sexta-feira, 9 de abril de 2021

Vinhos em família (CIXX) : 2 belíssimos brancos e 1 desilusão

 Mais 4 vinhos (3 brancos e 1 tinto) provados em confinamento, com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega.

E eles foram:


.Quinta dos Roques Encruzado 2011 - com base na casta Encruzado (100 %); sem ponta de oxidação, presença de citrinos e fruta de caroço, equilibrio acidez/gordura, notas glicerinadas, volume e final de boca assinaláveis (14 % vol., um exagero). Complexo e gastronómico, a precisar de comida algo pesada. Nota 18.


.Almeida Garrett Reserva 2013 (Beira Interior) - com base na casta Chardonnay, estagiou 10 meses em barricas usadas de carvalho francês; sem ponta de oxidação, fresco, cítrico e algo mineral, acidez elevada, delgado de corpo e final de boca curto (13 % vol.). Algo desequilibrado e sem alma. Uma desilusão. Nota 15,5.


.Anselmo Mendes Parcela Única Alvarinho 2016 - 94 pontos no Parker e 18,5 na Grandes Escolhas; estagiou 9 meses em barricas de carvalho francês e mais 12 em garrafa; aroma intenso, presença de citrinos e fruta de caroço, notas florais, equilibrio acidez/gordura, volume e final de boca notáveis (12,5 % vol.). Um grande Alvarinho, complexo e gastronómico. Nota 18.


.Adega Vila Real Premium 2017 - com base nas castas Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz, estagiou parcialmente 12 meses em barricas de carvalho francês e americano; presença de frutos vermelhos e notas terrosas, alguma acidez e especiarias, volume e final de boca médios (14 % vol.). Boa relação preço/qualidade, mas fica a perder com a versão de 2015. A beber nos próximos 3/4 anos. Nota 16,5. 


terça-feira, 6 de abril de 2021

Grupo dos 3 : 283 vinhos à prova desde 2010 (II)

 Depois de ter feito o resumo das provas do Grupo dos 3 ao longo destes  últimos 11 anos, passarei a dedicar este assunto a cada um dos intervenientes, começando pelo Juca, continuando pelo João e terminando comigo.


1.Sessões

Foram 24 as sessões deste grupo com os vinhos da garrafeira do Juca, que decorreram em 14 restaurantes escolhidos por ele, com especial incidência em As Colunas e na Ordem dos Engenheiros (4 em cada um destes espaços). Seguiram-se o Tacho da Memória, Salsa e Coentros, Guarda Real e Via 14, todos com 2. Finalmente, Porto Sentido, O Mattos, Horta dos Brunos, Bel'Empada, Magano, Real Parque, Casa do Bacalhau e na sua própria casa, 1 vez. 


2.Vinhos

Da garrafeira do Juca sairam 93 vinhos, sendo 24 brancos, 44 tintos e 25 fortificados (8 Portos, 16 Madeiras e 1 Moscatel). Quanto aos vinhos tranquilos, 2 eram da Região Vinhos Verdes, 30 Douro, 1 Trás-os-Montes, 10 Dão, 6 Bairrada, 2 Lisboa, 4 Alentejo, 1 IVV e 12 estrangeiros.


3.Quadro de Honra

Dos 93 vinhos provados, entraram no meu Quadro de Honra com classificações atribuidas por mim (18 ou mais para os brancos, 18,5 ou mais para os tintos e fortificados) 26 vinhos (28 % do total). Destes, 1 era branco, 14 tintos e 11 fortificados (1 Porto e 10 Madeiras ). Dos vinhos tintos 10 eram Douro, 2 Dão, 1 Bairrada e 1 Alentejo.

.Brancos

Soalheiro Alvarinho Reserva 2010 (Vinhos Verdes) - 18

.Tintos

.Com 18,5+

Qtª do Crasto Touriga Nacional 2005 (Douro)

.Com 18,5

CARM BOCA 2004, CV 2004, Pintas 2005, Qtª do Noval 2005, Qtª da Romaneira 2004, Qtª do Vale Meão 2006, Robustus 2005, Três Bagos Grande Escolha 2004 e 2005 (todos DOuro), M.O.B. 2012 e Pellada Mulher Nua 2003 (Dão), Kompassus Private Selection 2005 (Bairrada) e Esporão Private Selection Garrafeira 2008 (Alentejo). 

De referir a presença maioritária das colheitas 2005 (6 vinhos) e 2004 (4 vinhos).

.Fortificados

.Com 19,5

FMA Bual 1964

.Com 19

Blandy Bual 30 Anos

.Com 18,5+

Artur Barros e Sousa Moscatel Velho 1963, Blandy Verdelho 1977, Cossart Gordon Verdelho 1973

.Com 18,5

Artur Barros e Sousa Verdelho 1984, Blandy Bual 1991, Blandy Malvasia Harvest 1985, Blandy Malvasia 2004, Blandy Sercial 1966 e Porto Barros Finest Old Tawny.

De referir as castas Verdelho e Bual, as mais cotadas nesta selecção.

Obrigado Juca!

sexta-feira, 2 de abril de 2021

Março 2013 : o que se passou aqui há 8 anos

 Das 13 crónicas publicadas no decorrer de Março 2013, destaco estas 3, por ordem cronológica:


."Eu, enófilo me confesso"

Recordando as minhas preferências vínicas. Passados 8 anos, mantêm-se de um modo geral, mas:

.Brancos

Cada vez consumo e aprecio mais vinhos brancos, sendo as minhas castas preferidas a Alvarinho, Arinto e Encruzado. No momento estou a "descobrir" os brancos Lisboa e Açores.

.Tintos

Depois da colheita 2004 ter sido a minha preferida há 8 anos, no momento a colheita 2011, a melhor da década passada, é claramente a eleita. Além dos tintos do Douro, o Dão e a Bairrada proporcionaram-me belos momentos.

.Fortificados

As minhas preferências mantêm-se, a saber

1º Vinho da Madeira (Frasqueiras)

2º Vinho do Porto (Colheitas e Tawnies de Idade)

3º Moscatéis velhos

.Cervejas Artesanais

Há 8 anos, nem sabia que existiam. Hoje sou um fã incondicional desta nova moda que veio para ficar.


."Jantar Luis Pato"

Recordando este evento vínico, organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas, tendo decorrido no restaurante Assinatura e contado com a presença do produtor, enólogo e também brilhante pedagogo, Luis Pato.


."Tintos 2004 versus 2005"

Recordando uma sessão memorável no restaurante As Colunas, onde se "degladiaram" o Batuta, Pintas e S de Sberanas, versões 2004 e 2005, com algumas desilusões. Extra concurso, o vinho da noite foi o Poeira 2004.

A idéia e organização partiu do João Quintela.

terça-feira, 30 de março de 2021

Grupo dos 3 : 283 vinhos à prova desde 2010 (I)

 Este grupo constituído por 3 enófilos de longa data (o Juca, o João Quintela e eu) teve a sua primeira prova cega em 18/3/2010. O repasto decorreu no restaurante Nariz de Vinho Tinto, entretanto encerrado, com vinhos da minha garrafeira. Desfilaram 1 branco (Scala Coeli Alvarinho 2008), 1 tinto (Scala Coeli Touriga Nacional 2007) e 1 Madeira (Blandy Malvasia 1990).

Até agora, foram 74 as sessões de prova cega de vinhos, tendo a última ocorrido em 27/10/2020, no restaurante Belém 2 a 8, também com vinhos da minha garrafeira.

Em números globais, as provas decorreram em 44 restaurantes onde foram provados 98 brancos (12 eram Colheita Tardia/Late Harvest), 118 tintos e 67 fortificados. Destes 21 eram Porto, 29 Madeira, 15 Moscatéis e 2 Carcavelos.

Dos vinhos tranquilos, 12 eram da Região Vinhos Verdes, 76 Douro/Trás-os-Montes, 35 Dão, 36 Bairrada/Beiras, 10 Lisboa, 1 Tejo, 2 Palmela/Setúbal, 18 Alentejo, 3 IVV e 22 estrangeiros.

Dos 283 vinhos provados, entraram no meu Quadro de Honra com classificações dadas por mim (mínimo 18 para brancos e 18,5 para tintos e fortificados) 79 (27,9 % do total).

Destes, 18 são brancos (18,4 %)*, 35 tintos (29,7 %)* e 26 fortificados (38,8 %)*, dos quais 6 Porto, 14 Madeira e 6 Moscatéis. Os 53 tranquilos, por Região dividem-se em 2 Vinhos Verdes, 21 Douro, 11 Dão, 9 Bairrada, 2 Lisboa, 1 Tejo, 3 Alentejo, 1 IVV e 3 estrangeiros.

* - percentagens calculadas a partir dos vinhos provados em cada tipo. 

Em próximas crónicas, alguns destes dados globais serão desagregados.

sexta-feira, 26 de março de 2021

Vinhos em família (CXVIII) : um branco de excepcional preço/qalidade e um 30 Anos de eleição

 Mais 4 vinhos provados em confinamento (2 brancos, 1 tinto e 1 fortificado) provados com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega.

E eles foram:


.Qtª das Maias Malvasia Fina 2011 - com base na casta Malvasia Fina (100 %), estagiou parcialmente em barricas de carvalho francês; já com 10 anos em cima, mas sem ponta de oxidação, fruta de caroço e notas apetroladas, equilibrio acidez/gordura, volume e final de boca médios (13,5 % vol.). Gastronómico, melhorou 24 horas depois de aberta. Nota 17.


.Adega Vila Real Premium 2019 - com base nas castas Malvasia Fina, Viosinho e Gouveio, estagiou em barricas de carvalho francês; notas cítricas e florais, acidez equilibrada, notas amanteigadas, fresco, volume e final de boca de assinalar (13,5 % vol.). Gastronómico e com excelente relação preço/qualidade (3,99 € no Lidl). Está na linha do 2018 *, mas talvez mais requintado. Nota 17,5.


.Qtª S. José Vinha Ruy Francisco 2015 (garrafa nº 117/1190) - com base na casta Touriga Nacional (predominante), estagiou 16 meses em barricas de carvalho francês; fruta vermelha, um toque vegetal, alguma acidez, especiado, notas terrosas e de musgo, taninos civilizados, algum volume e final de boca longo (14,5 % vol.). Austero e elegante, vai melhorar com a idade. A beber nos próximos 10 a 12 anos. Nota 18.


.Blackett 30 Anos (engarrafado em 2017) - cristalino, bonita cor âmbar, presença de frutos secos e tangerina, algum mel, notas de caril e brandy, especiado, taninos suaves, algum volume e final de boca longo. Muito complexo e harmonioso. Nota 18,5.


* ver "Vinhos em família (CIII) : mais uma vez à boleia do COVID-19", crónica publicada em 21/4/2020

terça-feira, 23 de março de 2021

As Revistas especializadas - nº de Março 2021 (2ª parte)

 2.Grandes Escolhas

A. 144 páginas, das quais 56 de publicidade. Logo, apenas 88 úteis (61,1 % do total).

De salientar que "Os Melhores do Ano" ocuparam da página 44 à 122.

B1. Crónicas/Reportagens (2)

.Vidigal Wines: é muito Mundo, numa garrafa (Mariana Lopes)

.Emma e Dirk, separados por 9 mil kms : mas na mesma latitude (Carlos Dias Pinto)

É de referir, ainda, as opiniões de

.Fernando Melo

.Dias Cardoso

B2. Painéis de prova

.2011 : Memórias de um ano de excelência (João Paulo Martins)

O painel foi dedicado aos tintos de 2011, dentro da tradição da GE de provar vinhos de uma colheita passados 10 anos. Foram postos à prova 37 tintos, sendo de destacar que 7 foram classificados com 19 e 11 com 18,5. No entanto, estranha-se a ausência do Três Bagos Grande Escolha do Pintas, entre os mais credenciados, que me mereceram há bem pouco tempo 19 e 18,5, respectivamente.

C. "Lançamentos" (1)

.Teixuga branco e tinto 2015, o expoente máximo da Caminhos Cruzados (Mariana Lopes)

D. Restaurantes

Nada a assinalar.

E. Cervejas artesanais

Narda a assinalar.

F. Provados 150 vinhos, dos quais 42 classificados com 18 ou mais (28 % do total).

Brancos

.Luis Pato Quinta do Ribeirinho Sercialinho 2019 (Bairrada) - 19

.Terrenus Vinha da Serra 2018 (Alentejo) - 18,5

Tintos

.Batuta 2011 (Douro) - 19

.Poeira 53 Barricas 2011 (Douro) - 19

.Quinta da Leda 2011 (Douro) - 19

.Quinta da Manoella Vinhas Velhas 2011 (Douro) - 19

.Sidónio Sousa Garrafeira 2011 (Bairada) - 19

.Tributo 2011 (Tejo) - 19

.Marquês de Borba Reserva 2011 (Alentejo) - 19

.Duorum Reserva 2011 (Douro) - 18,5

.Maçanita Touriga Nacional 2018 (Douro) - 18,5

.Quinta do Portal Auru 2011 (Douro) - 18,5

.Quinta do Vale Meão 2011 (Douro) - 18,5

.Vallado Reserva 2011 (Douro) - 18,5

.Quinta das Maias Jaen 2011 (Dão) - 18,5

.Villa Oliveira Touriga Nacional 2011 (Dão) - 18,5

.Kompassus Private Colection 2011 (Bairrada) - 18,5

.Luis Pato Vinha Barrosa 2011 (Bairrada) - 18,5

.Quinta Monte d' Oiro Parcela 24 2016 (Lisboa) - 18,5

.Cortes de Cima Reserva 2011 (Alentejo) - 18,5

.J de José de Sousa 2011 (Alentejo) - 18,5

.Paulo Laureano Selectio 2011 (Alentejo) - 18,5

Seguem-se 20 vinhos classificados com 18.

Dos 42 eleitos, 1 é Champanhe, 4 são brancos (1 colheita tardia) e 37 tintos.

Por Região os vinhos tranquilos dividem-se em 16 Douro, 6 Dão, 6 Bairrada/Beiras, 3 Lisboa, 2 Tejo, 8 Alentejo e 1 estrangeiro.


3.Concluindo

Comparando o nº de Fevereiro da GE com o nº de Março da RV, é de referir:

.A RV continua com mais páginas úteis (106 contra 58 da GE)

.O mesmo se passa com as Crónicas/Reportagens (7 da RV contra 4 da GE)

.Idem com as "Novidades" da RV (6) contra os "Lançamentos" da GE (2)

.Quanto a Painéis, temos 1 para cada lado, sendo o da GE claramente mais interessante

.Falando de restaurantes e cervejas artesanais, a RV continua a publicar artigos sobre ambos, enquanto que a GE ficou a zeros

.A RV provou mais vinhos do que a GE (281 contra 197), mas a GE ultrapassou a RV na eleição de vinhos classificados com 18 ou mais (51 contra 18).

quinta-feira, 18 de março de 2021

O último espaço de restauração revisitado ainda desconfinado : Taberna da Baixa

Já devia ter falado sobre este espaço há mais tempo, mas os meus apontamentos andaram perdidos, tendo-os encontrado agora.

Visitei este espaço há cerca de 5 anos e tudo correu mal, conforme se pode constatar no ponto 2. da crónica "Curtas (L) : testando o serviço de vinhos...".

A Taberna da Baixa - 3,5 * fica na Rua dos Fanqueiros, 161/163 e na época fria é um espaço muito desconfortável, a começar pela porta aberta para a rua e a acabar nas cadeiras. Televisão ligada, embora sem som, mas o rádio debitava música demasiado alta.

Lista de vinhos desinteressante e sem anos de colheita, com os tintos à temperatura ambiente, o que não faz sentido. Neste aspecto não evoluiram nada nestes 5 anos!

Comi um belíssimo risotto de gambas e a acompanhar o mais que visto Planalto Reserva 2019, servido a copo - fresco e mineral, acidez equilibrada, volume e final de boca médios. Gastronómico. Nota 16,5.

A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo, uma melhoria em relação ao passado e talvez a única.

No final do almoço, um gesto simpático: oferta de uma ginginha.