sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Crónicas em atraso

Por uma razão ou por outra, não consigo acompanhar o ritmo das provas, visitas e outras situações em que participei nos últimos dias, a um ritmo quase frenético. Mas prometo, logo que a minha vida acalme, que irei partilhar com os leitores deste blogue, os momentos por mim vividos. Para temas das próximas crónicas, prevejo:
.Jantar e prova com o Celso Pereira
.Provas com a Decante no Ritz
.Provas com a Hermitage no CCB
.Prova Herdade das Servas no Chafariz do Vinho
.Grupo dos 3 (33ª sessão)
.O Guia 2014 do João Paulo Martins
.Rescaldo da ida à Ericeira
.Curtas (XIX)
.José Maria da Fonseca revisitada (prevista para amanhã)

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Vinhos em família (XLVII)

1.Da minha garrafeira
.Parcela Única Alvarinho 2009 - enologia do Anselmo Mendes, que também é o produtor; fruta madura, notas tropicais, excelente acidez, algo amanteigado, equilibrado e elegante, volume de boca e bom final; ainda cheio de vida, em forma mais 4/5 anos. Nota 18.
.Olho no Pé Grande Reserva 2011 - com base nas castas Viosinho, Rabigato e Gouveio de vinhas velhas; frementou em barrica e estagiou 12 meses sobre as borras finas; notas de melão e pera madura, acidez equilibrada, mineralidade, madeira discreta e bom final de boca. A beber nos próximos 2/3 anos. O perfil deste branco alterou radicalmente, passando dos 14/14,5 % vol. para os actuais 12,5% vol. Nota 17,5.
.Carrocel 2006 (Qtª da Pellada) - complexidade, acidez q.b., especiado, elegância, equilibrio e harmonia, grande volume de boca e final extenso; gastronómico. Em forma mais 7/8 anos, apesar do ano. Grande Dão! Nota 18,5+.
.Horácio Simões Bastardo 2009 - estagiou em barricas de carvalho francês; frutos secos, notas de tangerina, brandy, volume médio e final extenso. Excelente relação preço/qualidade. Nota 17,5.
2.Levado por um amigo
.Vale dos Ares Reserva Alvarinho 2012 (bebido no restaurante 1º Direito) - produção de MQ Vinhos, Lugar do Mato, enologia de Gabriela Albuquerque; citrinos, notas tropicais discretas, acidez equilibrada, algum volume de boca e bom final; vai precisar de mais tempo de garrafa; gastronómico. Melhorou na prova quando a temperatura subiu para os 10/12º, embora no contra-rótulo o produtor aconselhe que se beba a 8/10º. Nota 16,5+.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Almoço no Café Lisboa: o bloco central do chefe José Avillez

Recentemente fui conhecer o Café Lisboa que, com o Cantinho do Avillez (ver crónica "Almoço no Cantinho do Avillez" de 10/9/2011, uma das mais lidas desde sempre, vá lá saber-se porquê), forma o bloco central dos espaços de restauração do conceituado José Avillez. Ficam por conhecer as 2 pontas, a Pizzaria Lisboa e o estrelado Belcanto. Com tanto projecto próprio, ainda se coligou com o H3 e entrou no mundo das empadas (ver "Empadaria do Chef: nem tudo o que parece, é...", crónica publicada em 28/12/2011).
O Café Lisboa é um espaço emblemático, ou não estivesse situado num hall do teatro de São Carlos, aberto para a restauração há já alguns anos, mas sempre sem grande brilho. Apesar das mesas despojadas, é acolhedor. Fiquei numa mesa praticamente por baixo de um grande caranguejo, revestido a crochet, com a assinatura da Joana Vasconcelos.
A ementa é simples, mas muito bem conseguida a avaliar pelo que comi. Optei por uma das especialidades, o Pastel Lisboa com arroz de grelos. De comer e chorar por mais, com a massa fina e tenríssima, a ligar muito bem com um delicioso arroz de grelos servido à parte.
Quanto a vinhos, inventariei 2 espumantes, 2 champanhes (todos a copo), 14 brancos (2 a copo), 12 tintos (apenas 1 a copo), 3 Portos, 1 Madeira e 1 Moscatel (todos a copo).
Escolhi o tinto da casa JA Projecto José Avillez e José Bento dos Santos 2008 (4 €) - muito frutado, especiado, notas achocolatadas, acidez equilibrada, taninos sedosos, alguma estrutura e bom final de boca; muito gastronómico. Nota 17,5. Como vinho da casa é uma boa surpresa, pois na maior parte da restauração costuma ser uma zurrapa.
O vinho estava acima da temperatura recomendada, mas a garrafa foi rapidamente substituída por uma correcta. Serviço profissional, tendo sido mostradas as garrafas, o vinho dado a provar e servido num bom copo Schott, embora a olho.
Em conclusão, bloco central aprovado (não extrapolar para outras matérias!).

sábado, 26 de outubro de 2013

Portugal Wine Ladies

Está a decorrer no Hotel Altis Belém a 1ª edição do Portugal Wine Ladies Tasting. Este grupo de mulheres representa 12 produtores (Adega Mayor, Herdade do Peso, Herdade de Rocim, João M. Barbosa Vinhos, Monte da Penha, Poças, Qtª da Bica, Qtª Chocapalha, Qtª Nova Nossa Sra do Carmo, Qtª da Pellada, Qtª do Pinto e Qtª Vale D. Maria) e pretende agir em bloco dentro e fora do país. Mulheres emblemáticas, como é o caso da Laura Regueiro (Qtª da Casa Amarela), Margarida Cabaço, Leonor Freitas, Olga Martins (Lavradores de Feitoria) ou Filipa Pato, pertencentes a 2 diferentes gerações, ficaram de fora, o que é pena.
Dos 60 vinhos em prova, tive a ocasião de provar dúzia e meia, entre brancos e tintos, ao invés do que se passou com os Vinhos do Alentejo, onde privilegiei os tintos.A qualidade geral dos brancos pareceu-me francamente boa, tendo ficado na minha memória o VZ 2012, Mirabilis Grande Reserva 2012, Alvaro de Castro Encruzado Reserva 2011, Ninfa Escolha Sauvignon 2012, Chocapalha Reserva 2012 e Poças Reserva 2012. Quanto a tintos, retive o Qtª Vale D. Maria 2011, Pape 2010, Siza 2009, Vale da Mata Reserva 2009, Vinha da Francisca 2011 e Reserva do Comendador 2009.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Vinhos do Alentejo

A íltima edição deste evento, que envolveu cerca de 70 produtores de vinhos alentejanos, teve lugar na tenda do CCB. Pareceu-me que a organização do evento melhorou claramente, se comparada com anos anteriores. Fui na tarde de 6ª feira e, como levava copo comigo, pouco esperei para entrar. Como é compreensível, limitei-me a provar 2 dezenas de vinhos, ou seja, uma ínfima parte do que lá estava.
 De qualquer modo, vale a pena registar o que mais me impressionou (esclareço que só provei tintos).
Em primeiro lugar, alguns vinhos já com alguns anos em cima, a desmentirem que os alentejanos não envelhecem da melhor maneira. Icon d' Azamor 2004, Monte dos Cabaços Reserva 2005 e Monte da Penha Grande Reserva 2005, ainda com alguns anos à sua frente, foram uma boa surpresa.
Em segundo, os vinhos mais recentes que mostraram uma grande qualidade, como é o caso do Procura 2011 da Susana Esteban, Solar dos Lobos Grande Escolha 2009 (também da responsabilidade desta enóloga), Vinha do Malhô 2009 e Qtª do Mouro Rótulo Dourado 2008. Grandes vinhos!
E, logo a seguir, os clássicos Mouchão 2008, Qtª do Carmo Reserva 2009 e Esporão Reserva 2011 e, ainda, a novidade Grou Family Collection 2009, este com um preço de prateleira a roçar a loucura, como se vivessemos numa época de vacas gordas.


segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Lisboa Restaurant Week (LRW)

Nesta última edição fui experimentar o Flores do Bairro (restaurante do Bairro Alto Hotel) e o Assinatura. Já tinha estado no Flores em Março deste ano, tendo publicado as minhas impressões, francamente positivas, em "No rescaldo do Lisboa Restaurant Week". Só que desta vez, a realidade foi outra, pura desilusão. O que se teria passado, entretanto? Quanto ao Assinatura, o que me fez revisitá-lo, uma vez mais, foi a curiosidade de saber se o mesmo sobreviveu à saída do Henrique Mouro e entrada do João Sá, que já conhecia do GSpot. Fiquei com a impressão que mantém a qualidade de sempre.
Começando pelo Flores, comi "terrina de coelho e lombo enguitado com compota de maçã", "filetes de tamboril com camarões, mexilhões e citronela" e "tarte de frutos vermelhos". Os filetes vinham com um arroz, aliás delicioso, sem que o menú o mencionasse, enquanto os anunciados camarões e mexilhões, não se vislumbravam, embora o sabor lá estivesse. Num dos filetes, vinha uma tira de plástico! E na cozinha, surpreendentemente, não deram por nada!? Depois de inquirir, tive direito a uma desculpa algo atabalhoada. Francamente...Enfim, não cobraram os cafés.
Quanto a vinhos, depois da jornada da véspera (ver a crónica "Novo Formato+"), fiquei-me pela água. Mas observei o que se passava noutras mesas e percebi que o vinho a copo já vinha servido, sem a garrafa ser mostrada ao cliente, nem dada a provar. Mais: os tintos estavam à temperatura ambiente. Só desgraças!
Quanto à lista de vinhos, inventariei (entre parêntesis, a quantidade de referências a copo) 1 espumante (1), 5 champanhes (3), 17 brancos (12), 25 tintos (13), 2 rosés (1), 5 Portos, 2 Moscatéis e 1 Colheita Tardia (todos a copo). Uma boa oferta, embora com preços nada amigáveis.
No Assinatura, comi "croquetes de pato com chutney de marmelo", "porco bísaro e ameijoas" e " tarte de chocolate e figos". Tudo com muita qualidade, mas sem fazer subir aos céus.
Quanto a vinhos, o serviço foi de luxo, a antítese do Flores. A garrafa vai à mesa, o vinho dado a provar num bom copo Schott, mas a quantidade é a olho. A quantidade do tinto era generosa, mas já não posso dizer o mesmo da quantidade do branco. Penso que a dimensão dos copos pode justificar essa diferença. E, ainda, temperaturas correctas. 
Bebi Lavradores de Feitoria Sauvignon 2012 (5 €) - aromático, fresco e elegante é uma paixão imediata. Nota 16,5+. E, ainda, Meandro 2011 (5 €) - exuberante, fruta vermelha, especiado, boa acidez e volume de boca. Nota 17,5. 
Quanto à lista do Assinatura, inventariei 4 espumates (4), 4 champanhes (1), 20 brancos (10), 40 tintos (10) e 3 rosés (1). Na lista consultada, não constavam os fortificados, mas sei que eles existem. Uma boa oferta, com preços de acordo com o espaço.
A finalizar, nenhum dos restaurantes nos entregou os postais comprovativos, a justificar a oferta de 1 € a causas sociais. Podemos ficar na dúvida.
E, para o ano, há mais. Estejamos atentos.

domingo, 20 de outubro de 2013

Almoço no Chefe Cordeiro

O chefe Cordeiro instalou-se na área onde funcionou o antigo restaurante Terreiro do Paço, em tempos explorado pela saudosa Júlia Vinagre. Tenho uma inesquecível ligação afectiva àquele espaço, resultante da parceria das CAV com aquele restaurante, onde fui o responsável pela carta de vinhos, com quase total autonomia (a única imposição da Júlia Vinagre foi incluir, por motivos óbvios, vinhos da Herdade do Esporão).
O piso inferior, destinado a clientes com orçamentos mais apertados, é o que está a funcionar, prevendo-se que o piso superior, este dedicado a quem não tenha problemas orçamentais, venha a abrir até ao final do ano.
O espaço que está a funcionar, caracteriza-se pelo ambiente informal, mesas despojadas, música um tanto alta e serviço simpático e profissional. Aliás o responsável pela sala é o escanção Armindo Saraiva, já meu conhecido do Assinatura e do Aura. Uma mais valia para o restaurante.
A ementa é alargada e inclui uma boa oferta petisqueira (21 petiscos).Optei pelos petiscos (fava rica, cenoura à Algarvia, coelho de escabeche e salada de polvo com molho verde), o que foi mais do que suficiente para ficar bem almoçado.
Quanto a vinhos, tem uma boa e pujante selecção, com uma apreciável quantidade de vinhos a copo, preços acessíveis, mas lamentavelmente é omissa quanto a anos de colheita. Inventariei (entre parentesis as opções a copo) 5 espumantes (4), 5 champanhes (1), 42 brancos (14), 42 tintos (12), 5 rosés (1), 4 colheitas tardias (1), 17 Portos, 2 Madeiras, 4 Moscatéis e 2 licorosos (todos os fortificados a copo).
Bebi um copo do branco Confradeiro 2012 (4 €) - presença de citrinos, acidez equilibrada, notas amanteigadas, algum volume e muito gastronómico. Nota 16,5.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar, num bom copo e uma quantidade generosa, servida a olho. Quem optar por tinto, pode ficar descansado, pois o restaurante possui armários térmicos.
Em conclusão, gostei, recomendo e tenciono voltar.