terça-feira, 11 de outubro de 2016

Enoturismo no Dão (II) : Paço dos Cunhas de Santar

...continuando:
Pode ler-se na brochura distribuída pela Tryvel "Construido no início do século XVII, e com mais de quatrocentos anos de tradição na produção de vinhos, o Paço dos Cunhas de Santar é um edifício imponente rodeado de vinhas (...)". Com efeito, logo à entrada, está um pendão a dizer "desde 1609 400 Anos de História Paço dos Cunhas".
O grupo foi recebido pela simpática e dinâmica Relações Públicas deste produtor, Ana Paula Teixeira de seu nome, tendo-nos sido servido o vinho de boas vindas, o espumante Cabriz 2013. Com base nas castas Bical, Malvasia e Encruzado, mostrou-se fresco, aromático, bolha fina e notas de pão acabado de cozer.
Na adega esperava-nos o Osvaldo Amado, enólogo da casa, já meu conhecido desta e de outras paragens, que fazia anos nesse dia mas fez questão em estar presente, para receber o grupo e conduzir a prova. Um grande profissional!
Claro que teve direito à tradicional cantiga de parabéns, mais ou menos desafinada.
Em bons copos Schott, provámos:
.Cabriz Reserva 2015 branco - 100 % Encruzado, embora não conste no rótulo; fresco e frutado, boa acidez e mineralidade, um bom exemplar desta belíssima casta que origina alguns dos melhores brancos portugueses. Nota 16,5+.
.Paço dos Cunhas Nature 2013 - um vinho biológico, com base nas castas Touriga Nacional e Aragonês (o enólogo adoptou o nome alentejano da Tinta Roriz); aromático, frutos vermelhos, alguma acidez e taninos de veludo, mas a faltar-lhe alguma consistência. Nota 16,5.
.Casa de Santar Reserva 2012 - com base nas castas Touriga Nacional, Aragonês e Alfrocheiro; aroma mais complexo que o anterior tinto, acidez e taninos equilibrados, bom volume e final de boca; todo ele muito harmonioso e com muitos anos à sua frente. Nota 17,5.
Seguiu-se o almoço numa sala, aliás imponente e majestática, anexa ao restaurante. Mesas bem aparelhadas, azeite Cabriz nas mesas, copos Schott e armários térmicos para controlo das temperaturas de serviço. Muito bem.
Comemos e bebemos:
.entrada - alheira crocante com creme de espinafres (muito aceitável), com o espumante Cabriz que já tinhamos provado à chegada.
.prato - naco de porco (muito seco) com arroz de cogumelos (saborosíssimo), com o tinto Casa de Santar 2013 - nariz discreto, alguma acidez, pouca complexidade, volume e final médios. Merecíamos melhor. Nota 15,5.
.sobremesa - pudim de laranja com gelado (melhor o gelado que o pudim), com o Moscatel do Douro Conde de Sabugal 2009 - demasiado "light" para o meu gosto, embora elegante e equilibrado. Nota 15,5.
Serviço profissional, embora muito demorado,
Este almoço ficou abaixo das minhas expectativas, pois quando lá fiz uma refeição há 2 anos, considerei excelente o restaurante e escolhi-o para o meu Top, como se depreende das minhas crónicas "Rescaldo das férias" e "2014 : na hora do balanço : 10 espaços de restauração", publicadas em 26/7/2014 e 10/1/2015, respectivamente.
No final, visita aos belos jardins e à loja do produtor (não vislumbrei o preçário, o que não se entende).
Mas, críticas àparte, é obrigatório conhecer este produtor e o seu restaurante.
continua...

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