quinta-feira, 28 de dezembro de 2023

FJF (37ª sessão) : mais um branco surpreendente

 Voltei a escolher o Lugar Marcado pelas razões expostas na minha última crónica e que se confirmaram nesta última sessão (gastronomia e serviço de vinhos de 5*).

Como habitualmente começámos com a prova de 3 azeites (notas de 1 a 5):

.Plantel Selecta - 4,5

.Quinta Seara d' Ordens Selection - 5

.Principal Vintage - 5


Os vinhos da minha garrafeira foram todos provados às cegas, a saber:

.Centenariae Vineae Vinha do Canez branco (lote de 3 colheitas) * - 96 pontos na Revista de Vinhos; aroma intenso, cítrico e mineral, acidez vibrante, algo amanteigado, bem estruturado e final de boca longo (13,5 % vol.). Complexo e harmonioso, uma grande surpresa vinda do Dão e completamente desconhecido para mim. Nota 18,5.

Este branco harmonizou com as entradas (chamuças de bacalhau e croquetes de carne), camarões panados e filetes de peixe galo.


.Centenariae Vineae Vinha do Canez 2013 (garrafa nº 148/2130) - com base em vinhas velhas, estagiou 9 meses em inox; nariz discreto, ainda com fruta vermelha, alguma acidez e especiarias, taninos demasiado civilizados, volume e final de boca médios (13,5 % vol.). Fresco e elegante, mas algo "light". Nota 17,5.

Este tinto maridou com uma presa de porco preto.


.Barbeito Boal 2005 (garrafa nº 1265/1300) - aroma intenso, presença de frutos secos, iodo e caril, boa acidez, notas especiadas, bom volume e final de boca extenso. Nota 18+.

Este fortificado acompanhou tarte de amendoim e rabanadas.


Mais uma boa sessão de convívio, comeres e beberes.


* - Contactei o produtor no sentido de saber, em relação ao branco, quantidade de garrafas produzidas, que colheitas entraram no lote e que estágio teve. Lamentavelmente não tive qualquer resposta.

sábado, 23 de dezembro de 2023

Grupo dos 3 (88ª sessão) : 1 branco e 1 tinto pouco alentejanos

 Esta última sessão foi da minha responsabilidade, tendo escolhido mais uma vez o Lugar Marcado onde sempre tive boas experiências. Nos tachos a Sandra continua inspiradíssima e na sala a Fátima pratica um serviço de vinhos de 5 *. Na mesa bons copos Shott. O habitual...


Começamos com a habitual prova de azeites:

.Quinta Salvante Premium - 3,5

.Quinta do Noval Centenário - 5

.Principal Vintage - 4,5


Os vinhos eram da minha garrafeira e foram provados às cegas. E eles eram:

.Gloria Reynolds 2019 branco (garrafa nº 1186/2000) - com base na casta Antão Vaz, estagiou 8 meses em barricas novas de carvalho francês e mais 6 na garrafa antes de vir para o mercado ; presença de citrinos e fruta de caroço, equilibrio acidez/gordura, algum volume e final de boca longo (12,5 %). Perfil pouco alentejano, algum acomplexidade e muito gastronómico. Nota 18.

Este branco harmonizou com as entradas (chamuças de bacalhau e croquetes de carne), lulas à algarvia e caril de camarão.


.Gloria Reynolds Grande Reserva 2014 (garrafa nº 10714/29000) - com base nas castas Alicante Bouschet (40 %), Touriga Nacional (40 %) e Syrah (20 %), estagiou 12 meses em barrica e mais 24 em garrafa; ainda com fruta vermelha, alguma acidez e especiarias, taninos civilizados, bem estruturado e final de boca persistente (13,5 % vol.). Um alentejano fesco e elegante, a beber nos próximos 5/6 anos. Nota 18.

Este tinto maridou com o caril e cachaço de porco preto.


.Blandy's Malvasia 20 Anos (engarrafado em 2021) - 96 pontos na Decanter e 92 na Wine Enthusiast;  presença de frutos secos, notas de iodo e caril, alguma acidez, bem estruturado e final de boca interminável. Complexo e nada enjoativo. Nota 18,5+.

Este Madeira acompanhou bolo rançoso e gelado de laranja.


Mais uma boa sessão de convívio, comeres e beberes.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

Canalha e outros espaços de restauração

 1.Canalha - 4,5 *


Aberto há pouco tempo mas já muito badalado, este novo restaurante do credenciado chefe João Rodrigues fica na Rua da Junqueira, bem próximo do MAAT. Ele ainda anda por lá, mas em breve os tachos ficarão à responsabilidade da chefe Livia Orofino que também veio do Feitoria.

Sala pequena, balcão com alguns lugares, mesas quase em cima umas das outras e despojadas, com tampos de pedra, guardanapos de papel resistente e copos muito bons.


Na ementa constam:

.19 entradas (de 2,80 a 29,50 €)

.carnes, peixes e mariscos sob consulta

.6 sobremesas (4 e 5 €)

Partilhámos (estava tudo de subir aos céus):

.queijo de cabra

.tortilha aberta de camarão e cebola

.cogumelos selvagens, gema e papada de porco

.marmelo assado com gelado de nata

Tem ainda 2 pratos do dia a 12 €, uma louvável decisão para quem não queira gastar muito ou esteja com pressa.



Quanto à componente vínica, inventariei:

.5 champanhes e 5 espumantes, dos quais 7 são estrangeiros (nenhum espumante de Távora-Varosa!?)

.26 brancos (4 a copo), dos quais 9 estrangeiros (nenhum Alvarinho de Monção-Melgaço!?) 

.4 rosés (2 a copo), dos quais 2 estrangeiros

.26 tintos (4 a copo), dos quais 9 estrangeiros

.6 fortificados (2 Porto, 3 Madeira e 1 Moscatel)

Escolhas interessantes e nada óbvias, mas excesso de vinhos estrangeiros (cerca de 40% do total) o que não faz sentido, pois há que apostar nas nossas castas e nos nossos vinhos.

Os tintos, segundo me informaram, estão com temperaturas controladas.

A arrumação da carta de vinhos é um enigma que ninguém me conseguiu explicar (nem por Regiões, nem por preços, nem por ordem alfabética, uma confusão...).


Optei por um copo do branco Quinta das Bageiras 2022 (5 €) que cumpriu a sua missão, mas sem ficar na memória (nota 16,5).

A garrafa veio à mesa, mas não foi dada a provar. Uma falha.


Serviço profissional e simpático, embora com alguns deslizes.


No final é que o Canalha fez uma "canalhice" e borrou a pintura, ao incluir a malfadada e ofensiva gratificação, embora não obrigatória. Uma moda que veio dos EUA que é uma pressão psicológica sobre o cliente.


Enquanto isto se mantiver, não voltarei ao Canalha, apesar de ter gostado muito da sua cozinha. Uma pena...


2.Outros espaços, classificados de 1 a 5 *


Com 5

.Guelra

.Lugar Marcado

.RE' Tasco

.Via Graça

Com 4,5

.Belém 2 a 8

.Elevador (Hotel Sa nta Justa)

.Relento

.Sauvage

.Sauvage CCB

.Taverna dos Trovadores (S. Pedro de Sintra)

.Zambeze

Com 4

.Bastardo

.Belmiro

.Favas

.O Crôa (Praia Grande)

.O Rio

.Ouro (Hotel Story Ouro)

Com 3,5

.Cervejaria Atlântida

quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

Grupo ad-hoc (8ª sessão)

 Este grupo de enófilos voltou a reunir no Belmiro. Boa comida de tacho e bons copos Schott na mesa. Sala ruidosa e TV acesa embora sem som, a dificultar a necessária concentração na prova dos vinhos às cegas.

Desfilaram:


.Soalheiro Alvarinho Reserva 2014 magnum (garrafa levada pelo J. Rosa) - 92 pontos no Parker e na Wine Enthusiast e 90 na Wine Spectator; com base na casta Alvarinho (100 %), estagiou em barricas novas e usadas de carvalho francês; oxidação nobre, fruta de caroço, notas tropicais e amanteigadas, alguma acidez e doçura, bem estruturado e final de boca longo (13 % vol.). Algo pesado e muito gastronómico. Primeiro estranha-se e depois entranha-se, lá dizia o outro. Nota 18.


.Anselmo Mendes Parcela Única 2017 (levada pelo J. Rosa) - com base na casta Alvarinho (100 %), estagiou 9 meses em barricas novas de carvalho francês e mais 12 em garrafa; presença de citrinos e fruta de caroço, notas tropicais, acidez q.b., algum amanteigado, volume e final de boca (13 % vol.). Correcto, mas sem apaixonar. Alguma desilusão. Nota 17.

Estes 2 brancos acompanharam uma série de entradas (queijo fresco, empadas, cogumelos, ovos mexidos e favinhas).


.Pai Abel  2015 (levada pelo Arménio) - com base nas castas Baga (80%) e Touriga Nacional (20%), estagiou 12 meses em barricas usadas de carvalho francês; ainda com fruta preta, alguma acidez, notas especiadas, taninos bem presentes, volume e final de boca de respeito (14 % vol.). Complexo, harmonioso e gastronómico, a consumir até 8 a 10 anos. Nota 18,5.


.Rreal Companhia Velha Séries Cornifesto 2015 (1 das 1200 trazida pelo João) - com base na casta Cornifesto (uma raridade), estagiou 12 meses em barricas usadas de carvalho francês; ainda com fruta vermelha, alguma acidez, notas especiadas, taninos de veludo, algum volume e final de boca (14,5 % vol.). Discreto, mas muito elegante e fresco, a consumir até 5/6 anos. Uma curiosidade. Nota 18.

Estes 2 tintos harmonizaram com um galo assado e arroz de miúdos.


.Porto Messias 40 Anos (engarrafada em 2019, levada por mim) - 93 pontos no Parker; aromas terciários, presença de frutos secos, mel e citrinos, acidez no ponto, volume notável e final de boca extenso. Complexo e equilibrado. Nota 18,5.

Acompanhou doçaria conventual.


Mais uma boa sessão de convívio, comres e beberes. Obrigado a todos!

quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

Vinhos em família (CXLVIII) e não só

1.Provados em casa 

Provados mais 4 vinhos (1 branco, 2 tintos e 1 fortificado) com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega. E mais alguns bebidos em espaços de restauração e sem notas de prova. 

E eles foram:


.Kompassus Cercial 2018 (1 das 700 garrafas) - enologia de Anselmo Mendes e João Póvoa; com base na casta Cercial (100 %); cítrico e mineral, acidez vibrante, ligeiras notas amanteigadas, algum volume e final de boca de registar (12,5 % vol.). Complexo e gastronómico. Nota 18. 


.Quinta do Espinho Grande Reserva 2015 (garrafa nº 3492/4000) - enologia de Jean-Hugues Gros; com base nas castas Touriga Franca, Touriga Nacional e Tinta Roriz, estagiou 12 meses em cascos de carvalho de 500 litros; nariz contido, ainda com fruta preta, acidez q.b., notas especiadas, taninos presentes, algum volume e final de boca longo (14 % vol.). Elegante e equilibrado, a beber nos próximos 7/8 anos. Nota 18.


.Dona Maria Grande Reserva 2015 - 95 pontos no Parker, 94 na Wine Enthusiast e 91 na Wine Spectator; enologia de Sandra Gonçalves; com base nas castas Alicante Bouschet, Touriga Nacional, Petit Verdot e Syrah em vinhas velhas, estagiou 12 meses em barricas novas de carvalho francês; nariz exuberante, ainda com fruta vermelha, acidez no ponto, especiado, chocolate preto evidente, taninos redondos, boa estrutura e final de boca persistente (14,5 % vol.). Guloso e gastronómico, a beber nos próximos 5/6 anos. Nota 18,5.


.Dow's 20 Anos (engarrafado em 2022) - 94 pontos na Decanter, 93 na Wine Spectator e na Wine Enthusiast e 91 no Parker; enologia de David Guimaraens; presença de frutios secos, algum mel e caramelo, acidez bem presente, algum volume e final de boca bem extenso e seco. Um bom tawny para fechar uma refeição. Nota 18.


2.Bebidos em espaços de restauração (todos brancos)

Com 17,5

.Adega 23 Síria 2020

Com 17

.Beyra 2022

.Cambio Grande Escolha 2021

.Lagoalva 2022

.Sílica 2021

Com 16,5

.Adega Mãe Pinta Negra 2022

.Encostas do Bairro 2022

.Sensato 2022

Com 15,5

.Rafeiro 2022

terça-feira, 5 de dezembro de 2023

Novembro 2015 : o que aconteceu aqui há 8 anos

 Das 12 crónicas publicadas no decorrer de Novembro 2015, destaco estas 3:


."Jantar de Vinhos João Brito e Cunha"

Recordando um jantar vínico organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas que decorreu no Hotel Real Palácio, com a presença do produtor e enólogo João Brito e Cunha.

Destaque para o Quinta se São José Reserva 2013.


."Grupo dos 3 (47ª sessão) : Robustos e Bastardinho em alta"

Recordando um almoço deste grupo de enófilos militantes, organizado pelo João Quintela com vinhos da sua garrafeira, tendo decorrido no restaurante principal do El Corte Inglês.

Nota alta para o Robustus 2005 (18,5+) e o Bastardinho 30 Anos (18,5).


."Jantar de Vinhos Herdade das Servas : a qualidade em duplicado (vinhos e comida)"

Recordando o 45º jantar vínico organizado pela Néctar das Avenidas que decorreu no Via Graça, com vinhos e a presença do enólogo da Herdade das Servas, Tiago Garcia de seu nome.

Destaque para o Herdade das Servas Vinhas Velhas Reserva 2012.