quinta-feira, 19 de julho de 2018

Confraria do Periquita 2018 : convívio, vinhos e fado na JMF

Participei, no passado 31 de Maio, na qualidade de Confrade do Periquita, no XXIII Grande Capítulo desta confraria da José Maria da Fonseca.
Após o convívio inicial e a escolha da respectiva capa e chapéu, seguiu-se a "entronização" de mais 27 membros, entre confreiras e confrades. Destaco os nomes do Aníbal Coutino e do João Sá, como os mais mediáticos.
Na sequência da cerimónia, foi apresentado e provado o último Periquita tinto (colheita 2017), saído de uma monumental garrafa de 9 litros, dita "salmanasar".
Depois da indispensável foto família, já passava das 21h30 quando os 131 confreiras/confrades participantes iniciaram o repasto, que voltou a ser servido pela Casa da Comida e teve lugar na Adega dos Teares Novos, no meio dos tonéis.
Para memória futura, aqui se regista o que se bebeu e comeu:
.Colecção Privada Domingos Soares Franco Verdelho 2017 - muito fresco e mineral, presença de citrinos, algum floral, acidez equilibrada, volume e final de boca médios. Nota 16.
Acompanhou a tradicional sopa de ervilhas à Soares Franco.
.Periquita Superyor 2015 - com base na casta Castelão Francês em vinhas velhas, estagiou 12 meses em cascos de carvalho francês; muito frutado, acidez no ponto, algum especiado, taninos suaves, volume médio e final de boca adocicado. Para beber novo. Nota 17.
Harmonizou com uma empada de caça, cogumelos do bosque, chips de batata doce e legumes.
.Hexagon 2009 - com base nas castas Touriga Nacional, Touriga Franca, Syrah, Trincadeira, Tinto Cão e Tannat; ainda com fruta, fresco e elegante, acidez q.b., notas especiadas, alguma complexidade, taninos civilizados, volume e final de boca assinaláveis. No ponto óptimo de consumo. Nota 18.
Servido com queijo de Azeitão, não ligou (seria preferível acompanhá-lo com um Pasmados branco).
.Moscatel Alambre 20 Anos (sem data de engarrafamento visível) - presença de tangerina e casca de laranja, acidez no ponto, notas glicerinadas, taninos evidentes, algum volume e final de boca extenso. Nota 17,5.
Maridou com um Bolo de São Roque e gelado de framboesa.
Com o café foi servida a Aguardente Espírito (não bebi nenhum deles).
Comida bem confeccionada, bons copos e temperaturas correctas.
A fechar o encontro, tivemos direito a uma sessão com a fadista Diamantina, a que se juntou a confreira Fafá de Belém.
Resta agradecer à família Soares Franco este convívio e a magnum Periquita, devidamente assinada pelo Domingos. Muito obrigado, pela minha parte!
E, daqui a 2 anos, há mais...

terça-feira, 17 de julho de 2018

Grupo FJF (3ª sessão) : 1 branco, 1 tinto e 1 fortificado de excepção

O Grupo FJF, novamente reforçado pelo J(uca), reuniu no Magano que dispensa apresentações (gastronomia e serviço de vinhos de qualidade).
Voltou a ser provado:
.Messias Dry Old (a mesma garrafa que foi levada para o almoço, no âmbito do Grupo dos 3, referida na crónica do dia 10) - achei-o mais complexo, com a componente iodo mais presente. Nota 17,5 (na outra situação 17).
Desfilaram, às cegas:
.Mapa Vinha dos Pais 2015 (12,5 % vol.; levado por mim) - com base nas castas Rabigato, Viosinho, Arinto e Gouveio, estagiou 12 meses em barrica; nariz francamente positivo, presença de citrinos, fresco e mineral, acidez fabulosa, volume e final de boca assinaláveis. Complexo e gastronómico, ainda não atingiu o patamar do 2013, um dos grandes brancos portugueses, mas para lá caminha. Nota 17,5+.
Acompanhou as entradas habituais. Voltei a prová-lo no final do repasto com os queijos. Ligação perfeita!
.Qtª da Vacariça Tonel 23 Terroir da Cardosa Garrafeira 2011 (12,8 % vol.; levado pelo Frederico) - um dos Baga Friends; 100 % Baga, estagiou 18 meses em barrica; aroma intenso, boa acidez, notas vegetais e de lagar, volume médio e final de boca persistente. De momento algo desequlibrado, há que esperar por ele mais 10/20 anos. Nota 17.
.Vinha Othon Reserva 2008 (14 % vol.; levado pelo João) - com base nas castas Touriga Nacional, Jaen e Tinta Roriz, estagiou em cascos de carvalho francês; ainda com fruta, acidez equilibrada, especiado e complexo, taninos civilizados, volume apreciável e final de boca persistente. A beber nos próximos 9/10 anos. Nota 18,5 (noutra situação, também 18,5).
Estes 2 tintos maridaram com um joelho de vitela e batata no forno.
.FMA Bual 1964 (da garrafeira do Juca) - presença de frutos secos, notas de iodo, caril e brandy, vinagrinho no ponto, volume notável e final de boca interminável. Foi a 20ª garrafa que provei deste grande Madeira! Nota 19.
Foi mais uma bela jornada no Magano, ao nível dos enófilos mais exigentes.

domingo, 15 de julho de 2018

Prova - Enoteca Restelo revisitada

Já aqui referida no ponto 4 de "Curtas (XCIX)", crónica publicada em 29/5, chegou a vez de abancar para almoço na Prova - Enoteca Restelo, o que ainda não tinha feito.
Não sendo bem um restaurante, nem uma petisqueira, nem uma tasca, antes um local diferente onde se pode comer, tive recentemente a oportunidade de ali almoçar.
Gostei, francamente, tendo provado:
.pão ainda quente, com azeite Qtª dos Murças Bio
.salada de ovas de bacalhau
.tiborna de cavala com pesto
.pastel de Tentúgal
A copo têm 2 espumantes, 6 brancos, 5 tintos, 1 rosé, 4 fortificados e 4 cervejas artesanais.
Optei pelo branco Apelido 2016 (Qtª do Mouro) - muito fresco e mineral, presença de citrinos, boa acidez, algum amanteigado, volume e final de boca. Uma boa surpresa. Nota 16,5+.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo Schott, com a quantidade (15 cl) devidamente assinalada.
Serviço profissional e simpático por parte dos donos deste espaço.
Em confronto com a Loja das Conservas, objecto da crónica de ontem, embora as gastronomias não sejam comparáveis, a componente vínica da Prova - Enoteca Restelo vence indiscutivelmente.
Aprovado e recomendo (mas não vão todos ao mesmo tempo, pois o espaço é diminuto).

sábado, 14 de julho de 2018

Restaurante da Loja das Conservas

Movido pela curiosidade, depois de ter lido nalguma imprensa (Time Out, Evasões, Diário de Notícias, Correio da Manhã e Epicur) e na blogosfera (Comer Beber Lazer e Mesa do Chef) referências muito positivas a este novo projecto, os restaurantes da Loja de Conservas, com ementas criadas pelos chefes André Palma e Tiago Neves, não resisti e fui poisar no da Rua da Assunção,81 (o outro fica na Rua do Cotovelo, junto à Loja da Rua do Arsenal).
Espaço simpático, com mesas despojadas, guardanapos de pano e parte das cadeiras desconfortáveis (a pedido trocaram-me o assento).
Na ementa constam 15 petiscos com base em conservas, que podem ser compradas na loja ao lado sem ser preciso sair para a rua.
Na minha visita provei:
.couver (pão e azeite aromatizado)
.Chamuças de atum com caril (deliciosas)
.Morcela de sangacho (surpreendente mas desequilibrado, a pedir uns grelos a fazerem-lhe companhia)
.Sardinha em tempura com molho de iogurte (saborosa)
Por aqui tudo bem, o pior é a componente vínica, um autêntico desastre (lista curta, omissão de anos de colheita e nem um único vinho do Douro!). Segundo me explicaram, estão amarrados a um acordo com a Global Wines (uma desculpa esfarrapada, pois a Global Wines também produz vinhos no Douro). Também não têm cervejas artesanais e os tintos estavam à temperatura ambiente. Só desgraças!
Inventariei 3 espumantes, 3 brancos, 1 rosé e 5 tintos, todos a copo.
Optei pelo branco Cabriz Reserva 2017 (4,50 €, um exagero) - com base na casta Encruzado; fresco e mineral, algum vegetal, volume e final médios. Nota 16.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo, servido a olho.
Perante as minhas críticas à componente vínica, muito simpaticamente não cobraram o copo. Aliás, do serviço só tenho a dizer bem, pois quem me atendeu (percebi ser o chefe de sala, mas não retive o nome), fê-lo com profissionalismo e simpatia. Ainda, por cima, estava a trabalhar por três (na sala, na esplanada e na loja!), o que se reflectiu necessariamente no tempo de espera.
Embora tenha apreciado a parte gastronómica, não aconselho enquanto não corrigirem a componente vínica.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Almoço com vinhos fortificados (28ª sessão) : uma jornada memorável em Azeitão

A convite dos anfitriões, o casal Carlota/Adelino, o auto denominado Grupo dos Madeiras, reforçado com um dos F (Frederico Oom), participou numa grande e memorável jornada em Azeitão, onde foram provados/bebidos 9 vinhos (1 espumante, 2 brancos, 2 tintos e 4 fortificados), todos da garrafeira do Adelino.
Com os rótulos à vista, desfilaram:
.Verdelho o original by António Maçanita 2014 em magnum (garrafa nº 8/90) - fresco e mineral, presença de citrinos, boa acidez, volume e final de boca médios. Um branco açoriano deveras original. Nota 17,5.
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 2008 - simultaneamente fresco e com gordura, acidez equilibrada, volume e final de boca assinaláveis. Complexo e gastronómico, a evoluir muito bem. Nota 18 (noutras situações 16,5/17/17).
.Espumante Qtª das Bageiras 2004 (não cheguei a provar).
Estes brancos acompanharam frutos secos, salgados, presunto e choco frito.
.Qt Vale Meão 2011 - ainda com muita fruta, acidez no ponto, especiado, taninos presentes mas civilizados, volume assinalável e final de boca muito extenso. Imponente e complexo, a beber nos próximos 7/8 anos. Nota 18,5+ (noutra 18,5).
.Ferreirinha Reserva Especial 2001 - aroma não muito agradável, notas vegetais e metálicas. Está na curva descendente ou era uma garrafa avariada? Quem o provou recentemente, que o diga.
Estes tintos harmonizaram com espetadas de carne barrosã (deliciosa), fruta e abóbora.
.Noval Vintage 1968 - ainda com fruta, notas de frutos secos, alguma acidez, taninos presentes, algum volume e final de boca. Perfil próximo de um tawny. Nota 17,5.
Acompanhou com queijo de ovelha amanteigado.
.Moscatel 1900 José Maria da Fonseca - presença de frutos secos e citrinos, acidez equilibrada, taninos macios, estrutura e final de boca assinaláveis. Grande complexidade de um Moscatel com mais de 100 anos. Nota 18,5.
.Niepoort Garrafeira 1938 (engarrafado em 1943 e decantado em 1977) - presença de frutos secos, iodo e caril, acidez no ponto, algum volume e final de boca interminável. Perfil próximo de um Madeira. Nota 19.
Estes fortificados acompanharam frutos secos e doces diversos.
.Artur Barros e Sousa Boal 1860 - ainda muito fresco, presença de frutos secos e vinagrinho, notas de caril, iodo e brandy, taninos civilizados, volume apreciável e final de boca interminável. Complexo e sublime, um dos vinhos da minha vida! Nota 19,5.
Foi uma grande e excepcional sessão de convívio, gastronomia e, muito especialmente, vinhos que não estarão acessíveis à maioria dos enófilos.
No final, cada um dos participante levou para casa um Porto Vintage Taylor's, inesperada e muito simpática oferta do anfitrião. Roam-se de inveja, enófilos de todo o mundo!
Obrigado, Carlota! Duplamente obrigado (pela jornada e pela oferta), Adelino!

terça-feira, 10 de julho de 2018

Grupo dos 3 (60ª sessão) : 1 tinto e 1 Madeira de eleição

Esta sessão foi da responsabilidade do Juca que escolheu o restaurante As Colunas e pôs à prova 2 tintos e 2 fortificados da sua garrafeira. Nos tachos pontificou a Fátima (saborosíssimo empadão de lebre!) e na sala a Joana.
Servidos em copos Riedel, foram provados às cegas:
.Messias Dry Old - nariz contido, presença de frutos secos e tangerina, acidez curta, volume e final médios. Equilibrado e elegante. Nota 17.
Não ligou muito bem com queijo fresco, pastéis de bacalhau e de massa tenra (belissimos).
.Qtª da Pellada 49 2013 - 90 pontos no Parker; com base nas castas Touriga Nacional e Alfrocheiro, estagiou 28 meses em barricas de carvalho francês; aroma discreto, alguma fruta e acidez, notas florais, algum vegetal e lagar, taninos presentes, volume médio e final de boca persistente. A beber nos próximos 8 a 10 anos. Nota 17,5.
.Qtª do Crasto Touriga Nacional 2005 - 96 pontos na Wine Spectator; estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês; nariz intenso, muita fruta, notas florais, acidez no ponto, especiado, taninos civilizados, grande volume e final de boca notável. Muito complexo e longe da reforma. A beber nos próximos 7/8 anos. Um grande Douro! Nota 18,5+ (a mesma nota noutra situação).
Estes 2 tintos harmonizaram bem com o empadão de lebre.
.FMA Bual 1964 - aroma intenso e complexo, presença de frutos secos, iodo e vinagrinho, notas de brandy e caril, taninos ainda muito presentes, volume notável e final de boca impressionante. Grande Madeira! Nota 19,5.
Este fortificado foi acompanhado por uma tarte de amêndoa.
Foi mais uma boa jornada de comeres e beberes. Obrigado, Juca!

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Junho 2010 : o que se passou aqui há 8 anos?

Das 21 crónicas publicadas no decorrer de Junho 2010, destaco estas 3:
."O Solar do Vinho do Porto em Lisboa", no dia 6
Um belo e confortável espaço em S. Pedro de Alcântara, com uma boa oferta de vinhos do Porto. Pena é que as temperaturas a que estão guardados estejam no limite do recomendável.
."Procura-se assessor de vinhos para a Presidência da República. Assunto urgente.", no dia 9
Esta crónica assentou que nem uma luva no anterior inquilino de Belém, fraco entendedor em questões vínicas, ao contrário do actual a quem dediquei a crónica "Saber pegar no copo : o novo PR passou no exame.", publicada em 10/7/2016.
."Grupo 3+4. Uma (boa) avalanche de vinhos", no dia 19
Sessão decorrida no restaurante As Colunas, com vinhos do enófilo Rui Rodrigues. O tema foi a prova de 8 tintos de 2003, tendo o vinho Vinha da Ponte sido o vencedor (18,5), logo seguido do Poeira (18).
Ainda, nota alta para o fortificado Kopke Selected Old Tawny, com 50 anos de garrafa (18,5).