sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Novo Formato+ (13ª sessão)

Nesta última sessão deste grupo de convívio e prova de vinhos, a descodificação dos tintos deixou todos deveras surpreendidos. Na mesa estavam Barca Velha, Aalto e Qtª do Crasto T.Nacional, mas o vencedor foi um vinho do Dão, o Qtª da Falorca Garrafeira! Tiro-lhe o meu chapéu!
Esta sessão desenrolou-se na Enoteca de Belém, com vinhos da minha garrafeira: 2 Alvarinhos de 2010, 4 tintos de 2004, 1 Vintage e 1 Madeira, todos provados às cegas, como é nosso costume.
A bebida de boas vindas foi o espumante Vértice Cuvée 2009, com o "dégorgement" feito em 2012, simpática oferta da casa e que se portou muito bem. Acompanhou um entretém de boca, corneto com massa de tinta de choco, com queijo chevre e mel, simplesmente delicioso.
 Para além do convívio e dos vinhos, o almoço não podia ter corrido melhor. O serviço na sala, a cargo do escanção Nelson Guerreiro, e o menú, da responsabilidade do Ricardo, foram de grande qualidade. Recomendo vivamente este espaço. A Enoteca de Belém merece que os enófilos a conheçam.
Depois desta introdução, vamos aos comeres e beberes:
.Muros de Melgaço - muito exuberante, tropical, elegante, acidez equilibrada, estrutura média e final de boca longo; fácil de se gostar, é paixão imediata. A beber nos próximos 3/4 anos. Nota 17,5+.
.Soalheiro Reserva - nariz discreto, mineral, acidez no ponto, volume de boca, todo ele muito contido, a precisar de mais tempo de garrafa. Tem potencial para aguentar mais 7/8 anos. Nota 17,5 (a rever daqui a 2/3 anos).
Ligaram muito bem com o tártaro de salmão fumado com puré de feijão preto.
.Qtª do Crasto T.Nacional - aroma intenso, ainda com fruta, especiado, notas de tabaco, taninos redondos, elegância, frescura, profundidade e persistência. Nota 18,5.
.Aalto - este vinho teve, no conceituado Guia Peñin mais 1 ponto que o Aalto PS do mesmo ano; esta garrafa tinha um aroma complicado, com uma componente vegetal muito pronunciada, tendo alguns dos presentes diagnosticado rolha, embora longínqua. Uma pena, porque tinha uma boca fabulosa. Nota 18, mesmo assim.
.Barca Velha - nariz contido, notas florais, especiado, belíssima acidez, elegante, harmonioso, volume de boca e final longo. Perfeito! Nota 18,5.
.Qtª da Falorca Garrafeira - nariz exuberante, ainda com fruta, notas florais, especiarias, algum chocolate preto, acidez presente, acentuado volume e final de boca. Um grande vinho e uma grande surpresa. Nota 18,5+.
Todos eles têm estrutura para estar em forma mais 6/7 anos e "maridaram" bem com uma deliciosa bochecha de porco com molho de morcela e gratinado de legumes.
.Graham's Malvedos Vintage 1995 - curiosamente esta minha garrafa, de grande valor estimativo, tinha as assinaturas de quase todos os presentes, pois foi uma oferta da Symington, quando da nossa visita à Qtª do Bonfim, em 17 a 19 de Maio 2002. Muito doce e frutado, taninos macios, estrutura média e final longo. Nota 17,5+.
.FMA Bual 1964 - grande complexidade, frutos secos, iodo, notas de brandy e caril, vinagrinho, acentuado volume de boca e final interminável. A fechar a refeição da melhor maneira! Nota 19.
Estes 2 fortificados acompanharam uma tábua de queijos, bolos e fruta laminada.
Mais uma grande sessão. Obrigado a todos os participantes e à Enoteca!

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Taberna do Manelvina: um paraíso para os carníveros

Na povoação Cruzes, algures entre as Caldas da Rainha e a Benedita, situa-se este espaço especialmente dedicado aos carníveros (contactos 262870014/917221062). A sala está focada em dois motivos, touros e touradas por um lado, e, por outro, o vinho de qualidade, com uma parede forrada com tampas de caixas de madeira de diversas origens, todas referentes às gamas alta e média/alta.
  Eu, militante assumido de peixe, fiquei completamente rendido à excelência do que se come nesta taberna. Custa chegar à mesa, tal é a afluência de manducantes nas horas de ponta, mas depois de sentados, o ritmo do serviço é quase frenético.
Ignorada a ementa, entregamo-nos nas mãos do pessoal da taberna, que vão poisando na mesa pão e broa, ainda quentes, salada de tomate com orégãos (o único produto não carnívoro), enchidos (chouriço de carne, morcela de arroz e alheira), entremeada com batatas fritas caseiras, febras (muito macias e bem temperadas) e vitela (talvez a comida menos entusiasmente). No final do repasto, uma simpática oferta de Cascol (vinho abafado) e Agua do Luzo (aguardente).
Quanto ao sector vínico, a carta tem uma selecção surpreendente para este tipo de espaço, copos de qualidade (a pedido) e um armário térmico para tintos. Não bebi vinho. Os amigos que me convidaram não são apreciadores e escolheram uma sangria tinta. Os enófilos que me perdoem...
A concluir, a Taberna do Manelvina é um espaço altamente recomendável, especialmente para os militantes da carne. Só um aspecto menos simpático, é preciso levar dinheiro, pois o restaurante tem o Visa/Multibanco fora de serviço.

sábado, 12 de outubro de 2013

Curtas (XVIII)

1.Mercado de Vinhos de Campo Pequeno
Com o sub-título "Pequenos Produtores - Grandes Descobertas", os responsáveis do Campo Pequeno vão realizar, no fim de semana de 1 a 3 de Novembro, das 11h30 às 21h30, a 2ª edição do Mercado de Vinhos.
Esta feira não se esgota nos vinhos, que podem ser provados e comprados, incluindo uma apreciável oferta de produtos "gourmet".
Uma oportunidade única de se comprar directamente ao produtor.
2.Vinhos do Alentejo
Mais de 70 produtores vão pôr à prova os seus vinhos no Centro Cultural de Belém, nos próximos dias 18 (16h/21h) e 19 de Outubro (15h/21h).
A entrada é livre, mas o copo de prova custa 3 €.
3."Leitoando" em Lisboa (II)
Actualizando o que escrevi nas crónicas "Curtas (VIII) e "Leitoando em Lisboa", publicadas em 23/5/2013 e 20/12/2012, pode-se também comer leitão em:
.Tasca da República, que apesar de ter mudado de dono mantém o mesmo fornecedor de leitão à Bairrada (sempre à 5ª feira).
 .Bota Feijão, onde se come seguramente o melhor leitão em Lisboa. Fica na R.Conselheiro Lopo Vaz, nas bordas de Moscavide. Mas nem tudo são rosas neste restaurante, pois encerra Sábado e Domingo e não aceita cartões, o que se lamenta profundamente.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Grupo dos 3 (32ª sessão)

Após uma longa pausa no verão, recomeçaram as provas cegas deste núcleo duro. Os vinhos eram da garrafeira do João Quintela, que escolheu o restaurante principal do Corte Inglês, já nosso conhecido. Em alta estiveram uma belíssima cabeça de garoupa no forno e um serviço de vinhos exemplar.
Desfilaram:
.Terra a Terra Reserva 2011 branco - presença de citrinos, notas florais, fresco e mineral, um toque amanteigado e um bom final; todo ele muito equilibrado. Uma boa surpresa que serviu para aquecer os motores e acompanhar o couver. Nota 17.
.Aneto Grande Reserva 2006 - nariz exuberante, especiado, notas de chocolate preto e tabaco, acidez equilibrada a dar-lhe vida, taninos presentes, volume de boca e um grande final. Em forma mais 6/7 anos. Um vinho de excepção num ano complicado (talvez o melhor 2006 produzido em Portugal). Nota 18,5 (noutra situação também 18,5).
.Momentos 2006 - nariz contido, alguma fruta, notas florais, acidez no ponto, taninos domados, estrutura e bom final de boca; um belo vinho de um enólogo pouco badalado, o Luis Soares Duarte. A beber nos próximos 5/6 anos. Nota 18.
.Moscatel de Setúbal 1979 José Maria da Fonseca - notas de laranja e limão, presença de frutos secos, iodo e caril, bom final de boca; um bom Moscatel, embora sem a complexidade dos grandes vinhos da JMF. Nota 17,5.
Mais uma boa jornada deste grupo de amigos. Obrigado João!

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Jantar Casa de Santar

A Garrafeira Néctar das Avenidas organizou mais um jantar vínico, desta vez em parceria com o restaurante da Ordem dos Engenheiros. Foi o 28º, o que é obra! Curiosamente, coincidiu com o 17º aniversário das Coisas do Arco do Vinho, efeméride que o João Quintela, muito simpaticamente, fez o favor de lembrar.
O tema deste evento eram os vinhos da Casa de Santar, que foram apresentados pelo Osvaldo Amado, responsável pela enologia deste produtor. E isto, em plenas vindimas!
Dos vinhos apresentados, sobressairam o casal Condessa de Santar branco e o Conde de Santar tinto, dois belíssimos vinhos, com o branco a entrar para o meu Quadro de Honra e o tinto a ficar lá perto. A realeza portou-se bem!
Vamos, então, aos comeres e beberes:
.Espumante Condessa de Santar 2010 - cumpriu bem a sua missão, acompanhando uma série de canapés; não tive a oportunidade de anotar as minhas impressões. Nota 16,5+.
.Casa de Santar Reserva 2011 branco - com base nas castas Bical, Cerceal e Encruzado, fermentou em barricas de carvalho francês; simples, fresco, notas de citrinos, alguma gordura, madeira ainda presente; consumo imediato. Nota 15,5+.
Fez companhia a um creme de abóbora com lascas de presunto.
.Condessa de Santar 2011 -  a partir das castas Encruzado e Bical, estagiou cerca de 6 meses em barricas de carvalho francês; presença de citrinos e fruta madura, acidez equilibrada, notas fumadas, gordura mais acentuada, madeira muito fina, volume de boca e bom final; gastronòmico e claramente um vinho de outono/inverno; a consumir nos próximos 2/3 anos. Nota 17,5+.
Acompanhou bem um lombo de robalo com camarão e etc.
.Conde de Santar 2009 - com base nas castas T.Nacional, Alfrocheiro e Tinto Cão, estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês; fruta ainda presente, notas florais, especiarias e chocolate preto, boa acidez, elegante e equilibrado, taninos bem presentes, acentuado volume de boca e persistência final; ainda vai crescer em garrafa; em forma mais 7/8 anos. Nota 18.
Óptima maridagem com um excelente lombinho de javali, arroz selvagem, cogumelos e castanhas.
.Outono de Santar Colheita Tardia 2011 - nariz discreto, muito fresco e elegante, mas a faltar-lhe alguma gordura. Nota 14,5.
Fez companhia a um pudim do Algarve com frutos secos, algo desinteressante.
Louve-se o esforço da equipa da O.E., mas falta-lhe alguma rodagem. De qualquer modo, mais uma boa jornada vínica.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Coisas do Arco do Vinho : 17 anos depois (II)

2.Gestação e preparação do projecto
A ideia nasceu no decorrer de um jantar vínico organizado pela Revista de Vinhos. Aí ficaram definidas as linhas mestras do que viria a ser a loja Coisas do Arco do Vinho. O conceito, inovador e pioneiro na altura, contemplava 4 áreas de negócio, a saber, vinhos, acessórios para o serviço do vinho, mercearia fina e livraria especializada. O jantar vínico teve lugar em Abril 1996 e as CAV abriram em Setembro do mesmo ano, em tempo recorde.
Cientes que não sabíamos tudo, conversámos com algumas pessoas já nossas conhecidas, o que de algum modo nos ajudou a clarificar o projecto. Para memória futura, fica registado que nos reunimos, em separado:
.em Lisboa, com o saudoso David Lopes Ramos, José Salvador, João Paulo Martins e José Quitério
.em Sangalhos, com o Luis Lopes
.no Porto, com Dirk Niepoort, Maria Emília Campos e Ricardo Nicolau Almeida
3.A primeira crónica
Ao longo dos 13 anos de vida em que estivémos à frente das CAV, praticamente todos os órgãos de comunicação social se referiram ao projecto, fizeram-nos entrevistas e aparecemos na maioria dos canais televisivos.
A realçar algum, parece-me de inteira justiça lembrar a 1ª crónica sobre as CAV, que foi publicada, em 6 de Outubro de 1996, na Pública (suplemento do Público) e assinada pelo David Lopes Ramos.
Eis o que o DLR escreveu na altura:
"(...) Chamaram-lhe Coisas do Arco do Vinho (...) e lá está um espaço muito bem decorado, bem arrumado e com uma selecção de vinhos - com destaque para os tintos e Porto - de se lhe tirar o chapéu. Além disso, ainda tem lugar para acessórios do vinho, nomeadamente copos, entre os quais os Riedel, (...)livros sobre gastronomia e vinhos e "delicatessen", por exemplo, doces conventuais bejenses(...)".

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Curtas (XVII)

1.Uma garrafeira em expansão...
A Garrafeira Néctar das Avenidas expandiu-se para o nº 31 da Av. Defensores de Chaves, mantendo-se na Luis Bivar. A inauguração do novo espaço, onde coexiste o vinho com brinquedos (pode-se dizer que é vocacionado para a faixa etária dos 8 meses aos 80 anos), teve lugar no passado sábado.
Felicidades para o novo projecto, são os meus votos.
2.E outra a nascer
Bem perto do Napoleão e da nova loja da Garrafeira Nacional, nasceu a Ruoao Wines, em plena Rua dos Fanqueiros. Feroz ou sã concorrência? Só o futuro o dirá.
Pela conversa com a dona, prejudicada por um fundo sonoro excessivamente alto, percebi que é gente já ligada ao vinho. Têm uma loja em Xangai, pasme-se!
3.Guia 2014 do João Paulo Martins
Acabou de chegar às livrarias o novo Vinhos de Portgal 2014, o 20º guia da autoria do JPM. É obra!
Em crónica futura, direi alguma coisa sobre este "pesadelo" com 674 páginas.
4.Lisboa Restaurant Week 2013
O LRW vai estar disponível no período de 10 a 20 de Outubro, com 49 restaurantes aderentes em Lisboa e arredores. É de aproveitar!
Mais informações em www.restaurantweek.pt.