Este grupo de enófilos privilegiados voltou a reunir, passados alguns meses (a última sessão foi em Novembro 2022). O anfitrião foi o Frederico que escolheu o restaurante Casa da Dízima (um dos meus Tops) e pôs à prova vinhos da sua garrafeira (1 espumante, 1 champanhe, 2 brancos, 4 tintos, 1 Porto e 1 Madeira). Gastronomia à altura dos acontecimentos, copos Schott na mesa (110 copos!) e serviço de vinhos 5 * por parte do Pedro Batista.
Desfilaram:
.Espumante Caves São João 100 Anos de História 2015
.Champagne André Robert Les Vignes de Montigny 2017
Estes 2 vinhos de borbulhas (heresia das heresias, eu gostei mais do espumante) acompanharam uma série de tapas. Uma boa introdução.
.Maritávora Reserva 2008 (1 das 2850 garrafas) - com base nas castas Códega do Larinho, Rabigato e Viosinho em vinhas velhas, estagiou 6 meses em barricas novas de carvalho francês; presença de citrinos e fruta de caroço, equilibrio acidez/gordura, algum volume e final de boca apreciável (12,5 % vol.). Fresco, gastronómico e ainda longe da reforma. Nota 18.
.Dona Berta Vinha Centenária Reserva 2010 - com base nas mesmas castas, ainda com acidez, mas muito mais evoluido que o anterior (14 % vol.). Gastronómico, mas já na curva descendente. Nota 17.
Estes 2 brancos harmonizaram com filetes de povo e arroz de ameijoas.
.Quinta da Touriga Chã 2012 - com base nas castas Touriga Nacional (85 %) e Tinta Roriz (15 %), estagiou 15 meses em barricas novas de carvalho francês; ainda com fruta vermelha e acidez, especiado, taninos bem presentes, algum volume e final de boca (14,5 % vol.). Harmonioso e elegante, mas o elo mais fraco deste quarteto de luxo. Nota 18 (mesmo assim).
.Chryseia 2012 - 95 pontos na Wine Enthusiast e na Decanter; com base nas castas Touriga Nacional (72 %) e Touriga Franca (28 %), estagiou 15 meses em barricas de carvalho francês; ainda com fruta e acidez, notas especiadas, taninos de veludo, volume e final de boca notáveis (14 % vol.). Elegante e muito equilibrado. Nota 18,5.
.Quinta Vale Meão 2012 - 97 na Wine Enthusiast, 95 na Decanter e 94 no Parker; com base nas castas Touriga Nacional (58 %), Touriga Franca (35 %), Tinta Barroca (5 %) e Tinta Roriz (2 %), estagiou 16 a 18 meses em barricas de madeira (50 % novas); ainda com fruta e acidez, taninos bem presentes, um toque especiado, volume e final de boca de respeito (14 % vol.). Muito complexo e elegante. Nota 18,5+.
.Pintas 2012 - 95 pontos na Wine Enthusiast e 92 na Wine Spectator e no Parker; com base em vinhas velhas, estagiou 20 meses em barricas de madeira; mais discreto que o anterior, mas ainda com fruta preta e acidez equilibrada, especiarias, taninos civilizados, volume e final de boca apreciáveis (14,5 % vol.). Sofisticado e harmonioso. Nota 18,5.
Estes 4 tintos maridaram com um medalhãio de vitela e puré de batata.
Kopke 50 Anos (engarrafado em 2022) - 98 pontos no Parker; frutos secos, notas de iodo e caril, acidez bem presente, volume apreciável e final de boca muito longo. Um grande tawny! Nota 19.
.PJL Boal 1880 - Frutos secos, notas de iodo e caril, vinagrinho, algum volume e final de boca interminável. Uma raridade e a Madeira no seu melhor! Nota 19,5.
Estes 2 fortificados acompanharam um folhado de maçã e gelado de avelã.
Mais uma grande sessão que vai ficar na memória de todos nós. Imodéstias à parte, não acredito que haja outros grupos de prova com acesso a um conjunto de vinhos como estes.
Obrigado Frederico!