terça-feira, 26 de junho de 2012

Novo Formato+ (6ª sessão): à volta da colheita 2003

Mais uma sessão do grupo Novo Formato+, que se desenrolou, por todo o fim de semana, chez Lena/Juca, em S.Francisco da Serra. A bem dizer, desta vez, o grupo poderia chamar-se Novo Formato+++, atendendo ao facto de ter sido reforçado pelo casal Modesto (pertencente ao núcleo dos jantares com Madeiras) e casal Regueiro (Laura e Gil), donos da Qtª Casa Amarela. Mais uma grande jornada de convívio, amizade, gastronomia de qualidade e vinhos topo de gama.
Os comeres...
Os anfitriões são sobejamente conhecidos por terem mão para a cozinha e não deixarem a fama em mãos alheias. A refeição principal, o almoço de sábado, foi um autêntico banquete. Vejamos, então: como aperitivos, saltaram para a mesa tiborna, salpicão minhoto, salsichão alentejano, requeijão do Cercal com doce de abóbora, tomate seco com queijo fresco e orégãos, canapés com paté, uns com ovo de codorniz e outros com salsicha. Como pratos de substância, alheira transmontana em cama de batata no forno e grelos salteados e, ainda, coelho à Juca com puré de batata. Nas sobremesas, tábua de queijos (Serra amanteigado, Serpa meia cura e Terrincho Qtª da Veiguinha, este último nas versões curado, picante e meia cura), doces (chifon de noz e pinhoadas de Porto Covo) e salada de frutas. Ao jantar, para ter alguma vontade para domingo, fiquei-me por uma sopa de coentros que me soube muito bem. No almoço de domingo, tivemos direito a arroz com miúdos e enchidos, favas guisadas com produtos de charcutaria, ambos os pratos à moda do Juca e, ainda, grelhada de entremeada e enchidos. Tudo num patamar alto de qualidade. Ó Juca, quando é que abres um restaurante?
...e os beberes
O tema principal foi uma prova às cegas de tintos do Douro, colheita 2003, onde só entraram topos de gama. O Juca enganou-nos a todos, pois não se imaginava que pudessm ser do mesmo ano, tais as diferenças de evolução. No meu caso, palpitei de 2001 até 2005. Embora um ou outro esteja no apogeu, a maioria já entrou na fase descendente. O meu conselho, para quem ainda os tenha guardados, é que devem pensar seriamente em consumi-los. Aguardo com muita curiosidade a prova anual da Revista de Vinhos com esta colheita (10 anos depois), a sair em fevereiro do próximo ano.
Quanto ás minhas apreciações, não necessariamente coincidentes com o resto grupo, limitar-me-ei a colocar   as notas que lhes atribuí agora e no passado:
. Batuta - 18+ (noutras situações 16/18,5/17/18+/16,5/18/18/18/17,5+, uma boa série, com algumas garrafas menos interessantes)
. Crasto T.Nacional - 17,5 (noutras 18+/18, a descer portanto)
. CV - 17,5 (noutras 17/18/18,5/17,5/17/18/17,5+/18,5, a mostrar alguma irregularidade)
. Crasto Maria Teresa - 17,5 (noutras 16,5/17/18,5/18+, também na fase descendente)
. Ferreirinha Reserva Especial - 16 (noutras 17,5/17,5/18,5, o grito do cisne?)
. Crasto Vinha da Ponte - 18 (noutras 17,5/19/18,5/17,5/18,5, no caminho da fase descendente)
De qualquer modo, uma prova muito didáctica, algo desconcertante e assaz conclusiva, na minha opinião. Por outro lado, em quantas mesas, seja de enófilos, seja de consumidores com algum poder de compra, se poderia encontrar um painel de vinhos como este? O Juca tratou-nos muito bem, sem qualquer espécie de dúvida!
Para além do tema principal, ainda houve capacidade para se beber (ordem cronológica): espumante Murganheira Assemblage 98 (uns furos abaixo do 95), FEM Verdelho Muito Velho (excelente), Qtª dos Roques Encruzado 08 (alguma desilusão), Moscatel Roxo JMF 71 (excelente), espumante Qtª Poço do Lobo 07 (sempre um valor seguro), Soalheiro Alvarinho 10 em magnum (em forma), Qtª Poço do Lobo Reserva 09 em magnum (excelente relação preço/qualidade), Vallado Reserva 03 (considerado em 2005 o melhor Douro em prova na Wine International Challenge; nota 16,5 agora, no passado 18,5/18,5/16+/17,5/17,5+/15/17+, a mostrar alguma irregularidade e indiciar que já está em queda livre) e, para terminar, FMA Bual 64 (excelente).
Uma grande jornada vínica e gastronómica, com os anfitriões a prometerem mais para o ano. Obrigado Lena e Juca!

1 comentário:

  1. Obrigado,mas não merecemos tão rasgado elogio,só possivel porque não conseguiste abstrair da grande amizade que nos une.Talvez seja interessante publicar o resultado do grupo que,como dizes,não é totalmente coincidente com as tuas pontuações.Assim sendo,aqui vai :

    1º - Qta do Crasto Vinha da Ponte com 18,44
    2º - " " " Maria Teresa " 18,06
    3º - Reserva Esp.Ferreirinha " 17,22
    4º - Batuta " 17,00
    5º - C V " 16,94
    6º - Qta do Crasto Touriga Nacional " 16,39

    NF - A prova foi RIGOROSAMENTE cega,não tendo sido prestada qualquer informação sobre os Vinhos em prova;foram apresentados em decanters,servidos em copos Bordeaux e a uma temperatura inicial na ordem dos 14ºdado a alta temperatura do local.Esquecia-me de dizer que no inicio do almoço foi dito que todos os vinhos em prova eram portugueses.O painel era constituido por 10 enófilos militantes,sendo o abaixo assinado o último a votar por saber quais eram os vinhos.
    E.....para o ano....há mais
    Um abração sincero e reconhecido a todos os participantes. Lena e Juca

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