sábado, 29 de junho de 2024

O Douro de Dona Antónia (II) - Dia 1 : Caves Ferreira e DeCastro Gaia

O programa do 1º dia, percorridos 467 Kms:


 1.Caves Ferreira

O 1º dia começou com uma interessante visita à parte museológica das Caves Ferreira que, segundo a brochura já referida na crónica interior "(...) localizam-se na marginal do Rio Douro, no centro histórico de Vila Nova de Gaia. No seu interior conta-se a história da marca desde 1751, através da vida e obra de Dona Antónia Adelaide Ferreira, num trajecto que percorre a Região do Douro e os seus vinhos. (...)".

No final da visita, tomámos parte numa prova de Vinhos do Porto, conduzida pela guia e pelo José Silva.

Foram provados 5 vinhos (entre parêntesis a minha classificação):

.Dona Antónia Reserva Branco (16,5)

.Ferreira Ruby (15)

.Ferreira LBV 2019, engarrafado em 2023 (17)

.Dona Antónia Reserva Tawny (16,5)

.Dona Antónia 20 Anos, engarrafado em 2023 (17,5)

De lamentar não terem posto cuspideiras nas mesas (veio uma a meu pedido) e os vinhos não terem sido servidos a temperaturas adequadas (estavam todos acima do recomendado).

Fica  a dúvida se foi uma falha ocasional ou se é sempre assim.


2.DeCastro Gaia - 5 *

Após a visita às Caves Ferreira fomos almoçar ao restaurante DeCastro Gaia, situado no edifício do Porto Cruz.

Conheço o chefe Miguel Castro e Silva (MCS) desde há anos e dele já falei nas crónicas

."Almoço no deCastro"

."Os comeres no Mercado da Ribeira : Miguel Castro e Silva (MCS)"

."Lumni : o novo projecto do chefe Miguel Castro e Silva"

."Less : o Miguel Castro e Silva (MCS) merecia melhor"

.."Curtas (LXII) ..." ver o ponto 4.deCastro Flores

Abancámos numa sala luminosa com vistas para o Douro. Na mesa guardanapos personalizados, bons copos Schott e oferta de um Porto Cruz White servido num copo minúsculo (nota 15,5).

Desfilaram:

.Branco de Ventozelo 2017 (17,5)

este branco harmonizou com um festival de entradas (pão, azeites, salada de alcachofra, iscas de cachaço de bacalhau e tortillha de morcela)

.Quinta de Ventozelo 2020 tinto, servido a uma temperatura acima do recomendado (17) 

Este tinto maridou com uma costela mendinha e arroz de forno, um dos pratos emblemáticos do chefe MCS.

Como sobremesa, avançou um bolo de chocolate.

Serviço simpático e despachado.

terça-feira, 25 de junho de 2024

O Douro de Dona Antónia (I) - Introdução

 Recentemente tomei parte em mais uma visita ao Douro. O programa foi organizado pela WINEnROUTE, uma agência especializada em enoturismo, de que faz parte o Rui Nobre meu conhecido de há anos de outras paragens. Há cerca de 1 ano estive com ele numa visita à Quinta das Bageiras referida na crónica "Visita à Quinta das Bageiras".


O tema desta viagem foi "O Douro de Dona Antónia Adelaide Ferreira", podendo ler-se na brochura com o respectivo programa:

"Personagem da vida do Douro e do Vinho do Porto, conhecida por "Ferreirinha", nasceu na Régua em 1811. Mulher determinada e corajosa, construiu um enorme império durante o século XIX. (...)

Após a morte do seu primeiro marido, a coragem desta senhora não pára: fez grandes plantações de vinha no Douro, obras de benfeitoria, contratou colaboradores, construiu armazéns, comprou quintas importantes (Aciprestes, Porto, Mileu) e fundou outras, como o Vale Meão, tornando-se figura de primeira grandeza. (...)

D. Antónia é sem dúvida uma das maiores, se não a maior, personagem na história da região do Douro e do Vinhos do Porto. Faleceu em 1896, aos 85 anos, na Casa das Nogueiras (Quinta das Nogueiras).

O Douro perdeu a sua Rainha. (...)"


O grupo foi acompanhado pelo Guia-Conferencista José Magalhães da Silva, mais conhecido por José Silva, o da Hora de Baco, programa que segui ao longo de 8 anos consecutivos na RTP1. Na brochura já referida consta sobre ele " (...) Grande comunicador e excelente contador de histórias, há cerca de 20 anos atrás começou também a exercer a actividade de guia-conferencista (...)".

Conheço-o há uma série de anos e foi nosso (do Juca e meu, enquanto sócios gerentes da saudosa loja/garrafeira Coisas do Arco do Vinho com sede no CCB) convidado quando do 10º aniversário das CAV, tendo esse momento sido registado na crónica "Lembrando o 10º aniversário das Coisas do Arco do Vinho (2ª parte)".

 

Em 4 dias andámos 1284 quilómetros e provámos/bebemos 24 vinhos (6 brancos, 6 tintos, 1 rosé e 11 Vinhos do Porto). É obra! 

Em próximas crónicas que podem ser seguidas ou alternadas com outros assuntos, falarei das visitas que fizémos a:

.dia 1 - Casa Ferreira e almoço no deCastro Gaia

.dia 2 - Quinta do Vesúvio, almoço na Taberna da Julinha e Quinta do Vale Meão

.dia 3 - Museu do Douro, almoço na Quinta do Vallado e Museu de Lamego

.dia 4 - barco rabelo e almoço na Quinta da Casa Amarela

terça-feira, 18 de junho de 2024

Grupo dos 3 (93ª sessão) : a Quinta do Crasto novamente em evidência

 Esta última sessão deste grupo de enófilos da linha dura decorreu na Taberna Albricoque com vinhos da garrafeira do Juca. Sala cheia, cozinha criativa saída das mãos do chefe Bertílio Gomes, serviço a cumprir os mínimos e bons copos Chef & Sommelier na mesa.

Desfilaram:


.Quinta de Azevedo Escolha Loureiro 2022 - com base na casta Loureiro (100 %), tendo estagiado em inox 6 meses em contacto com as borras finas (10 % estagiou em barricas usadas); nariz intenso, cítrico e tropical, equilibrio acidez/gordura, algum volume e bom final de boca (12 % vol.). Muito gastronómico, precisa de comida por perto. Nota 17,5.

Este branco acompanhou tártaro de carapau, salada de cenoura roxa, flor de abobrinha e rissóis de berbigão.


.Quinta do Crasto Touriga Nacional 2006 - 93 pontos na Wine Enthusiast; com base na casta Touriga Nacional (100 %), estagiou 18 meses em barricas novas de carvalho francês; ainda com fruta vermelha e acidez a dar-lhe vida, notas especiadas, taninos firmes, boa estrutura e final de boca longo (14,5 % vol.). Complexo e elegante, a beber nos próximos 7/8 anos. Nota 18,5.

Este tinto harmonizou com salada de coelho grelhado e uma frigideira de polvo e batata doce.


.Blandy's Sercial 10 Anos - presença de frutos secos, algum citrino, equilibrio acidez/gordura, algum volume e final de boca. Falta-lhe a complexidade dos 20 e 30 anos. Nota 17.

Este fortificado fez companhia a um folar de Olhão com gelado e a um bolo de alfarroba também com gelado.


Mais uma boa sessão de convívio, comeres e beberes. Obrigado Juca!

quinta-feira, 13 de junho de 2024

Grupo dos 6 (37ª sessão) : quando dois brancos se impõem a um tinto e um Tawny a um Vintage

 Esta última sessão deste grupo de enófilos, desfalcada de um dos seus elementos por motivos de saúde, decorreu no Salsa & Coentros. Boa comida de tacho, bom serviço, guardanapos de pano e copos Schott na mesa.

Desfilaram:


.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 2006 (garrafa levada pelo João) - Prémio Excelência atribuído em 2007 pela Revista de Vinhos (a antiga); com base na casta Alvarinho (100 %), estagiou 4 meses em inox; ligeira oxidação nobre, cítrico e tropical, belíssima acidez, notas amanteigadas, volume e final de boca de registar (13% vol.). Surpreendentemente, ainda longe da reforma! Nota 18,5.

Este branco acompanhou uma série de entradas (queijo fresco, empadas, cogumelos e pimentos).


.António Maçanita Arinto dos Açores Sur Lies 3 Colheitas (garrafa nº 1564/4400 levada por mim) - com base na casta Arinto dos Açores de 3 diferentes colheitas (2018, 2020 e 2021) que estagiaram separadamente 5, 3 e 2 anos em inox; cítrico e mineral, notas salinas, acidez vibrante, ligeiro amanteigado, volume médio e final de boca longo (12 % vol). Original e complexo. Nota 18,5.

Este branco acompanhou um prato de bacalhau com grão.


.Quinta da Manoella Vinhas Velhas 2015 (levada pelo J. Rosa) - 96 pontos no Parker, 93 na Wine Enthusiast e 92 na Wine Spectator; com base em vinhas centenárias, estagiou 22 meses em barricas de carvalho francês; ainda com fruta vermelha, acidez no ponto a dar-lhe vida, notas especiadas, taninos presentes e civilizados, algum volume e final de boca de respeito (14 % vol). A melhorar nos próximos 8 a 10 anos. Nota 18.

Este tinto harmonizou com um pato dourado e arroz de miúdos.


.Graham's Vintage 1994 (levada pelo Juca) - 96 pontos no Parker, 95 na Wine Spectator e 93 na Decanter; ainda com muita fruta, notas achocolatadas, alguma acidez, taninos suaves, algum volume e final de boca. Um bom vintage de um ano fabuloso, mas sem esmagar. Nota 18. 


.Taylor's Tawny 40 Anos (engarrafada em 1971 e levada pelo Adelino) - 95 pontos na Wine Spectator, Wine Enthusiast e no Parker; presença de frutos secos e citrinos, especiado, acidez no ponto, grande volume e final de boca interminável. Seca tudo à sua volta.

Grande tawny à beira do seu centenário. Nota 19,5.

Estes 2 fortificados fizeram companhia a um "pijaminha" de doces.


Mais uma grande sessão de convívio, comeres e beberes.

quinta-feira, 6 de junho de 2024

BairraDão em Lisboa (11ª edição)

 Esta 11ª edição do BairraDão, um imperdível evento organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas, foi claramente a melhor de todas. Organização impecável, uma grande adesão de produtores (50), cerca de 300 vinhos à prova e uma afluência recorde de enófilos. Destes 50, 36 eram do Dão, 8 da Bairrada e 6 trouxeram vinhos do Dão e da Bairrada.

É curioso lembrar o que aqui se disse sobre a 1ª edição, onde estiveram 30 produtores (20 do Dão e 10 da Bairrada), nesta crónica:

"Bairradão em Lisboa"


Dos 41 brancos provados, destaco estes 18:

Com 18,5

Dão (4)

.M.O.B. Gauvé 2019

.Casa Albuquerque Branco Especial 2021

.Quinta da Giesta Gold Edition Grande Reserva 2021

.Quinta da Taboadella Grande Villae 2021

Bairrada (2)

.Quinta do Aleixo Grande Reserva 1996

.Pai Abel 2022


Com 18

Dão (9)

.Carlos Raposo Definido 2022

.Casa da Passarella O Fugitivo Barcelo 2022

.Chão do Vale Vinhas Velhas 2019

.Munda Encruzado 2020

.Olho Gordo Branco Especial (lote) 

.Portugal Wine Firm XXX 2020 Bical 2022

.Quinta do Penedo Encruzado 2022

.Terras Madre de Agua

.Vinha Paz Encruzado Reserva 2022

Bairrada (3)

.Campolargo Vinha da Costa Chardonnay 2021

.Frei João Cláasico 2021

.Gonçalves Faria 2021


E, para o ano, há mais. Assim o espero.

terça-feira, 4 de junho de 2024

Tabuaria do Paço e outros espaços de restauração

 1.Tabuaria do Paço - 4,5 *

Sala aconchegada e bem decorada, mesas aparelhadas, guardanapos de papel resistente, bons copos na mesa e cozinha aberta. Tem, ainda, uma outra sala bem maior que me pareceu reservada para jantares.


Na ementa constam:

.3 sopas ( de 4,50 a 10,50 €)

.7 entradas (de 5,50 a 18,90 €)

.7 pratos de peixe (20,50 a 24,50 €)

.4 pratos de carne (20,90 a 24,90 €)

.3 massas (16,50 a 22,90 €)

.3 saladas (8,50 a 14,50 €)

.3 vegan (12,50 a 16,50 €)

.6 sobremesas (3,50 a 8,50 €)

Comi um belíssimo Robalo à Tabuaria.


Quanto à componente vínica, inventariei 1 champanhe (garrafa ou copo), 3 espumantes (2 a copo), 20 brancos (7), 19 tintos (9), 6 rosés (3), 8 Vinhos do Porto, 1 Madeira e 1 Moscatel.

A lista, embora sem anos de colheita, é original e inclui as castas de cada vinho. Lamentavelmente, os tintos estão à temperatura ambiente, embora me tivessem informado que iriam resolver esse problema no próximo verão. Esperemos... 

Têm ainda cervejas artesanais. São 4 referências da 8ª Colina, tendo eu optado pela Urraca IPA (nota 4,5 em 5).


.Serviço prestável e profissional. De referir que todos os empregados são imigrantes (1 brasileiro na sala, 1 africana e 1 asiático na cozinha). Sem imigrantes este restaurante estaria fechado. À reflexão dos nossos políticos...


O restaurante não é barato, mas reservando através da plataforma The Fork fazem um desconto de 30 % na comida, o que é uma boa ajuda.

Recomendo e tenciono voltar.


2.Outros espaços classificados de 1 a 5 *

Com 5

.Jardim/Sr. Lisboa

.Lugar Marcado

Com 4,5

.Impacto (Museu do Oriente)

.O Colunas (Amadora)

Com 4

.Bastardo

.Curropio

.Elevador (Hotel Santa Justa)

.Gurkha (indiano)

.O Frade Time Out

.O Mirrita (Cacilhas)

.O Rio

.Rui dos Pregos

.Solar de Telheiras

.Tasca da Esquina

.Tacho do Pescador (Parque das Nações)

sábado, 1 de junho de 2024

Maio 2016 : o que se passou aqui há 8 anos

 Das 12 crónicas publicadas no decorrer de Maio 2016, destaco estas 4:



."Colares à Mesa (I) : as provas"

."Colares à Mesa (II) : o almoço vínico"

Recordando a 4ª Edição da Semana Histórica da Gastronomia e Vinhos de Colares, onde participei a convite do Tivoli Palácio de Seteais. 

Este evento teve o apoio da C M Sintra e da CVR Lisboa.


."Novo Formato+ (23ª sessão) : 1 branco surpresa, 1 tinto e 1 Madeira de excepção"

Recordando uma grande jornada organizada pelo nosso saudoso amigo Alfredo Penetra na sua residência.

Foi uma grande sessão de convívio, comeres e beberes, com destaque para o Legado 2008 e o Blandy's Terrantez 1977, ambos pontuados com 19.


."Jantar Malhadinha & CARM"

Recordando um jantar vínico organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas, que decorreu no restaurante Faz Gostos em Lisboa, entretanto já encerrado.

Contou com a presença da Filipa Silva (Malhadinha) e do João Paulo Reboredo (CARM) que apresentaram os respectivos vinhos. Destaque para o CARM Maria de Lourdes 2011 tinto.