sábado, 29 de agosto de 2020

Agosto 2012 : o que se passou aqui há 8 anos

Só costumo publicar estas crónicas sobre o que se passou há 8 anos, nos primeiros dias do mês seguinte. A de hoje é uma excepção, atendendo que na próxima semana este blogue estará de férias e o responsável longe do computador.

Das 13 mensagens publicadas no decorrer de Agosto 2012, destaco estas 2:

."Roubos e distracções"
Lembrando alguns casos passados com amigos do alheio que, clientes ou não, frequentavam as Coisas do Arco do Vinho.

."Vinhos em família (XXXV)"
Não costumo destacar este tipo de crónicas em que relato e classifico os vinhos que provo/bebo em família, com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega.
Mas não resisto a esta, onde consta a prova de uma garrafa (a nº 1900) de Barca Velha 2004 que classifiquei com 19!

terça-feira, 25 de agosto de 2020

Vinhos em família (CX) : brancos, mais uma vez

Mais uma série de 4 brancos, todos recomendáveis, provados em família e com os rótulos à vista, sem a pressão da prova cega.
E eles foram:

.Titan of Douro Vale dos Mil 2016 (garrafa nº 534/1600) - produção e enologia de Luis Leocádio (considerado pela Revista de Vinhos o Enólogo Revelação do Ano 2018); com base em vinhas velhas a uma altitude de 750/800 metros, estagiou 16 meses em barricas de carvalho francês; alguma evolução na cor, presença de citrinos, maçã e fruta de caroço, equilibrio acidez/gordura, volume considerável e final de boca longo (13,5 % vol.). Gastronómico e complexo, uma grande surpresa. Nota 18.

.Casa de Santar Vinha dos Amores Encruzado 2016 - com base na casta Encruzado (100 %), estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês e 6 na garrafa; alguma fruta de caroço, notas florais bem marcadas, alguma acidez e notas amanteigadas, volume e final de boca assinaláveis (13,5 % vol.). Envolvente e harmonioso. Nota 17,5+.

.Qtª Bageiras Pai Abel 2016 - 18,5 na Grandes Escolhas; com base nas castas Bical e Maria Gomes, estagiou em barricas usadas de carvalho francês; cítrico, fresco e mineral, acidez vibrante, algum amanteigado, volume e final de boca acima da média (13,5 % vol.). Austero e gastronómico. Nota 17,5.

.Somnium 2017 - enologia de Joana Pinhão e Rui Freire; com base em vinhas velhas de cerca de 70 anos, estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês usadas e mais 12 em inox; exuberante, presença de citrinos e fruta de caroço, equilibrio acidez/gordura, volume e final de boca acentuados (13,5 % vol.). Complexo e gastronómico, está uns furos acima das colheitas anteriores. Nota 18.

domingo, 23 de agosto de 2020

Brancos : João Paulo Martins (JPM) dixit...

A crónica habitual do JPM na revista do Expresso de que sou um leitor atento, na edição de ontem, é dedicada aos brancos e rosés criticando a pressa dos consumidores em beber a última colheita. O título da crónica "Não é de 2019? Já não quero!" diz tudo. Eu também estou nessa onda, mas vou mais longe.
Enquanto o JPM seleccionou, para ilustrar o artigo, brancos de 2017, 2018 e 2019 (?), eu, por exemplo no almoço de hoje em família, vou por na mesa 2 brancos de 2016 e 1 de 2017.
Mais, tenho na minha garrafeira para consumir oportunamente 15 brancos de 2017, 3 de 2016, 2 de 2015, 2 de 2014, 1 de 2000 (!) e 2 de lote com diversas colheitas antigas.
O conselho do JPM e também meu: não tenham pressa em beber os brancos, eles evoluem bem e dão maior prazer já com alguns anitos em cima. Ainda é fácil adquirir nas garrafeiras vinhos brancos de 2017 e colheitas anteriores.
Boas provas!

terça-feira, 18 de agosto de 2020

Revolução - 4,5 *

Declaração de interesses: sou sócio da Associação 25 de Abril (A25A), onde se situa este espaço de restauração (Rua da Misericórdia, 95 - 1º andar), desde a sua fundação. Mas este facto não me inibe de elogiar o que merecer, nem criticar o que está mal, no meu ponto de vista.
Os elogios a este restaurante Revolução, cujos principais responsáveis são o chefe Nuno Diniz (professor com obra publicada) e o Rodrigo Menezes (Academia Time Out) que apostaram na "Cozinha Popular de Portugal" , começaram com a crónica do Fortunato da Câmara, saída na revista do Expresso há cerca de 1 mês, quase exclusivamente concentrada na componente gastronómica. Mas a crítica de um restaurante não se deve esgotar nesta componente e há que olhar para as outras, nomeadamente a vínica, das quais o crítico quase nada diz.
O primeiro problema com este espaço é situar-se num 1º andar de um prédio em que a porta da rua está fechada. Eles bem puseram um cartaz na rua a anunciar a ementa e a dizer que é preciso tocar à campainha do restaurante. Mas isto é bem inibidor para um cliente comum que entraria se porta estivesse aberta mas, encontrando-a fechada, passa ao lado. Um problema a resolver pela A25A.
As mesas estão despojadas, de acordo com as orientações da DGS, só sendo colocados na mesa o prato para o couvert, os talheres, o guardanapo e, ainda, um invólucro de papel para se guardar a máscara (não vi isto em mais sítio nenhum).
A ementa, dentro de uma moldura com vidro (lavável, portanto) é curta, contemplando o couvert, 3 entradas, 3 peixes, 3 carnes, 2 queijos e 4 sobremesas. Das vezes que lá fui, além do couvert (pão, azeite e azeitonas) comi os "filetes de pescada da Inês (bons) e arroz de berbigão (belíssimo)" e noutra o "galo estufado (saboroso mas difícil de cortar) em vinho do Douro e arroz de forno".
Como mais valia e apostando nos produtos nacionais, a ementa menciona os fornecedores da flor de sal, do azeite, dos produtos hortícolas e do peixe, referindo ainda o 1º nome de todos os 11 elementos da equipa. Bingo!
Quanto à componente vínica, a lista é curta e nada óbvia, mas com algumas incongruências. Inventariei 6 brancos (1 a copo) e 6 tintos (1 a copo). Não têm cerveja artesanal e não me apercebi se havia vinhos fortificados. Os verdes (ou melhor, os vinhos da Região Vinhos Verdes) estão separados das outras regiões, o que não faz qualquer sentido. Mais, no Vinho Verde aparece um verde tinto, o que também não faz sentido, pois tirando alguns minhotos mais radicais ninguém bebe este tipo de vinho (desculpa do restaurante: o tinto era para acompanhar a lampreia. Mas a época da dita já acabou há meses!). Mais, nos brancos não se encontra nenhum exemplar das melhores castas portuguesas (Alvarinho, Arinto ou Encruzado). Um aspecto a rever.
Nas minhas visitas, bebi a copo:
.Zon Reserva 2017 branco (5 €, um exagero) - fresco, cítrico e mineral, mas sem corpo para aguentar tanta acidez. Nota 15,5.
.Vinha Paz 2017 tinto (6 €, outro exagero) - muito frutado, alguma acidez, ligeiramente especiado, taninos de veludo, volume e final de boca médios. Gastronómico. Nota 16,5.
Em qualquer das situações a garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar em bons copos Riedel (um luxo!) e a temperaturas controladas.
Serviço eficiente e profissional.
O restaurante está fechado para férias e reabre no dia 1 de Setembro.
Todos ao Revolução e não se inibam com a porta fechada!

domingo, 16 de agosto de 2020

A minha biblioteca vínica (XVI) : os últimos livros

A crónica de hoje é dedicada aos últimos livros da minha biblioteca que, não sendo técnicos, têm a haver com o mundo do vinho:

1."Mondovino" de Jonathan Nossiter com prefácio de Luis Pato (Sextante Editora, 2008) com 362 páginas
O autor, que no passado chegou a ser escanção, é um cineasta que, entre outras obras, exibiu em Cannes um filme com o mesmo nome.
Esta obra divide-se em 7 partes:
.História de duas garrafeiras (com 2 capítulos)
.O vinho (des)servido no restaurante (3 capítulos)
.De que falamos quando falamos de vinho? (4 capítulos)
.Pela Borgonha (4 capítulos)
.Regresso a Paris (4 capítulos)
.O gosto pelo autêntico (3 capítulos)
.Regresso ao Legrand (1 capítulo)

2."Dicionário Sentimental do Vinho" de Bernard Pivot (Casa das Letras, 2007) com 297 páginas
O autor tem dedicado a sua vida ao jornalismo literário, tendo sido responsável por um programa num canal televisivo francês.
Esta obra tem 108 entradas temáticas dedicadas ao vinho, sendo apenas uma relativa a Portugal (Vinho do Porto, claro!).

3."Um Hedonista na Adega" de Jay McInerney (Casa das Letras, 2008) com 287 páginas
O autor é um escritor e jornalista especializado em vinhos.
Esta obra divide-se em 8 partes:
.Preliminares (8 capítulos)
.Todo o vinho quer chegar a tinto (11 capítulos)
.Como impressionar o seu escanção (5 capítulos)
.Amantes, rufias e outros obcecados (11 capítulos)
.Engates caros (5 capítulos)
.Talhados para se encontrarem (4 capítulos)
.Garrafas únicas (4 capítulos)
.Espumantes e bebidas brancas (5 capítulos)

4."Erótica do Vinho" de Jean-Luc Henning (Campo das Letras, 2008) com 134 páginas
O autor é um professor de línguas, escritor e jornalista nas horas vagas.
Este livrinho, dividido em 30 pequenos capítulos, faz uma abordagem histórica, satírica e erótica ao mundo do vinho, ao longo de séculos.

terça-feira, 11 de agosto de 2020

Belém 2 a 8 mais uma vez revisitado - 4 *

Declaração de interesses: conheço há uma série de anos o dono deste restaurante que foi cliente das Coisas do Arco Vinho e militante dos jantares vínicos organizados por nós (o Juca e eu), mas este facto não me inibe de referir o que está bem neste espaço, nem o que é criticável.
Dos restaurantes que tenho frequentado, este é o que tem levado mais a sério as recomendações da DGS, chegando ao pomenor numa das visitas terem desinfectado os pratos e talheres um a um.
Na mesa apenas o toalhete que é, em simultâneo, o menu, todo ele uma obra de arte. Não há milagres, pois a autoria é do AACG - Atelier de Arquitectura Carlos Gonçalves, pertença do dono do 2 a 8.
No menu constam 20 Petiscos para Partilhar, 4 pratos de Peixe, 4 de Carne, 4 Tachinhos, 3 Vegetarianos, 4 Sobremesas e Covert (é gralha, pois devia ler-se Couvert).
Provei, em 2 visitas, pão com chouriço feito na casa, pastel de nata de bacalhau, pastéis de bacalhau com maionese, croquetes de vitela com mostarda, favinhas à algarvia e caril de camarão com abacaxi e arroz basmati. Tudo com grande qualidade e doses generosas.
Quanto à componente vínica, inventariei 14 brancos (com os vinhos da Região de Vinhos Verdes separada dos restantes, o que não faz sentido) (2 a copo), 3 rosés e 12 tintos (1 a copo). Tem, ainda, a Sugestão do Mês, com 4 brancos e 3 tintos. A selecção é original e está bem conseguida mas, lamentavelmente, é omissa quanto a anos de colheita.
Bebemos uma garrafa do branco Qtª da Escusa 2016 (Tejo), uma simpática oferta do dono que estava presente - com base nas castas Arinto (65 %) e Moscatel (35 %); com muita fruta e frescura, equilibrio acidez/gordura, volume e final de boca médios (12,5 % vol.). Muito agradável e gastronómico. Nota 16,5.
A garrafa foi mostrada e dada a provar num copo aceitável.
Serviço eficiente, despachado e profissional.

sábado, 8 de agosto de 2020

Vinhos em família (CIX) : ainda os brancos

E vão mais 4 brancos bebidos em família em tempo de desconfinamento, com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega. E eles foram:

.Qtª dos Roques Reserva 2015 - com base nas castas Encruzado (80 %), Malvasia, Bical, Cerceal Branco e Gouveio, estagiou parcialmente (apenas a Encruzado) 1 ano em barricas de carvalho francês; nariz austero, alguma evolução, fruta de caroço, equilibrio acidez/gordura, madeira ainda demasiado presente, algum volume e final de boca (12,5 % vol.). Nota 17.

.Casa das Gaeiras Reserva Vinhas Velhas 2016 (Òbidos) - com base na casta Vital; cor palha já com alguma evolução, presença de citrinos e fruta de caroço, equilibrio acidez/gordura, volume apreciável e final de boca persistente. Complexo e gastronómico (13 % vol.). Nota 17,5+.

.Qtª das Cerejeiras Grande Reserva 2017 (Óbidos) - com base nas castas  Chardonnay (50 %), Arinto (40 %) e Vital (10 %), estagiou 8 meses em barricas de carvalho francês e mais 4 em inox; presença de fruta de caroço e algum citrino, acidez acentuada, notas amanteigadas, volume médio e final de boca algo persistente (13 % vol.). Equilibrado e gastronómico. Nota 17,5.

.Mira do Ó Arinto 2017 (Bucelas) - nariz exuberante, muito fresco, cítrico e mineral, acidez no ponto, ligeiramente abaunilhado, algum volume e final de boca longo (13,5 % vol.). Uma boa surpresa vinda de Bucelas. Nota 17,5+.

terça-feira, 4 de agosto de 2020

Julho 2012 : o que aconteceu aqui há 8 anos

Das 14 crónicas publicadas no decorrer de Julho 2012, destaco estas 3, cada um a delas com um link para satisfazer a curiosidade dos mais interessados:

."Um dia com a Margarida Cabaço : São Rosas, senhores..."
Recordando uma visita ao Alentejo organizada pela Garrafeira Néctar das Avenidas, cujo tema foram os vinhos e as iguarias da Margarida Cabaço.
Passados estes anos, a produtora continua mas a restauradora já não, uma pena.

."Os anos do Raul"
Recordando o almoço de aniversário deste enófilo amigo que disponibilizou, da sua garrafeira:
. 1 branco
. 2 tintos
. 2 Madeira (nota alta para o Blandy Bual 1971 - 18,5+)
. 3 Porto Vintage

."Generosos do século XIX à prova em Porto Covo"
Recordando mais um almoço convívio do Grupo dos Madeiras, cujos anfitriões foram o casal Natalina e Modesto.
Entre outras iguarias vínicas, beberam-se 2 vinhos do século XIX, ainda cheios de saúde:
.Vinho Velho do Porto 1881
.Artur Barros e Sousa Boal 1880 P.J.L.

domingo, 2 de agosto de 2020

A minha biblioteca vínica (XV) : outros autores estrangeiros

Mais alguns livros de autores estrangeiros:

1."Wine Tasting" de Michael Broadbent (Simon & Schuster, 1990) com 160 páginas
O autor é outro conceituado crítico de vinhos britânico e Master Wine, com diversa obra publicada ao longo dos seus 92 anos (faleceu recentemente).
Dele apenas possuo este "Wine Tasting", em versão original, um livro de bolso organizado em 12 partes:
.The approach to tasting
.Origins of taste characteristics
.Main regional characteristics
.The senses of sight, smell and taste
.The elements of tasting
.How to organize a tasting
.How to record tasting notes
.The use of words
.How to taste - a practical recapitulation
.Tasting expertise
.From cellar to table
.Full glossary of tasting terms

2."O Essencial sobre a Prova" de Michael Schuster (Livros Cotovia, 2001) com 192 páginas
O autor, especializado em provas de vinhos, dirige uma escola nesta área.
Dele também apenas possuo este livro, organizado em 3 partes:
.Antes da garrafa (2 capítulos)
.Dentro da garrafa (4 capítulos)
.Dentro do copo (2 capítulos)