terça-feira, 29 de setembro de 2020

As revistas especializadas - nº de Setembro (1ª parte)

 1.Preâmbulo

Confesso que tinha algumas idéias erradas, ou mesmo preconceitos, em relação às revistas especializadas no mundo vínico que se publicam em Portugal, nomeadamente a Grandes Escolhas (que compro regularmente) ou a nova Revista de Vinhos (de que sou leitor intermitente).

Para desfazer dúvidas e aclarar as idéias quanto a estas 2 revistas especializadas, inicio hoje uma análise objectiva e factual dos seus conteúdos, que tenciono continuar durante mais alguns meses.

E, como diria o outro, prognósticos só no final do jogo...


2.Grandes Escolhas (GE)

Começo por esta que é a "minha" revista há séculos e quando ainda se chamava Revista de Vinhos. Mais, ainda em finais dos anos oitenta, princípios dos anos noventa do século passado, eu era já um "militante" das coisas do vinho, não falhando um jantar organizado por esta revista. E, pouco a pouco, fui conhecendo os críticos, os enólogos e os produtores de vinhos, alguns já desaparecidos, o que nos ajudou (ao Juca e a mim) a arrancar com o projecto das Coisas do Arco do Vinho, em Setembro de 1996.

Depois desta introdução, vamos a factos quanto ao nº de Setembro, o primeiro em análise:

A.80 páginas, sendo 33 de publicidade, logo apenas 47 úteis (58,8 % do total)

B.4 artigos/reportagens

..Taboadella, o Dão ao jeito Amorim (Mariana Lopes)

..Gaivosa multiflex (Luis Lopes)

..Aveleda, o futuro constrói-se na vinha (Luis Lopes)

..Leonor Freitas : "O vinho não é para quem o faz, é para o consumidor" (Mariana Lopes)

C.2 "lançamentos"

.Costa Boal/Flor do Côa (Mariana Lopes)

.Paulo Laureano (Luis Lopes)

D.Crítica de restaurantes - 0

E.Cervejas artesanais - 0 

F.127 vinhos provados, sendo 12 com notas de 18 ou mais

.Qtª do Crasto Vinha da Ponte 2016 - 19,5

.Vinha do Lordelo 2016 - 19

.Qtª da Leda 2017 - 18,5

.Taboadella Grande Villae 2018 - 18,5

.Qtª da Gaivosa 2017 - 18,5

.Qtª do Isaac 2015 - 18

.Somnium 2018 branco - 18

.Terras do Grifo Grande Reserva 2016 - 18

.Taboadella Grande Villae 2018 branco - 18

.Aveleda Parcela do Roseiral 2018 branco - 18

.Qtª dos Muros Vintage 2018 - 18

.Qtª da Gaivosa Vintage 2018 - 18

Destes 12 eleitos, 7 são tintos, 3 brancos e 2 fortificados

Por regiões e tipo de vinho, temos 7 Douro, 2 Porto, 2 Dão e 1 Minho.

continua...


quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Mais 2 espaços de restauração visitados : Petiscaria Sardine e Suba

 1.Petiscaria Sardine - 2,5 *

Embalado com tantos elogios e conhecedor de alguns restaurantes que trabalham bem as conservas, tive uma grande decepção nesta Petiscaria Sardine (Av. Conde Valbom, 84 C) que nem sequer tem cozinha!

Começa por ser um espaço mínimo, com uma agradável esplanada exterior, embora poiso de pombos algo atrevidos. Mas com chuva ou frio como vai ser? Mistérios...

Serviço simpático e de acordo com as regras da DGS, com direito a uma bolsa de papel com os talheres e guardanapo de pano! Contradições...

A ementa está reduzida às conservas, tendo optado pelos filetes de cavala em molho de mostarda, uma delícia.

Para a mesa veio uma grande tábua de madeira com a referida lata, ainda por abrir, muito pão, manteiga de pacote, azeite, azeitonas e um queijo de Azeitão, ou seja, uma over dose de gordura. À parte, uma saborosa salada.

A acompanhar e porque me pareceu que a componente vínica era fraca, avançou uma cerveja artesanal, a Trindade Fénix American Wheat, a merecer nota 4 (em 5).

No final uma ginjinha, simpática oferta da casa, e um desconto de 30 %, por ter reservado através da plataforma Fork. 


2.Suba - 4,5 *

O Suba é um espaço requintado que fica no topo do Hotel Verride - Palácio de Santa Catarina, localizado no nº 1 da Rua de Santa Catarina. Mais, a vista sobre o Tejo e parte da cidade é espectacular.

Disponibiliza 3 menus do chefe (50, 80 e 110 €) e 1 menu executivo (25 €), para além da lista normal.

Escolhi:

.A sopa de peixe

.O salmonete

.A esfera de chocolate

Pratos todos muito bem apresentados e de muita qualidade, com a sobremesa a merecer um prémio especial. Antes foi servido um amuse bouche, oferta da casa. 

Serviço de acordo com as regras da DGS, simpático e muito profissional.

Quanto à componente vínica, a existência de um escanção é uma mais valia. Lista alargada, bem seleccionada, com uma belíssima oferta de vinho a copo. Ainda não aderiram à cerveja artesanal e os anos de colheita dos vinho estão omissos, o que se lamenta.

Optei por um copo de Qtª da Garrida Encruzado 2017 - austero, alguma acidez, notas gordas, algum volume e final de boca. Muito gastronómico. Nota 16,5+.

A garrafa veio à mesa e dada a provar num copo Schott para branco (a pedido foi trocado por um copo para tinto) e servida uma quantidade generosa.

No final, o café foi tomado no terraço, ao ar livre.

Uma grande e inesperada jornada, com o chefe Fábio Alves a merecer uma estrela.

A conta final foi amenizada com um desconto de 25 €, proveniente dos meus pontos acumulados na plataforma The Fork.

terça-feira, 22 de setembro de 2020

A minha biblioteca vínica (XVII) : balanço final (2ª parte)

 continuando...


AUTORES ESTRANGEIROS (29)

.Autores Estrangeiros generalistas  -  6 (crónica "A minha biblioteca vínica" IX)

.Autores Estrangeiros sobre Portugal  -  5 (idem X)

.Rychard Mayson  -  2 (idem XI)

.Émile Peynaud  -  4 (idem XII)

.Hugh Johnson  -  4 (idem XIII)

.Jancis Robinson  -  2 (idem XIV)

.Outros  -  2 (XV)

.Outros não técnicos  -  4 (XVI) 


3.Destino a dar a esta biblioteca

Estou sensibilizado para doar a minha biblioteca vínica a alguma entidade que se dedique a formar enólogos e/ou escanções.

Isto pode interessar a quem? Ao ISA? A Escolas de Hotelaria? 

Aceitam-se sugestões e palpites... 

No entanto, esta doação só acontecerá quando o "enófilo militante" encerrar, o que há-de acontecer um dia.


sábado, 19 de setembro de 2020

Curtas (CXXIV) : Mesa Portuguesa, The Fork e Vinhos a Descobrir

 1.Mesa Portuguesa

Com o 21º episódio, dedicado ao chefe Luis Pestana, a trabalhar no restaurante estrelado Wlliam (Funchal), chegou ao fim esta interessante série intitulada "Mesa Portuguesa...Com estrela".

Só para ver as relíquias da Blandy, encarceradas num amplo cofre forte, vale a pena. Passou no Canal 1, na passada 3ª feira, e ainda pode ser visto.


2.The Fork

Esta plataforma lançou no passado dia 17 o programa "O Regresso aos Restaurantes" que pode ser aproveitado até ao dia 17 de Novembro. É um imperdível desconto de 50 % (excepto bebidas) que pode ser utilizado em cerca de 175 restaurantes aderentes, em Lisboa e arredores (o restante país também está coberto).

Nesse universo estão o Ânfora - Palácio do Governador, Arola (Penha Longa), Pap'Açorda, O Nobre, Akla, Osso Bento (ex - Talho da Esquina), Sem Dúvida, Palácio Chiado, Saraiva's, Varanda Azul e Espaço Espelho d'Água.

Necessária marcação prévia no site do The Fork.


3.Vinhos a Descobrir

A 3ª edição deste evento realiza-se no Mercado Ferreira Borges (Porto) dias 26 e 27 deste mês, entre as 15h30 e as 21h30.

É uma mostra e feira de vinhos e produtos gourmet, a não perder por quem resida em terras nortenhas.

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

A minha biblioteca vínica (XVII) : balanço final (1ª parte)

 1."Agricultura das Vinhas", o último livro

Afinal ainda havia um livro não referido por mim, por mero lapso. Trata-se de "Agricultura das Vinhas" de Vicencio Alarte, cuja 1ª edição foi lançada em 1712.

Segundo uma pequena brochura editada pela Academia do Vinho da Bairrada em 1998, esta refere na sua introdução que "Entendeu a Academia do Vinho da Bairrada promover uma edição fac-similada dum exemplar da 1ª edição (1712) do livro Agricultura das Vinhas de Vicêncio Alarte, considerada a primeira obra impressa em português, exclusivamente dedicada à temática da vitivinicultura. (...)".

Resta acrescentar que este exemplar da minha biblioteca foi uma simpática oferta às Coisas do Arco do Vinho, por parte do produtor Carlos Campolargo, na altura fazendo parte da Academia do Vinho da Bairrada.


2.Balanço final

São 115 os livros da minha biblioteca vínica, sendo 50 os Guias e 65 os restantes que foram sendo referidos ao longo de 16 crónicas, a saber:


GUIAS (crónica "A minha biblioteca vínica" I e II)

.Guias da Comporta  -  5 

.Roteiros do José Salvador  -  18

.Guias do João Paulo Martins  -  21

.Outros Guias  -  6


AUTORES NACIONAIS

.José António Salvador  -  9 (crónica III, e parte)

.João Paulo Martins  -  6, sendo 2 em parceria (idem IV)

.Maria João Almeida  -  3, sendo 1 em parceria (idem V)

.Ceferino Carrera  -  2 (idem VI)

.Ana Sofia Fonseca  -  2 (idem VI)

.Virgílio Loureiro  -  2 (idem VII)

.João Afonso  -  1 (idem VII)

.Outros  -  11 (idem VIII)



terça-feira, 15 de setembro de 2020

Mais 2 espaços de restauração visitados : Lisbon Wine House e MISC

1.Lisbon Wine House - 4 *
Já aqui referido em "Wine House - 3,5 *" continua a ser uma das melhores relações preço/qualidade na Baixa de Lisboa. Por 11,50 € (almoço de 2ª a 6ª feira) tem-se direito ao couvert, prato principal, sobremesa, café e um copo de vinho ou cerveja. E, por vezes, quando o chefe está bem disposto, ainda vem para a mesa uma entrada, oferta da casa. O que se pode pedir mais?
Numa das últimas visitas, a uma quinta feira, o almoço foi um fabuloso arroz de gambas com arroz de tomate, para mim o melhor prato da semana. O serviço, sempre eficiente e simpático, decorreu de acordo com as regras da DGS.
Bebeu-se, a copo, o branco Qtª das Cerejeiras 2018 - com base nas castas Arinto, Vital e Fernão Pires; muito frutado e fresco, equilibrio acidez/gordura, volume e final de boca médios. Gastronómico. Nota 16,5.
Foi servido em bons copos italianos, mas lamentavelmente não dado a provar. O serviço de vinhos continua errático, dependendo do profissionalismo de cada empregado. Já nas visitas posteriores, o vinho foi sempre dado aprovar.
Música de fundo deliciosa e com um volume aceitável.

2.MISC by Tartar-ia - 4 *
Este espaço que não conhecia fica na Rua da Boavista, 12-14. Despertaram-me o interesse os elogios publicados na Fugas e na Time Out.
Sala pequena com poucas mesas e alguns lugares ao balcão. Nessa visita, ao almoço de um dia de semana, só estávamos 2 pessoas, o que não impediu que todo o serviço cumprisse as regras da DGS.
Não havia ementa em papel, apenas no espelho. Quanto à lista de vinhos apenas está na cabeça da empregada que a debitou a pedido! São os 2 únicos pontos fracos deste novo espaço.
Partilhei uns bons croquetes e comi um delicioso arroz de lingueirão.
Bebemos, a copo, o branco Manoella 2018 - nariz fechado, algum citrino e fruta de caroço, acidez e notas amanteigadas, volume e final de boca médios. Nota 16,5.
A garrafa veio à mesa e dada a provar num copo Riedel, um luxo!
Serviço eficiente e profissional.

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

À volta da cerveja artesanal (XIV)

1.Mais provas
Provadas mais 7 cervejas artesanais e 2 semi-artesanais, em casa e em espaços de restauração, classificadas de 1 a 5. E ela foram:
Com 5
.Letra D (Vila Verde) (notas 4,5 e 5 noutras 2 situações)
.Imp5Rio (parceria Dois Corvos/Letra) com estágio em barricas de Moscatel da Qtª do Portal, 10º de álcool e prazo de validade de 23 anos! (nota 5 noutras 3 situações)
Com 4,5
.8ª Colina Sabino Triple IPA (Lisboa) com 11º de álcool
.Dois Corvos Power of Three Barrel Aged (Lisboa) envelhecida em barricas de Porto e Whiskey e com 10,1º de álcool (4,5+ noutra situação)
.Companhia das Caricas Saudade IPA (Loures)
.1927 Bengal Amber IPA (notas de 4 a 4,5 em 7 outras ocasiões)
Com 4
.Grande Birra Birrenta Saison Lager (Gaia?) com a participação do Dirk Niepoort
.Bohemia Original (notas de 3,5 a 4 em 3 outras situações)
Com 3,5
.Sovina IPA (Porto)

2.Tap House - 3,5 *
A Tap House é um espaço de restauração muito bem situado na Fortaleza de Santiago, em Sesimbra, e detentora da marca ABC que deixou de engarrafar as suas cervejas artesanais e tem o exclusivo de venda à pressão, o que não se entende de todo. Quem a quiser provar/beber tem de se deslocar a Sesimbra!
Recentemente tive a oportunidade de provar 2 das suas 7 artesanais:
.Tritão Laranja Flashy IPA - 4,5
.Falcão Cinzento Hunter Pale Ale - 3,5

terça-feira, 8 de setembro de 2020

Grupo FJF (17ª sessão) : o regresso

Após quase 6 meses de inactividade, por força do Covid-19, este grupo de enófilos militantes (Frederico, João e Francisco) reuniu no restaurante Sessenta à volta de 3 vinhos levados pelo João Quintela. E eles foram:
.Dão Alvaro de Castro Reserva 2014 branco - com base nas castas Encruzado e Sercial, estagiou 14 meses em cascos de carvalho francês; frutado com notas cítricas e tropicais, belíssima acidez, notas amanteigadas, algum volume e final de boca (13 % vol.). Algo complexo e muito gastronómico, ainda tem muitos anos pela frente. Nota 17,5+.
.Lacrau 2014 branco - enologia de Rui Cunha; com base em vinhas velhas, estagiou 15 meses em barricas; fruta de caroço, acidez nos mínimos, notas amanteigadas, algum volume e final de boca curto (13,5 % vol.). Esperava mais deste vinho (falta-lhe alma!). Nota 16,5.
Estes 2 brancos acompanharam:
.o couvert (pão, azeite, azeitonas e queijo)
.as entradas que vinham num original recipiente individual (peixinhos da horta, salada de coelho e ceviche de atum)
.filetes de peixe galo e risotto de limão
.tosta de queijo Niza com mel e orégãos
Finalmente, a harmonizar com crumble de maçã e gelado de natas:
.Henriques & Henriques Terrantez 20 Anos - 95 pontos na Decanter; notas de tangerina, presença de frutos secos, iodo, alguma acidez, volume e final de boca. Dada a falta do tradicional vinagrinho, provado às cegas este fortificado não me pareceu Madeira. Ia mais para um tawny velho. Nota 17,5.
Quanto ao restaurante, tudo o que veio para a mesa tinha qualidade, mas era muito barulhento (a dificultar a necessária concentração dos provadores) e o serviço de vinhos praticamente não existiu (o trabalho foi todo do João).
De qualquer modo foi uma boa sessão de convívio, comeres e beberes. Obrigado, João!