quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Grupo FJFJ (5ª sessão) : 1 Douro italiano e 1 Madeira de subir aos céus

Mais um encontro vínico destes F (Frederico e Francisco) e J (João e José) que decorreu no Magano, com a gastronomia e o serviço de vinhos a confirmar a excelência deste espaço de restauração.
Desfilaram:
.Quanta Terra 2011 (levado pelo Frederico) - com base nas castas Gouveio e Viosinho, estagiou 6 anos em barricas de carvalho francês; nariz contido, oxidação nobre, excelente acidez, gordura e complexidade, algum volume e final de boca. 14 % vol. Preço desajustado. Nota 17,5+.
Não ligou com as entradas habituais, mas harmonizou com os filetes de polvo e arroz do mesmo.
.Vietti Castiglione Falleto 2004 (levado pelo J.Rosa) - 90 pontos na Wine Spectator e 92 na Wine Advocate (Parker); DOC Barolo; com base na casta Nebbiolo, estagiou 30 meses em barrica; nariz exuberante, acidez equilibrada, especiado, taninos presentes, boa estrutura e final de boca muito longo. Fresco e elegante, apresenta-se com um perfil duriense (às cegas é um Douro autêntico). Longe da reforma, a beber nos próximos 6 a 8 anos. 14 % vol. Nota 18,5.
.Qtª da Leda 2004 (levado pelo João) - com base nas castas Touriga Franca, Touriga Nacional e Tinta Roriz; acidez no ponto, notas terrosas e de esteva, algum chocolate e especiarias, volume médio, final de boca persistente e algo adocicado. A beber nos próximos 4/5 anos. 13,5 % vol. Nota 18 (noutras situações 17,5/18).
Estes 2 tintos acompanharam costoletas de borrego e grelos salteados.
.FEM Verdelho Muito Velho (levado por mim) - nariz intenso, presença de frutos secos, notas de brandy, iodo e caril, vinagrinho equilibrado, taninos em conta, complexidade, estrutura e final de boca interminável. A Madeira no seu melhor! Nota 19,5 (esta foi a 14ª garrafa que tive a oportunidade de provar).
Acompanhou a tradicional tarte de amêndoa.

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Espaços de restauração : algumas surpresas (II)

2.Mestrias Nova Tasca (Largo da Paz,22B à Ajuda) - 4*
Este restaurante ocupou o espaço do A Paz, mais conhecido pela casa do Eusébio e outros futebolistas.
Agora é um restaurante de petiscos e de alguns pratos emblemáticos que não se encontram noutros lados, como é o caso do arroz de choco com sua tinta. Divinal! Na ementa constam 10 petiscos (doses avantajadas), 9 pratos e 4 sobremesas e, ainda, um aviso aos clientes: "nem sempre há de tudo e às vezes há coisas novas".
Tudo o que comi ou provei tinha qualidade. Para além do citado arroz, nota alta para as moelas, os cogumelos e a mousse de alfarroba.
As mesas, despojadas, são de pedra e os guardanapos de papel. No exterior, uma bela esplanada. Serviço eficiente, nada atascalhado, e simpático.
Quanto à componente vínica, inventariei 1 espumante, 8 brancos (4 a copo), 3 rosés (1) e 10 tintos (4). Na lista constam os anos de colheita, o que não acontece na maioria dos restaurantes que conheço, mas lamentavelmente os tintos estão à temperatura ambiente, ou seja, quentes!
Optei por um copo do branco Lua Cheia em Vinhas Velhas 2017 (15,5+). A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo e servido por 2 vezes, a pedido.
Vale a pena conhecer este Mestrias, quanto mais não seja para comer o arroz de choco.

3.La Risotteria (Rua do Ouro, 265 - 1º) - 3,5*
Confesso que hesitei em incluir nas surpresas este espaço de restauração, devido à sua componente vínica que é muito fraca. Mas a qualidade das restantes componentes convenceram-me.
O espaço, situado no 1º andar de um hotel (The Lift Boutique Hotel), é acolhedor e bem decorado, com as mesas bem aparelhadas e guardanapos de pano.
Ementa à base de risottos, adequada ao nome da casa, muito originais e saborosos, mas algo pesados nesta altura do ano. A repetir a experiência com o tempo mais frio.
Serviço profissional e muito sipático.
Quanto à componente vínica, a lista é curta, muito centrada nos vinhos italianos, copos fraquitos e tintos à temperatura ambiente. A copo, só o da casa, que nem sequer o registei. A garrafa veio à mesa e dado a provar.
Tem, ainda, um menu de almoço a 12 € (couvert, entrada, prato e sobremesa), sem bebidas.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Vinhos em família (XCI) : 1 confirmação e 2 desilusões (relativas)

Mais alguns vinhos provados em família, com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega. Uma confirmação (o tinto) e duas desilusões (relativas, claro). E eles foram:
.Kompassus Private Colection 2011 - com base na casta Baga, estagiou 22 meses em barricas de carvalho francês novas e usadas; aroma muito fino, algo evoluído, já com aromas e sabores terciários e complexos, acidez no ponto, notas especiadas, taninos de veludo, grande estrutura e final de boca persistente. Teor alcoólico algo excessivo (15 % vol.); a beber nos próximos 3/4 anos, acompanhado de um prato no forno. Nota 18,5+ (noutra situação 18,5).
.1º Nome (Qtª do Mouro) 2016 - com base nas castas Rabigato (35 %), Gouveio (35 %), Arinto (20 %) e Alvarinho (10 %), estagiou 8 meses sobre as borras finas; nariz contido, presença de citrinos e um toque de maçãs, alguma acidez e gordura, volume e final de boca médios. Gastronómico. 12,5 % vol. Alguma desilusão (relativa). Nota 16,5
.Soulmate Grande Reserva (Cortes do Tua Wines) 2016 (garrafa nº 2069/2400) - 18 pontos na Grandes Escolhas e na Revista de Vinhos; com base nas castas tradicionais do Douro, estagiou 8 meses em barricas novas de carvalho francês; presença de citrinos e maçãs, notas florais e apetroladas, alguma acidez e gordura; algum volume e final de boca. 14 % vol. Precisa de tempo para se mostrar e crescer. Alguma desilusão  (relativa) depois das altas notas atribuídas. Nota 17,5.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Espaços de restauração : algumas surpresas (I)

1.Saraiva's (R. Engº Canto Resende,3 entre as avenidas Antº Augusto Aguiar e Sidónio Pais) - 4*
Recentemente o Saraiva's foi tema de conversa da revista Vinho - Grandes Escolhas e do gastrónomo Virgílio Gomes, no respectivo site, para o qual tenho um link. Este espaço, completamente remodelado, mudou de mãos e agora pertence aos mesmos donos da Tágide.
Sala confortável e luminosa, mesas despojadas, mas com guardanapos de pano.
Na ementa actual, curta mas deveras original, constam "À Mão" (6 referências), "Começamos?" (8), "Carne" (4), "Do Mar" (3) e "Goludices" (5).
Nesta visita comi:
.couvert ("flat bread", focaccia, pasta de alho francês e chops de banana)
.tortilha de cachaço de porco preto
.ovos rotos (destes também o professor gostava**)
Quanto à componente vínica, a lista também é curta, mas a escolha criteriosa. Inventariei 2 espumantes, 8 brancos (3 a copo), 10 tintos (3) e 2 rosés, lamentavelmente sem os anos de colheita.
Optei por um copo do tinto Casal Santa Maria Touriga Nacional/Merlot 2014 (3,80 €) - estagiou 14 meses em barricas de carvalho francês; nariz contido, notas florais e vegetais, alguma acidez, taninos suaves, magro na boca e persistência média. Nota 15,5.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo e temperatura adequada.
Resumindo, boa gastronomia e serviço eficiente e simpático. Uma boa surpresa!
** - este à parte na ementa tem a haver com uma polémica com o restaurante Bel Canto sobre a paternidade dos ovos à professor, que parece ter tido a sua origem no antigo restaurante bar Lorde.

sábado, 1 de setembro de 2018

Curtas (CII) : Néctar das Avenidas, Cerveja Artesanal e o blogue de férias

1.A Garrafeira Néctar das Avenidas tem nova morada
Já é oficial, a Néctar das Avenidas vai passar-se de armas e bagagens para outro espaço, com melhores condições. Fica na Av. Pinheiro Chagas,50 na esquina com a Luis Bivar, a 100 metros da morada actual.
A inauguração está prevista para o próximo dia 4 de Setembro. A partir das 17 h, um copo e um petisco esperam pelos clientes e amigos desta garrafeira.

2.A cerveja artesanal deu um tiro no pé
Vejo com espanto e perplexidade que o Continente editou um Guia de Cervejas, anunciando uma feira com as ditas, onde aparecem algumas artesanais de referência, como é o caso da Sovina, Nortada, Letra, Maldita, Vadia, Oitava Colina, Dois Corvos, Musa e +351, entre outro tipo de cervejas.
As cervejas artesanais deviam limitar-se às cervetecas (em Lisboa, já há umas tantas), lojas gourmet e garrafeiras. Ao entrarem num hipermercado, estão a dar um tiro no pé!

3.O blogue vai de férias
No decorrer da próxima semana, o enófilo militante estará longe do computador.
Fica por publicar "Espaços de restauração : algumas boas surpresas".
Até ao meu regresso...

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Agosto 2010 : o que se passou aqui há 8 anos?

Das 20 crónicas publicadas em Agosto 2010, destaco estas 3:

."O Grupo Pestana retalia", no dia 13
Depois de ter sido autorizado a levar vinho comigo para o restaurante Cozinha Velha (Pousada de Queluz), mediante o pagamento da respectiva taxa de rolha, alguém que não consegui identificar, melindrado com a minha crónica "Almoço na Cozinha Velha", publicada em 21/6/2010, e com mau perder, telefonou para minha casa, na véspera à noite, a cancelar a autorização anterior. Inqualificável!
Anos mais tarde voltei lá e constatei que, lamentavelmente, se mantinha tudo o que escrevi anteriormente (ver o ponto 2 da crónica "Curtas (IV)", publicada em 23/1/2013.

."Como vamos de vinhos nos Museus?", no dia 20
Este escrito veio na sequência de uma visita ao Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), onde almocei na respectiva cafetaria.
Este espaço e, se calhar, todos os outros ligados à museologia, visitado por milhares de turistas, estrangeiros ou nacionais, merecia uma melhor atenção à componente vínica que é uma autêntica vergonha, perante a passividade e ignorância dos políticos.
Em visita recente ao MNAA, constatei que, lamentavelmente, está tudo na mesma.
À atenção do Ministro da Cultura, do 1º Ministro e do PR.

."Almoço na Maria Pimenta", no dia 22
Uma crítica minha à componente vínica e outros aspectos deste restaurante, situado na antiga Fábrica da Pólvora em Barcarena, com o apoio da Câmara Municipal de Oeiras, provocou por parte de uma senhora (a dona ou amiga dos donos?) alguns comentários mal dispostos, desajustados e revelando uma iliteracia confrangedora, que mereceram respostas adequadas por parte de outros seguidores.
Esta crónica é de longe a mais lida, vá lá perceber-se porquê...
Serão os mistérios insondáveis da blogosfera!

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Espaços de restauração : algumas decepções (III)

continuando...

5.Tapas Bar 47 (Rua do Alecrim,47A) - 2,5*
Este espaço fica dentro da Garrafeira Imperial (GI) ou será ao contrário, a Garrafeira é que fica dentro deste Tapas Bar? Confesso que não entendi, até porque o site da GI não lhe faz qualquer referência.
Diga-se que já conhecia a GI, onde, quando em quando, compro algum vinho que dificilmente se encontra noutros locais, a preços honestos.
E só tenho a dizer bem do atendimento, por parte da Maristela Lima (infelizmente de férias quando da minha visita ao Tapas Bar).
Como andava curioso já há algum tempo, recentemente resolvi testar o Tapas Bar, mas esta experiência foi um desastre, como explicarei adiante.
O Tapas Bar tem um menú de almoço (14,90 €), com direito a couver, entrada (a escolher entre 3), prato (idem), bebida e café. Optei pelo coelho de escabeche (ainda vinha morno e de escabeche pouco ou nada) e pelo entrecosto com favas (era à base de enchidos, entrecosto quase nada e favas praticamente desfeitas).
Quanto à bebida escolhi um copo de tinto que já veio servido (!?) e a garrafa nem sequer foi mostrada (nem quando perguntei que vinho era e repectivo ano de colheita). Nem no mais modesto restaurante fariam tal coisa. Lamentável!
Acabei por saber que o vinho era Casa Santos Lima Touriga Franca 2015 (16,5+) que veio a uma temperatura, copo e quantidade aceitáveis.
O serviço, dividido entre a garrafeira e as duas salas deste espaço de restauração, mostrou-se desatento e desorganizado. Depois de ter comido, estive à espera 20 (vinte!) minutos que me levantassem os pratos da mesa e eu pudesse pedir o café. Lamentável...
Mais, fuma-se tanto no Tapas Bar como na própria GI, o que de todo não entendo.