uma vez mais

1.Bebidos em casa: 

Provados mais 4 vinhos brancos com os rótulos à vista, sem a pressão da prova cega.


.Inspirações Alvarinho 2018 (1 das 2095 garrafas) - saído das mãos da dupla Anselmo Mendes/António Braga; com base na casta Alvarinho (100 %) estagiou 8 meses em barricas usadas; presença de citrinos e alguma fruta de caroço, notas tropicais, equilibrio acidez/gordura, algum volume e final de boca (13 % vol.). Elegante e gastronómico. Nota 18.


.Sou Alvarinho 2018 (garrafa nº 955) - Prémio Excelência da Revista de Vinhos; uma parceria da Joana Santiago (Quinta de Santiago) com o enólogo Mira do Ó; com base na casta Alvarinho (100 %); cítrico e mineral, notas tropicais, boa acidez, algum amanteigado, volume e final de boca médios (12,5 % vol.). Fresco e elegante. Nota 17,5+.


.Kelman Encruzado Grande Reserva 2015 (garrafa nº 1452/2000) - com base na casta Encruzado (100 %) estagiou 2 anos em barricas de carvalho francês e mais 2 em garrafa; equilibrio acidez/gordura, notas glicerinadas, aromas terciários, volume e final de boca assinaláveis (13 % vol.). Original, complexo e gastronómico. Nota 18.


.Quinta dos Carvalhais Branco Especial (1 das 5174 garrafas) - com base nas castas Encruzado, Gouveio e Sémillon de 8 colheitas diferentes, com uma média de 7 anos de estágio em barricas usadas de carvalho, foi engarrafado em 2019; algum citrino e fruta de caroço, acidez no ponto, notas amanteigadas, madeira ainda demasiado presente, algum volume e final de boca (14 % vol.). Nota 17,5.

Provada a mesma garrafa uma semana depois, a presença da madeira desvaneceu-se e o vinho melhorou. Nota 18.

Moral da história: este branco precisa sempre de ser decantado!


2.Bebidos em espaços de restauração:

Com 17,5

..COM 2021

.Adega Mãe Chardonnay 2020

.Esporão Reserva 2020

.Adega Vila Real Premium 2019

.S. Luiz Reserva 2020

.Adega Vila Real Premium 2017 

Com 17

.Tiago Cabaço Vinhas Velhas 2020

.Madre de Água Encruzado 2019

.Periquita Reserva 2020

.Fagulho Reserva 2017

Com 16,5

.Dona Ermelinda 2020

Com 16

.S. Luiz 2021


terça-feira, 5 de julho de 2022

Os meus grupos de prova : 957 vinhos (e mais algumas dezenas não contabilizados) provados desde 2010 (III)

 continuando...


A 3ª e última crónica dedicada a este assunto inventaria os vinhos que entraram no meu Quadro de Honra (QH), sendo eleitos os brancos classificados com 18 ou mais e os tintos e fortificados com 18,5 ou mais.

Dos 957 vinhos contabilizados, entraram no meu QH 385 (40,2 % do total). Desagregando:

.Espumantes/Champanhes - 20 provados e apenas 1 entrou no meu QH (5 %)

.Brancos - 282 provados, dos quais 86 entraram no QH (30,5 %)

.Tintos - 333 provados, dos quais 124 entraram no QH (37,2 %)

.Fortificados - 321 provados, dos quais 174 entraram no QH  (54,2 %), sendo

..Vinhos do Porto - 91, dos quais 34 no QH (37,4%)

..Vinhos Madeira - 188, dos quais 122 no QH (64,9 %)

..Moscatéis - 37, dos quais 17 no QH (45,9 %)

..Carcavelos - 4, dos quais 1 no QH (25 %)


Por Região, os 211 vinhos tranquilos (brancos e tintos) eleitos para o meu QH, desdobram-se em:

.Douro/Trás-os-Montes - 77 (36,5 %)

.Dão - 38 (18,0 %)

.Vinhos Verdes - 30 (14,2 %)

.Bairrada/Beira Litoral - 30 (14,2 %)

.Alentejo - 13 (6,2 %)

.Estrangeiros - 9

.Lisboa - 6

.Palmela/Peninsula de Setúbal - 3

.Tejo - 2

.Açores - 2

.IVV - 1 


De salientar:

.a boa prestação dos brancos, com quase 1/3 dos provados a entrar no QH, o que seria impensável há alguns anos atrás

.a qualidade dos fortificados, com mais de 50 % a serem eleitos, destacando-se os Vinhos Madeira, dos quais somos fanáticos, mas também os Moscatéis

.a grande presença do Douro, mas também a boa prestação do Dão, Vinhos Verdes e Bairrada

domingo, 3 de julho de 2022

Junho 2014 : o que aconteceu aqui há 8 anos

 Das 11 crónicas publicadas no decorrer de Junho 2014, destaco estas 2:


."Jantar Qtª das Bageiras"

Recordando um jantar vínico, organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas, com a Qtª das Bageiras e a presença do seu produtor Mário Sérgio Nuno.

O repasto decorreu na Casa do Bacalhau, ficando na memória os vinhos Pai Abel 2012 branco e Pai Abel 2009 tinto.


."O 4º aniversário do Assinatura"

Recordando um jantar de aniversário do saudoso e emblemático restaurante Assinatura, encerrado há já alguns anos.

Quando deste 4º aniversário o chefe Henrique Mouro já lá não estava, tendo sido substituído pelo chefe Vitor Areias após uma passagem meteórica do chefe João Sá. Mas nenhum destes 2 conceituados chefes fez esquecer o Henrique Mouro que deixou a sua marca no Assinatura.