sábado, 31 de outubro de 2020

Grupo dos 6 (23ª sessão) : o regresso 7 meses depois

 Este grupo de enófilos, desfalcado do nosso amigo Adelino, regressou às lides enogastronómicas 7 meses depois. O repasto decorreu, mais uma vez, no Magano. Comida e serviço à altura dos acontecimentos. Copos Riedel e Schott na mesa. Tudo de acordo com as directivas da DGS, apesar da sala cheia (isto é um fenómeno, pois a maioria dos restaurantes está a meio gás).

Desfilaram:

.Ilha Blanc des Noirs 2017 (garrafa nº 496/3626, levada pelo João?) - com base na casta Tinta Negra; cítrico, fresco e mineral, belíssima acidez, volume e final de boca médios (12 % vol.). Elegante, mas demasiado "light". Nota 16,5.

.Poças Branco da Ribeira 2018 (levado pelo João?) - com base nas castas Códega e Arinto em vinhas velhas, estagiou 24 meses em barrica; muito fresco, algum citrino e fruta de caroço, equilibrio acidez/gordura, volume e final de boca de respeito (13 % vol.). Complexo e muito gastronómico. Nota 18.

Estes 2 brancos acompanharam as entradas (queijo fresco, empadinhas, peixinhos da horta, cogumelos recheados e favinhas com chouriço) e o prato de peixe (pregado à Bolhão Pato).

.Procura 2011 (levado por mim) - enologia e produção da Susana Esteban; com base na casta Alicante Bouschet (40 %) e vinhas velhas (60 %), estagiou 14 meses em barricas de carvalho francês (30% novas e 70% usadas); nariz exuberante, presença de fruta vermelha, predominando as ameixas, alguma acidez, taninos de veludo, algum volume e final de boca longo (14,5 % vol.). No ponto óptimo de consumo, não vale a pena guardá-lo mais tempo. Nota 18,5.

.Olho no Pé Reserva 2011 (levado pelo Juca) - com base em vinhas velhas, estagiou 40 meses em barrica; nariz discreto, fresco, alguma fruta, acidez no ponto, taninos civilizados, algum volume e final de boca (13,5 % vol.). A beber nos próximos 4/5 anos. Nota 18.

Estes 2 tintos maridaram com arroz de pato.

.Blandy Verdelho 1977 (garrafa nº 485/694, levada pelo Frederico e engarrafada em 2009) presença de frutos secos e vinagrinho, notas de iodo e brandy, taninos firmes e civilizados, boa estrutura e final de boca interminável. A Madeira no seu melhor! Nota 19.

Este fortificado casou bem com pastéis e tarte de amêndoa.

Mais uma belíssima sessão de convívio, comeres e beberes, só lamentando a ausência do nosso amigo madeirense. 

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

As revistas especializadas - nº de Outubro (2ª parte)

 continuando...


3.Revista de Vinhos (RV)

A. 164 páginas, sendo 40 de publicidade, logo 124 úteis (75,6 % do total).

B. 10 crónicas/reportagens

.Vindima 2020 (Marc Barros)

.Barca Velha : o zénite da enologia portuguesa (José João Santos e Marc Barros)

.Expressões da casta Fernão Pires no Tejo (Guilherme Corrêa)

.Caves São João : um amor de perdição que celebra 100 anos (José João Santos)

.Filipa Pato & William Wouters (José João Santos)

.Na estrada do vinho com Diogo Lopes (Guilherme Corrêa)

.Touriga Nacional : primus inter pares (Marc Barros)

.Morávia do Sul (Marc Barros)

.Manteiga : o veludo de leite (Fátima Izen)

.Manteiga e Vinho (Guilherme Corrêa)

C. 12 "Novidades"

.Murganheira : a sedução do espumante (Célia Lourenço)

.Chryseia

.Ideal Drinks

.Aveleda

.Vale D. Maria (Luis Costa)

.Madeira Wine Company (Nuno Guedes Vaz Pires)

.Cooperativa Ilha do Pico

.Pedra Cancela

.Arribas Wine Company

.Lés a Lés

.Aníbal Coutinho

.Barbeito

Nota - as "Novidades" que não refiro o nome do autor são todas do José João Santos

D. Crítica de restaurantes

.Bovino Steakhouse, na Quinta do Lago (Nuno Guedes Vaz Pires)

.Zun Zun Gastro Bar by Marlene Vieira, em Lisboa (Miguel Pires)

E. Cervejas artesanais

.Nortada, a Invicta, no Porto (Luis Alves)

F. 215 vinhos provados, sendo 27 classificados com 18 ou mais (12,6 % do total)

.Barca Velha 2011 - 20 

.Frei João 1966 branco - 19

.Missão Baga Pré-Plilloxera 2016 - 19

.Chryseia 2018 - 18,5

.Qtª da Pellada 2017 - 18,5

.Missão Baga Pré Philloxera 2015 - 18,5

.Escondido 2015 - 18,5

.Herdade Grande Souzão 2017 - 18,5

.Ilha do Pico Terroir Vulcânico Terrantez do Pico 2019 branco - 18,5

(seguem-se mais 14 vinhos tranquilos com 18)

.Barbeito Fajã dos Padres Malvasia Cândida Frasqueira 1993 - 19

(seguem-se mais 3 vinhos fortificados com 18)

Dos 27 eleitos, 13 são tintos, 10 brancos e 4 fortificados (todos Madeira).

Por Regiões, os vinhos tranquilos dividem-se em 1 Vinho Verde, 3 Douro, 3 Dão, 7 Bairrada, 3 Lisboa, 3 Alentejo, 2 Açores e 1 sem.


4.Concluindo

Neste nº de Outubro, comparando as 2 revistas, é de referir:

.A RV continua a ter mais páginas úteis (124 contra 57 da GE)

.A RV continua a ter mais crónicas/reportagens (10 contra 6 da GE) e "Novidades" (12 contra 3 "Lançamentos" da GE)

.A GE alargou o seu painel de críticos neste nº, reaparecendo o João Paulo Martins e o Nuno Garcia, enquanto que a RV continua muito centrada no José João Santos no que se refere a "Novidades".

.A RV continua atenta à critica de espaços de restauração e à cerveja artesanal, enquanto que a GE já incluiu a crítica a restaurantes, mas continua de costas voltadas ao mundo novo das artesanais. 

terça-feira, 27 de outubro de 2020

As revistas especializadas - nº de Outubro (1ª parte)

 1.Introdução

Com o mesmo objectivo e metodologia de análise referidas nas crónicas 

."As revistas especializadas - nº de Setembro (1ª parte)" sobre a Grandes Escolhas

."As revistas especializadas - nº de Setembro (2ª parte)" sobre a Revista de Vinhos

as próximas crónicas são dedicadas aos nº de Outubro.


2.Grandes Escolhas

A. 96 páginas, das quais 39 de publicidade, logo apenas 57 úteis (59,4 % do total)

B. 6 Artigos/Reportagens

."Luis Sottomayor : os Barca Velha de hoje têm melhores uvas e vão mais longe" (João Paulo Martins)

."Herdade do Mouchão : um 1º entre iguais" (Nuno Garcia)

."Tintos do Tejo : os Vinhos de uma nova era" (Valéria Zeferino)

Esta crónica tem uma gralha. O Marquesa de Cadaval aparece no destaque inicial dos 4 melhores, classificados com 18, mas no texto é o Marquesa de Alorna que está no grupo da frente. 

Não há problema, fica tudo entre aristocratas ...

."Quinta do Ventozelo : um pedaço de paraíso" (Luis Lopes)

."2020 : uma vindima louca... mas vai haver bom vinho" (Mariana Lopes)

."As sobremesas do nosso contentamento" (Fernando Melo)

Uma gafe com este artigo que deveria ter sido publicado há meses, pois o autor refere "(...) Está aí a Páscoa e com ela as principais festas de família (...)"! 

C. 3 Lançamentos

.20 anos de Pedra Cancela (Mariana Lopoes)

.Vinhos Monólogo (Mariana Lopes)

.O costureiro da Foz do Tua (Luis Lopes)

D. Crítica de restaurantes

.The One (Hotel Tivoli) no Carvoeiro, Algarve (Mariana Lopes)

E. Cervejas Artesanais

Zero!

F. 118 vinhos provados, dos quais 24 com notas de 18 ou mais (20,3 % do total)

.Taylor's Vintage 2018 - 19,5

.Ferreira Vintage 2018 - 19

.Sandeman Vintage 2018 - 19

.Fonseca Guimaraens - 18,5

seguem-se mais 3 com 18

.BarcaVelha 2011 - 19

.Guru 2019 branco - 18,5

.Pedra Cancela Intemporal 2012 branco - 18,5

seguem-se mais 10 vinhos com 18

Dos 24 eleitos, 1 é espumante, 12 são tintos, 4 brancos e 7 fortificados.

Por região, temos 6 Douro, 7 Porto, 2 Dão, 2 Bairrada, 5 Tejo, 1 Alentejo e 1 estrangeiro.


continua...

sábado, 24 de outubro de 2020

Prova e Jantar com vinhos da Madeira

 O título dcesta crónica pode enganar, pois este evento contemplou Vinhos Madeira (fortificados) e vinhos DOP Madeirense, que são coisas diferentes. O evento decorreu na Casa do Bacalhau, sendo a organização da responsabilidade da Garrafeira Néctar das Avenidas. Esteve presente a Diana Silva, a entusiástica defensora da casta Tinta Negra (not me!), que interveio ao longo da sessão.

As directivas da DGS foram cumpridas à risca e, dada a distância, não era fácil dialogar com o parceiro da frente. A logistica não era fácil, dada a quantidade de vinhos em prova. Passaram pela mesa 400 copos, dos quais 220 Riedel. É obra! Aliás, não conheço mais nenhum espaço de restauração onde isto fosse possível. Mais, bom ritmo sem tempos de espera e serviço de qualidade, embora o patrão e chefe João Bandeira não estivesse presente. 


1ª Parte - Prova de Vinhos Madeira (11)

Não tendo sido possível tomar apontamentos sobre cada um dos vinhos provados, limitei-me a pontuá-los. Foram provados, por ordem cronológica, considerando que os 7 primeiros eram para principiantes e os último 4 estavam noutro patamar:

.H. M. Borges Sercial 15 Anos - 16,5+

.Justino's Sercial Colheita 1997 - 17

.Justino's Verdelho Colheita 1997 - 17,5

.H. M. Borges Negra Mole Colheita 2005 - 16,5

.Barbeito Boal Colheita 2002 - 17,5+

.D' Oliveiras Malvasia 2000 - 17,5

.Barbeito Três Pipas Bastardo Reserva Velha - 17

.Blandy's Verdelho Frasqueira 1976 - 18,5+

.Cossart Gordon Terrantez Frasqueira 1975 - 18+

.Blandy's Bual 30 Anos - 18

.H. M. Borges Malvasia 30 Anos - 18,5 

A grande surpresa, para mim, foi este último, com uma relação preço/qualidade imbatível.

Nota à margem da prova: fiz um "blend" dos restos que ficaram nos meus copos dos últimos 4 vinhos que me deu muito prazer beber com a sobremesa.


2ª Parte - Jantar com vinhos DOP Madeirense (8) e 2 surpresas

Também me limitei a pontuar os vinhos que acompanharam o jantar, sendo minha opinião que os brancos DOP são mais interessantes que os tintos. E eles foram, por ordem cronológica (os 3 Verdelhos foram provados às cegas):

.Atlantis Rosé 2019 - 16,5

.Ilha Rosé Tinta Negra 2017 - 15,5

com bacalhau em 3 modos (carpaccio, pastéis e pataniscas)

.Barbeito Verdelho 2018 - 17

.Ilha Verdelho 2018 - 17,5

.Justino's Colombo Verdelho 2017 - 17,5+

com bacalhau confitado com puré de citrinos

.Justino's Colombo 2017 (castas Merlot, Tinta Barroca, Cabernet Sauvignon e Touriga Nacional) - 17

.Ilha Tinta Negra 2018 (em magnum) - 16,5

com ossobuco e arroz de forno

e, finalmente, as surpresas (2 Vinhos Madeira)

.Justino's Terrantez 50 Anos - 18

.Campanário Doce MMVF 100 Anos - 19 (vinho da família, uma simpática oferta do Diogo Freitas da Barbeito)

com bolo de mousse de chocolate e nozes

Em conclusão, foi uma jornada inesquecível, muito bem organizada com a gastronomia e o serviço à altura dos acontecimentos.

A Néctar das Avenidas e a Casa do Bacalhau estão de parabéns!

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

À volta da cerveja artesanal (XV)

 1.Mais provas

Provadas mais 5 cervejas artesanais, em casa ou em espaços de restauração, classificadas de 1 a 5. E elas foram:

Com 5

.8ª Colina Sabino Triple IPA (Lisboa) com 11º de álcool

Com 4,5

.8ª Colina Vila Iolanda Double IPA (Lisboa) com 9º de álcool

Com 4

.Trindade Fénix American Wheat (Lisboa)

.Luzia Italian Grape Ale 2017 (Coimbra), maturada 5 meses em barricas de carvalho francês, com sumo de uvas (Baga, Chardonnay e Sauvignon Blanc) e com 11º de álcool

Com 3,5

.8ª Colina Vila Berta New England IPA (Lisboa)


2.A Symington também aderiu

Depois de alguns produtores de vinho e enólogos terem aderido a este mundo novo da cerveja artesanal (Qtª La Rosa, Esporão, Herdade do Rocim, Qtª do Portal e Anselmo Mendes, entre outros), chegou a vez da Symington, através da sua marca Cockburns e em colaboração com a cervejeira Musa, ter lançado no mercado a cerveja artesanal "Remistura", envelhecida em cascos de Vinho do Porto.


3.As revistas especializadas

Enquanto que a Grandes Escolhas continua de costas voltadas para esta nova realidade, a Revista de Vinhos está atenta e, pelo menos nos 2 últimos números, tem dedicado algumas páginas à cerveja artesanal. No nº de Setembro a crónica cervejeira contempla a Letra e no nº de Outubro foi a vez da Nortada.

À reflexão da Grandes Escolhas.

terça-feira, 20 de outubro de 2020

Mais 2 espaços de restauração revisitados : Prado e Revolução

 1.Prado - 4,5 *

Este emblemático restaurante, da responsabilidade do chefe António Galapito, já foi objecto destas crónicas:

."Um trio maravilha (2ª parte) : Prado e (...)"

."Revisitar o Prado - 4,5 * "

."Curtas (CXIV) : Prado, (...)"

."Mais uma vez o Prado - 4,5 * "

Nesta revisita, a primeira em tempos de Covid, verifiquei estar tudo de acordo com as directivas da DGS.

Ementa não muito alargada onde constam 10 entradas/pratos, 4 pratos especiais, 3 sobremesas e 1 selecção de queijos. No verso consta uma listagem dos repectivos produtores/fornecedores do restaurante. As doses são pequenas, logo há que pedir mais de 1 por cabeça. Os pratos são devidamente explicados pelos empregados.

Nesta revisita partilhámos:

.Pleurotus, massa de pimentão e trigo sarraceno (muito bom)

.Atum, arroz carolino do Sado e algas (bom)

.Gelado de cogumelos, caramelo e cevada perolada (excepcional)

Quanto à componente vínica, a lista é farta e nada óbvia, tendo inventarido:

7 espumantes (1 a copo), 3 champanhes, 23 brancos (2), 8 "laranjas" (1), 5 rosés, 20 tintos (2), 5 fortificados e 4 cervejas artesanais.

Optei pela artesanal Luzia Italian Grape Ale, maturada em barricas de carvalho francês durante 5 meses e incui sumo de uvas Baga, Chardonnay e Sauvignon Blanc. 6 anos de validade e 11º de álcool. Nota 4.

Serviço atento, profissional e simpático.


2.Revolução - 4,5 *

Este espaço situado no 1º andar da Associação 25 de Abril e aberto ao público, já foi aqui referido em "Revolução - 4,5 * ". Continua a respeitar as directrizes da DGS.

Finalmente e depois de muitas insistências, a porta da rua está aberta e não inibe ninguém de entrar para almoçar ou jantar neste restaurante de qualidade, sob a responsabilidade do chefe Nuno Diniz e do seu parceiro Rodrigo Menezes.

Ementa muito curta mas fiel à cozinha regional portuguesa, constando 4 entradas, 3 pratos de peixe, 3 de carne e 4 sobremesas.

Nesta recente visita comi:

.Creme de legumes

.Rabada à moda de Mogadouro

.Papa de carolo com figo

Estava tudo irrepreensível e saborosíssimo.

Quanto à componente vínica, as minhas achegas não cairam em saco roto, tendo finalmente sido retirado o verde tinto, mas continuando omissos os Alvarinhos de Monção Melgaço e os Arintos de Bucelas. Inventarirei 2 espumantes, 6 brancos (1 a copo), 2 rosés, 5 tintos (1) e 5 fortificados, não tendo ainda aderido à cerveja artesanal.

Copos Riedel em todas as mesas, um luxo!

Serviço eficiente e profissional.

terça-feira, 13 de outubro de 2020

Grupo FJF (18ª sessão) : 2 grandes brancos da Adega Mãe

 A  última sessão deste grupo de enófilos militantes decorreu no restaurante Lugar Marcado, com vinhos da minha garrafeira (3 brancos, não havendo espaço para tintos). A Fátima na sala e a Sandra nos tachos, inspiradas como sempre. Mais, este espaço é o que tem um dos melhores serviços de vinho dos muitos restaurantes que conheço.

Desfilaram:


.Adega Mãe 221 2015 (garrafa nº 218/2703) - 221 significa 2 enólogos (Anselmo  Mendes e Diogo Lopes), 2 proveniências (Monção e Lisboa) e 1 casta (Alvarinho); 9 meses de batonage; aroma intenso, presença de citrinos, notas tropicais e algum floral, equilibrio acidez/gordura, algum volume e final de boca longo (12,5 % vol.). Personalidade e elegância. Nota 18 (noutras situações 17/17,5+).

Este primeiro branco acompanhou:

.couvert (pão e azeite Vale Meão Virgem Extra Bio)

.chamuças de bacalhau

.camarões panados


.Adega Mãe Terroir 2016 (garrafa nº 356/1761) - com base nas castas Viosinho, Alvarinho e Arinto, foi engarrafado em Setembro 2017, tendo estagiado 26 meses em garrafa; nariz contido, algum citrino e fruta de caroço, acidez presente, notas amanteigadas, volume considerável e final de boca persistente (13 % vol.). Um dos grandes brancos portugueses e um caso sério em qualquer parte do mundo. Nota 18,5 (também 18,5 noutra situação).

Este segundo branco acompanhou:

.ovinhos de codorniz com linguiça

.desfeita de bacalhau

.lulas à algarvia

.milho frito


.Qtª de Santiago Rascunho Alvarinho Late Harvest 2015 (garrafa nº 555/592 !) - com base na casta Alvarinho (100 %), estagiou 4 anos em barrica; presença de citrinos e alguma maçã verde, frutos secos e algum mel, acidez acentuada, volume médio e final de boca assinalável (12,5 % vol.). Elegante, mas algo "light". Nota 17.

Este terceiro branco acompanhou:

.bolo rançoso

.gelados caseiros


Mais uma boa jornada de convívio, comeres e beberes.

domingo, 11 de outubro de 2020

Feira de Vinhos do Continente : assim se enganam os incautos...

 Chegou-me recentemente às mãos o catálogo da Feira de Vinhos do Continente (22/9 a 18/10), cujo conteúdo é da responsabilidade da equipa de enólogos do Continente, Vera Casanova e Anibal Coutinho. Na página de abertura eles afirmam "(...) É com entusiasmo que a equipa de enólogos do Continente trabalha para descobrir, provar, avaliar e escolher a gama de vinhos da garrafeira do Continente, de norte a sul do atlântico ao interior. (...)". Quanto aos preços a que os vinhos são vendidos não sei quem são os responsáveis, mas espero que não sejam eles.

Passando por cima da oferta dos vinhos de gama baixa ou média-baixa, detenho-me nas páginas 32 e 33 do catálogo, dedicadas aos "Vinhos da Nossa Cave", porque são estes os que mais interessam a quem frequenta as garrafeiras. São 14 os seleccionados mas, lamentavelmente, não constam os anos de colheita.

Após uma pesquisa exaustiva na net, conclui que destes vinhos da Cave apenas 1 compensa comprar na Feira do Continente. Desconhecendo os anos de colheita, com um preço igual encontrei 3 e com preços mais favoráveis em garrafeiras são 10 e, nalguns casos, bastante mais favoráveis!

Passo a pormenorizar:

Com preço favorável no Continente:

.Titan of Douro Vale dos Mil - 29,00 €

Com preço igual

.Leo d' Honor - 38,39 €

.Qtª da Leda - 39,99 €

.QM Alvarinho/Chardonnay - 49,90

Com preço melhor nas garrafeiras (indico apenas uma, a título de exemplo)

.Qtª do Crasto Vinhas Velhas - 29,00€ (na Néctar das Avenidas - 28,00 €)

.Qtª do Mouro - 29,50 € (na Néctar das Avenidas - 25,00 €)

.Aneto Grande Reserva - 30,00 € (na Garrafeira de Lisboa - 25,50 €)

.Villa Oliveira - 42,00 € (na Garrafeira 5 Estrelas - 38,95)

.Kopke Vinhas Velhas - 48,00 € (na Garrafeira São João - 39,52 €) 

.Qtª do Noval Reserva - 52,90 € (na Garrafeira Imperial - 49,50 €)

.Charme - 58,00 € (na Garrafeira Nacional - 54,50 €)

.Esporão Private Selection - 59,99 € (nas Garrafeiras Soares - 49,95)

.Qtª Nova N. Srª do Carmo Grande Reserva Referência - 65,00 € (na Garrafeira Veneza 59,40 €)

.Antónia Adelaide Ferreira - 89,00 € (na Garrafeira Nacional - 78,90 €) 

E, assim, se enganam os incautos...

sábado, 10 de outubro de 2020

Curtas (CXXV) : eventos enogastronómicos, não há fome que não dê em fartura

 Praticamente "desaparecidos" há mais de 6 meses, eis que os eventos ligados ao vinho e à gastronomia aparecem em força neste mês de Outubro.

Ei-los, por ordem mais ou menos cronológica:


1.Garrafeira Néctar das Avenidas

Que eu saiba, a Néctar das Avenidas foi a primeira a desconfinar, ainda em Julho, com 2 almoços vínicos (Wine & Soul e Qtª de Soalheiro) e, em Setembro, uma visita à Qtª de Pancas. 

Neste mês de Outubro, vai organizar mais 2 eventos:

.Ainda hoje, na Casa do Bacalhau, com vinhos da Madeira, iniciando-se com uma prova de 11 fortificados  e seguindo-se um jantar vínico com 6 vinhos DOP Madeirenses (90 €).

.Dia 30, mais um jantar vínico com a Poças, também na Casa do Bacalhau (45 €)


2.Hotel The Yeatman (V. N. Gaia)

O restaurante deste hotel já retomou os seus jantares vínicos semanais (80 €), estando previstos até ao final do mês:

.Dia 15, Adega Mayor

.Dia 22, Ideal Drimks

.Dia 29, Qtª do Gradil


3.Restaurante Revolução (Associação 25 de Abril)

Dias 15 e 16, evento enogastronómico sob o tema "Uma viagem na Beira Litoral", uma iniciativa do chefe Nuno Diniz, com o apoio da CVR Bairrada. Serão degustados 3 pratos e 1 sobremesa, todos regionais (38 €), acompanhados por 5 vinhos (12 €).  


4.Restaurante Doca Peixe (Doca de Santo Amaro)

Cinco encontros vínicos, orientados pelo escanção Rodolfo Tristão, sob o tema "Baco vai à Doca Peixe" (60 €), sendo 

.Dia 15, dedicado a "Iniciação ao Vinho", com a Casca Wines

.Dia 29, dedicado ao Douro, Dão e Bairrada, com a Wineconcept

Seguem-se mais 3 em Novembro.


5.Hotel Verride Palácio Santa Catarina

Dias 20 e 21, Curso de Vinhos conduzido pelo crítico João Paulo Martins, sob o tema "O ABC do Vinho". O 2º dia termina com um jantar (opcional) no restaurante Suba (100 € com jantar e 70€ sem jantar).

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Vinhos em família (CXI) : continuando com os brancos

 Mais 4 brancos provados descontraidamente em casa, com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega:


.Fundação Oriente Malvasia 2014 - enologia de Jaime Quendera; com base na casta Malvasia de Colares (100 %); fresco e mineral, notas cítricas e salinidade, bom equilibrio acidez/gordura, algum volume e final de boca (13,5 % vol.). Consistente e gastronómico, uma boa surpresa vinda de Colares. Nota 18.


.Qtª do Ameal Escolha 2015 - com base na casta Loureiro (100 %), estagiou 6 meses em barricas usadas de carvalho francês; notas cítricas e florais, acidez fabulosa, algum amanteigado, volume e final de boca assinaláveis (11,5 % vol.). Nota 17,5+.


.Herdade São Miguel Esquecido 2017 (garrafa nº 1980/2500) - com base na casta Arinto estagiou 16 meses em barricas de carvalho francês; notas cítricas e minerais, algum floral, equilibrio acidez/gordura, volume e final de boca médios (13 % vol.). Gastronómico. Nota 17.


.Cozs 2017 (Vinho de Portugal) - Prémio Excelência 2019 da Revista de Vinhos; criado por António Marques da Cruz e Tiago Teles; com base na casta Vital (100 %) na Serra de Montejunto; presença de citrinos e maçã verde, notas minerais e algum verniz, acidez demasiado elevada para o corpo que tem e final de boca longo (12,5 % vol.). É um vinho controverso na onda dos brancos naturais. Ou se ama ou se odeia. Nota 16,5.  

terça-feira, 6 de outubro de 2020

Setembro 2012 : o que aconteceu aqui há 8 anos

 Das 14 crónicas publicadas no decorrer de Setembro 2012, destaco estas 3:


."O Pêra-Manca, a OIV e nós"

Recordando a "democratização" do emblemático Pêra-Manca, na sequência do Congresso Mundial da Vinha e do Vinho, no CCB. A visita às Coisas do Arco do Vinho, por parte da cúpula da Fundação Eugénio de Almeida, possibilitou a dita "democratização" daquele vinho.


."Rescaldo da ida ao Norte (IV)"

Recordando um almoço de 5* no restaurante Ferrugem, na Portela, arredores de Vila Nova de Famalicão.

O Renato não estava, mas a chefe Dalila (na altura, parceira no projecto) brilhou, correndo tudo às mil maravilhas (ambiente, gastronomia, vinhos e serviço). Por onde andará esta chefe?


."Grupo dos 3 (24ª sessão)"

Recordando um belíssimo almoço na Casa da Dízima, em Paço d'Arcos, organizado pelo Joâo Quintela com vinhos da sua garrafeira. A Casa da Dízima, sob a batuta do Pedro Batista, era e é uma referência, onde foi sempre um prazer visitar.

domingo, 4 de outubro de 2020

O Pedro Gomes partiu...

 Alertado pelo meu amigo Juca, soube ontem do falecimento do Pedro Gomes. A notícia vinha na Fugas de Sábado, a abrir a página habitual do Pedro Garcias ("Elogio do vinho") e começava assim: "Preparava-me para começar a escrever sobre o fim das vindimas, mas acabo de saber que o Pedro Gomes, colega de provas e um grande divulgador de vinhos, faleceu há três meses. Há três meses e eu só soube hoje (escrevo terça-feira à noite). É o que dá estar longe do Facebook (...)". 

Foi uma triste notícia, mas que não me surpreendeu, pois há 1 ano e picos encontrámo-nos numa prova de vinhos e ele não fez segredo ao afirmar que já estava em fase terminal, o que me deixou em estado de choque. 

Para quem o conheceu, recomendo a leitura da minha crónica "Coisas do Arco do Vinho (CAV) : um viveiro de enófilos", publicada em 11/3/2014, onde refiro uma série de enófilos militantes que cresceram com as CAV e que vieram a fazer carreira no mundo do vinho. Para além do Pedro Gomes, recordo o Rui Falcão, João Quintela e Nuno Garcia.

Voltando ao Pedro Gomes, ali recordo que:

.fez parte do painel de prova cega das CAV durante uns tantos anos, até se profissionalizar

.conjuntamente com o Rui Falcão e o Tiago Teles, lançou o "Guia 2004 de Vinhos Portugueses & Estrangeiros", tendo-se deslocado às CAV com os outros autores para nos oferecerem um exemplar assinado pelos 3

.profissionalizou-se com o projecto "Nova Crítica - vinho"

Quando tiver a oportunidade de provar o tão badalado Barca Velha 2011, hei-de bebê-lo à memória do Pedro Gomes!


quinta-feira, 1 de outubro de 2020

As revistas especializadas - nº de Setembro (2ª parte)

 continuando...


3.Revista de Vinhos (RV)

A. 162 páginas, sendo 41 de publicidade, logo 121 de texto útil (74,7 % do total)

B. 6 artigos/reportagens

.Madeira, uma questão de nervo (José João Santos e Nuno Guedes Vaz Pires). São 30 páginas de informação sobre os diversos produtores de Vinho da Madeira, o que é de aplaudir.

.Porto Vintage 2018, um virar de página (José João Santos)

.Qtª da Boa Esperança, vinhos com consciência ambiental (Manuel Moreira)

.Colares, novos actores numa região em ressurgimento (Rodolfo Tristão)

.Ria de Aveiro, um berço de ostras (Fátima Iken)

.Vinho e churrasco (Guilherme Corrêa) 

C. 9 "Novidades"

.Qtª da Leda (António José Lopes e Marc Barros)

.Paulo Laureano, viagem com vinhos (Célia Lourenço)

.João Cabral de Almeida (José João Santos)

.Colinas do Douro (José João Santos)

.Qtª de Santiago (José João Santos)

.Howard's Folly (Manuel Moreira)

.A & D Wines (José João Santos)

.Trabuca Wines (António Lopes)

.Château de Chamilly (Rodolfo Tristão)

D. Crítica de restaurantes

.Senhor Uva, em Lisboa (Miguel Pires)

.Caneiro, em Cabeceiras de Basto (Nuno Guedes Vaz Pires)

E. Cervejas artesanais

.Letra - do Minho com amor (Luis Alves e Marc Barros)

F. 211 vinhos provados, sendo 29 com notas de 18 ou mais

.Santiago na Ânfora do Rocim Alvarinho 2019 - 18,5

.Qtª San Michel Arinto 2017 - 18,5

.Corton Grand Cru 2017 (Borgonha) - 18,5

(seguem-se mais 11 vinhos com 18)

.Burmester Qtª do Arnozelo Vintage 2018 - 18,5

.Kopke Qtª de São Luiz Vintage 2018 - 18,5

.Qtª do Ventozelo Vintage 2018 - 18,5

.Ramos Pinto Qtª do Bom Retiro - 18,5 

(seguem-se mais 11 Porto Vintage 2018)

Dos 29 eleitos, 2 são espumantes, 8 tintos, 3 brancos e 16 fortificados (15 Porto Vintage e 1 Carcavelos).

Os vinhos tranquilos dividem-se em 2 da região dos Vinhos Verdes, 3 Douro, 1 Colares, 1 Tejo, 3 Alentejo 1 estrangeiro.


4.Concluindo

Neste nº de Setembro, comparando as 2 revistas, é de referir:

.A RV tem mais páginas úteis (121 contra 47 da GE)

.A RV tem também mais artigos/reportagens e novidades e, também uma equipa mais diversificada, embora com uma maior insidência de escritos saídos da pena do crítico José João Santos.

.A GE está demasiado centrada em 2 jornalistas (Luis Lopes e Mariana Lopes), estranhando-se a ausência do João Paulo Martins, João Afonso e Nuno Garcia, em artigos de fundo.

.A RV apresenta mais vinhos provados (211 contra 127 da GE), embora tenha beneficiado da prova de Porto Vintage 2018 (45 vinhos).

.A RV não só esteve mais atenta à critica de restaurantes, como dedicou 2 páginas à cerveja artesanal Letra. A GE ignorou qualquer destes pontos, uma lacuna a corrigir no futuro.