sábado, 31 de outubro de 2015

TAP : um almoço, 48 anos e meio depois...

Está patente no MUDE - Museu do Design e da Moda (R.Augusta, 24), cuja directora é Bárbara Coutinho que chegou a participar nalguns dos jantares vínicos organizados pelas Coisas do Arco do Vinho, a exposição "TAP Portugal: a imagem de um povo" que ainda pode ser vista (encerra em 15 de Novembro).
Na visita feita já há algum tempo, achei curiosa uma notícia sobre um almoço oferecido aos convidados do voo inaugural a jacto Recife - Lisboa, no Hotel Santa Luzia em Viana do Castelo, dia 28/5/1967, cuja ementa (comida e vinhos) não resisto a divulgar.
Começando pelos comes:
.Caldo Verde à Minhota
.Lagosta Suada à moda de Peniche com arroz crioulo
.Peru assado à Provençal
.Molho Pirenaico (!?)
.Bolo TAP
.Mil Folhas de Viana
.Ananás dos Açores com Vinho da Madeira
Seguindo-se os bebes:
.Gatão Verde branco
.Gamba Verde branco
.Dão Real Vinícola
.Espumante Constantino
.Porto Roncão doce aloirado
.Brandy Borges Reserva dos Fundadores
.Licor do Mosteiro de SingeVerga
.Anis Dómuz
.Tríplice Ancora
.Café do Ultramar
Os meus comentários:
.omissão dos anos de colheita (a tradição mantem-se)
.os brancos são exclusivamente vinhos verdes
.os tintos reduzem-se a um Dão
.excesso de licores/bebidas espirituosas
Nota final - qualquer semelhança entre esta ementa e as que nos são servidas a bordo, é pura coincidência!

Lisboa Restaurant Week (LRW)

Tive a oportunidade de, uma vez mais, aproveitar este programa que terminará amanhã, dia 1 de Novembro.
Nesta edição, frequentei o Lisboète (a confirmação), o Panorama (a decepção) e o Estória (a surpresa).
Em próximas crónicas direi o que gostei e o que não gostei nestes 3 espaços de restauração.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Lagar do Cais : uma aposta fracassada nos vinhos

Aberto em Abril deste ano, este Lagar do Cais Bar & Restaurante de Tapas, situado na Rua de São Paulo, 27 (mesmo em frente à Casa de Pasto), apostou fortemente na componente vínica. Parte de uma das paredes está forrada com tampas de caixas de madeira, parecendo-me que eram todas de vinhos da Herdade do Esporão (parceiros no negócio?) e, na separação do restaurante propriamente dito com o wine bar, gravado em vidro, pode ler-se "Os melhores vinhos são aqueles que são divididos com os amigos".
Por outro lado, a carta de vinhos é confusa e desarrumada, omitindo os anos de colheita. A copo disponibilizam 6 brancos, 6 tintos, 1 espumante e 3 champanhes, a preços acessíveis. Comecei por pedir um tinto, mas, logo que me apercebi que estava à temperatura da sala, fiz o desvio para um branco. Francamente, num espaço que aposta nos vinhos é obrigatório ter armários térmicos para controlo da temperatura e humidade dos tintos. Senão, é mais um restaurante igual a tantos outros. Francamente!
Mas o Lagar também tem coisas boas, começando logo pelo espaço, repleto de abóbodas à base de tijolo burro, agradável e confortável, guardanapos de pano e música de fundo a meu gosto, embora demasiado alta.
Ao almoço, de 3ª a 6ª feira têm um menú do dia. Por 11 €, tem-se direito ao couvert (2 ou 3 variedades de pão ainda morno, paté de chouriço e azeite misturado com azeitonas e tremoços (!?)), sopa (era gaspacho), prato (polvo à Lagareiro, em dose abundante), vinho a copo e café. Baratíssimo, para uma refeição completa.
Depois de gorada a escolha do tinto, avançou o branco (à escolha entre 2) Assobio 2014 - nariz discreto, muito frutado, boa acidez, volume e final médios. Muito agradável, acompanhou bem o gaspacho, mas não aguentou o polvo. Nota 16,5.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num copo razoável e servida uma boa quantidade.
Em conclusão, O Lagar do Cais é um espaço muito agradável, mas que, infelizmente, não posso aconselhar aos enófilos.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Provar vinhos com a Decante

Este mês de Outubro tem sido pródigo em provas de vinhos, tendo degustado mais de uma centena em pouco tempo. Comecei com a DistriWine (crónica do dia 10), continuei com os Vinhos do Alentejo (crónica em 23) à qual se seguiu a Decante Vinhos (crónica de hoje).
Entretanto, a convite da Revista de Vinhos, fiz parte do painel "A Escolha da Imprensa 2015", tendo provado mais de uma quarentena de vinhos. E ainda faltam as provas no próximo Encontro de Vinhos e Sabores. Uma fartura.
Quanto à prova com a Decante (empresa distribuidora possuidora de um invejável portefólio, com a qual sempre mantive as melhores relações pessoais e institucionais), decorreu uma vez mais no Hotel Ritz. Nesta versão de 2015 tive a oportunidade de rever alguns amigos e conhecidos do mundo do vinho e degustar 40 referências (13 brancos, 23 tintos e 4 fortificados).
Comecei pelos brancos, tendo-me ficado na memória o Qtª do Ameal Loureiro 2005 (impressionante a frescura deste vinho já passados 10 anos), Qtª do Ameal Escolha 2014, Soalheiro Alvarinho Reserva 2014, Soalheiro Alvarinho Terra Matter 2014 (uma novidade que desconhecia) e o Primus 2013. E, logo a seguir: o Qtª Seara d' Ordens Reserva 2014, Gurú 2014, Dão Calcário 2014 e o Secret Spot Lacrau 2013 (que raio de nome!).
Quanto aos tintos, o Passagem Reserva 2012, Poeira 2012, Carrocel Late Release 2011 e Zambujeiro 2011 foram os que mais me impressionaram nesta fase das respectivas vidas. Seguiram-se, alguns prejudicados por serem ainda demasiado jóvens: Qtª La Rosa Reserva 2013, Passadouro Reserva 2013, Qtª da Manoella Vinhas Velhas 2013, Pintas 2013, Vinha Paz Reserva 2012, Pape 2011, Nossa Calcário Baga 2013 e Chocapalha Vinha Mãe 2011.
A terminar, alguns dos fortificados (sem direito a cuspir...), começando pelos belíssimos Moscateis Horácio Simões Roxo Superior 2005 (em Armagnac) e Excellent Roxo, e fechando da melhor maneira com os Madeiras de excepção Borges Sercial 1979 (já aqui referido por diversas vezes) e Borges Verdelho 20 Anos.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Provando Vinhos do Alentejo

Precisamente há uma semana estive no evento "Azeites e Vinhos do Alentejo", patrocinado pela CVRA e Casa do Azeite, que decorreu no CCB (tenda exterior). Pareceu-me bem organizado, com espaço suficiente para a multidão de visitantes poder circular entre as 76 bancas de produtores alentejanos, sem atropelos de maior.
Estavam à prova centenas de vinhos, dos quais apenas consegui degustar uma ínfima parte, precisamente 29 referências, todas tintos. Dos vinhos por mim provados, pouco mais de metade (51,7 %) era de colheitas mais recentes, ou seja, de 2012 e 2013. Confesso que não estava nada à espera de ir provar vinhos já com alguns anos em cima, sendo 8 de 2011 (27,6 % do total), 3 de 2009 e 1 de 2007, 2008 e 2010, o que seria impensável aqui há alguns anos atrás. Tiro o meu chapéu aos produtores que aguentaram os seus vinhos nas respectivas adegas, resistindo à tentação de os porem logo no mercado e realizarem a correspondente quantia.
O vinho que mais me surpreendeu, em primeiro lugar, foi o Nunes Barata Grande Reserva 2011 (projecto que já não é do meu tempo nas Coisas do Arco do Vinho). Grande vinho! Também me ficaram na memória, no mesmo patamar: Monte dos Cabaços Reserva 2008, Telhas 2011 e Qtª do Mouro Rótulo Dourado 2010. E, logo a seguir: Tiago Cabaço Vinhas Velhas 2013, Blog 2011, Pedra Basta 2011, Terrenus Reserva Vinhas Velhas 2012, Malhadinha T.Nacional 2013, Palpite Grande Reserva 2012, Procura 2013, Mouchão 2009, Herdade das Servas Reserva Vinhas Velhas 2012, Qtª da Viçosa Aragonês/Petit Verdot 2012, Cartuxa Reserva 2012, Pinga Amores Reserva 2012 e Lima Mayer Petit Verdot 2011.
Por último, gostei de reviver memórias passadas com o Richard Mayson, produtor de vinhos (sócio do Rui Reguinga no projecto Sonho Lusitano Vinhos) e autor de diversos livros (Port and the Douro e The Wines and Vineyards of Portugal, entre outros), que chegámos a vender nas CAV.
E, para o ano, há mais...

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Mesa do Bairro : restaurante e garrafeira

Há cerca de 2 meses abriu, no antigo mercado do Arco do Cego (R. Luis Gomes), o Mesa do Bairro, que é simultâneamente restaurante (no 1º piso) e garrafeira (ao nível da rua). Tem ainda uma invejável esplanada, com capacidade para 45 pessoas, do melhor que conheço em Lisboa e onde almocei.
Confesso que fui lá, mais movido pela curiosidade, depois de ter lido nalguma imprensa e blogosfera, que este projecto era da autoria do Luis Baena (um chefe criativo que admiro particularmente), regressado de Londres para esse efeito. Afinal não será bem assim. O Luis Baena tem uma parceria com os donos, sendo a componente gastronómica da sua responsabilidade, mas em parceria com a chefe residente Regina Levy.
O menú oferece uma série de entradinhas, mas também pratos de peixe e carne. Os acompanhamentos são à parte. Curioso o conceito que também se encontra no restaurante Descobre, já aqui referido por diversas vezes. Mais, ambos incluem uma garrafeira, onde se comprar vinho para levar para casa ou para consumir no restaurante. A diferença está no custo. Na Mesa do Bairro a taxa de rolha é fixa (6 € por garrafa consumida), enquanto que no Descobre é variável (20 % do preço de garrafeira).
Nesta minha 1ª visita fiquei-me pelo couvert (pão, azeitonas e manteiga de chouriço) e pelas entradinhas, tendo degustado rissois de camarão (2 unidades dos ditos), peixinhos da horta com maionese de coentros (crocantes, com uma pitada de flor de sal) e umas finíssimas pataniscas de bacalhau. Tudo francamente recomendável. Como sobremesa, avançou um belíssimo pastel de nata (reconstruido) com gelado de canela.
Quanto à componente vínica, inventariei 40 brancos (2 a copo), 86 tintos (2 a copo) e 3 rosés, oferta mais que suficiente. Também têm fortificados, mas não constam na lista. É uma boa selecção que inclui os anos de colheita, centrada no Douro e com preços sensatos. Como menos valias, a Bairrada está ausente (os donos não gostam?), o Dão fica-se pelos mínimos e a quantidade de vinhos a copo é insignificante, o que não faz sentido.
Optei por um copo do branco D.Graça 2013 (2,75 €) - frutado, acidez equilibrada, alguma gordura, volume e final de boca médios. Simples e correcto ligou bem com as entradinhas. Nota 16.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num copo aceitável e uma quantidade servida a olho e pouco generosa. Segundo me informaram, os tintos estão com temperatura controlada.
Serviço eficiente e profissional. Já na garrafeira, há por ali falta de experiência.
Como conclusão, gostei francamente desta minha 1ª visita e tenciono voltar, fazendo votos para que sejam corrigidos as falhas apontadas.

sábado, 17 de outubro de 2015

Almoço com vinhos fortificados (21ª sessão) : um confronto entre dois 40 Anos

Esta última sessão com vinhos fortificados decorreu "chez" Ana Maria/Alfredo e teve, como pano de fundo, a inauguração da nova casa deste casal. Ficou tudo por conta deles, isto é, os comeres e os beberes (2 espumantes, 1 branco, 2 tintos e 2 fortificados).
Como bebida de boas vindas, avançaram 2 espumantes, o Beyra 2012 (mais fresco e sem precisar de companhia) e o Borga 2008 (mais consistente e a exigir comida por perto), que se fizeram acompanhar de uma série de aperitivos. De seguida, já com os 14 participantes à mesa, desfilaram:
.Esporão Private Selection 2014 - com base na casta Sémillon; aroma preso, madeira ainda presente a precisar de mais tempo de garrafa, alguma gordura, volume apreciável e final de boca médio. Nota 17.
Foi acompanhado por uma quiche de espinafres, cogumelos e camarão e, ainda, por um excepcional presunto.
.Companhia das Lezírias 1836 Grande Reserva 2012 - com base na casta Alicante Bouschet em vinhas velhas, enologia de Bernardo Cabral; muito carregado na côr, alguma fruta e acidez, concentrado e rústico, taninos ainda algo agressivos, volume e final de boca evidentes. É pedofilia bebê-lo nesta fase. Esperar por ele ainda 3 ou 4 anos. Nota 17,5.
Por coincidência, a Revista de Vinhos de Setembro inclui um painel de prova de vinhos Tejo, no qual este 1836, a par da Marquesa de Cadaval Reserva 2012, ficou em primeiro lugar, também com 17,5.
.Ferreira Reserva Especial 2007 - nariz exuberante, ainda com alguma fruta, belíssima acidez, especiado e complexo, taninos civilizados, volume apreciável e final muito longo. Tem evoluido muito bem e ainda está longe da reforma. Nota 18,5 (noutras situações 18/18).
Estes 2 tintos maridaram muito bem com um bacalhau no forno.
.Graham's 40 Anos (engarrafado em 2014) - notas de citrinos e frutos secos, acidez equilibrada, algum volume e final longo; um belíssimo tawny, mas que não aguentou o embate com o Madeira. Nota 17,5
.Borges Malvasia + 40 Anos (garrafa nº 821 de 1000) - complexidade aromática, frutos secos, vinagrinho evidente, notas de caril e brandy, volumoso e final interminável. Uma raridade preciosa a não dar protagonismo ao tawny. Nota 18,5 (noutras 18+/19).
Estes 2 forfificados foram acompanhados por uma tábua de queijos (que não cheguei a provar), bolo São Marcos e fruta.
Mais uma grande jornada de convívio, acompanhada pelos comeres da Ana Maria e os vinhos do Alfredo. Obrigado anfitriões e parabéns pela casa nova!