terça-feira, 3 de julho de 2012

Um dia com a Margarida Cabaço: São Rosas, senhores...

Grande jornada a que a Margarida Cabaço (MC) nos proporcionou neste sábado passado. O passeio a Estremoz foi organizado pelo João Quintela (Garrafeira Néctar das Avenidas), a que aderiram 18 militantes, a maioria dos quais, como não podia deixar de ser, pertenceu ao antigo núcleo duro das CAV. A visita começou no Monte da Azinheira, onde a MC reside com o marido, Joaquim Cabaço, responsável pelas vinhas. Aí visitou-se uma vinha velha e petiscaram-se uns queijos e enchidos, acompanhados pelo branco 2010. A jornada terminou em grande no restaurante São Rosas, com um almoço criado pela dona e que vai ficar na nossa memória. Conheço o restaurante, praticamente desde a sua inauguração em 1994, logo que o José Quitério publicou no Expresso uma crítica altamente elogiosa. A MC, conheci-a, pessoalmente, quando da 2ª edição do jantar "Vinho no Feminino", organizado pelas CAV em 29/4/2005, na sequência de uma ideia/proposta da nossa amiga Laura Regueiro. Nesse jantar foram galardoadas a Maria de Lourdes Modesto (a decana da gastronomia), a Margarida (na qualidade de responsável pelo São Rosas) e a Paula Costa (enófila, amiga e cliente das CAV).
O projecto Monte dos Cabaços nasceu com o Colheita Seleccionada 2001, tendo o 1º Reserva aparecido em 2004 e o 1º branco em 2005. O Luis Duarte foi, inicialmente, o responsável pela enologia e a Susana Esteban, entrada para a equipa em 2006, sucedeu-lhe.
Mas vamos aos comeres e beberes:
.Colheita Seleccionada 2010 branco - com base na casta Roupeiro de vinha velha, a que se juntaram Antão Vaz e Arinto, vinificado exclusivamente em inox - austero, fruta, frescura, alguma complexidade e estrutura, gastronómico. Nota 16,5+. Acompanhou um agradável cogumelo recheado com gambas.
.Margarida 2009 branco - vinho estreme de Encuzado, uma casta que não me parece ainda ambientada ao Alentejo; austero, a madeira ainda muito presente, menos fresco que o anterior. Pode ser que nas próximas colheitas...Nota 15,5. Com este branco avançou uma generosa garoupa com batata esmagada e espargos selvagens.
.Colheita Seleccionada 2006 - fresco, ainda com fruta, notas fumadas e couro, taninos domados, tipicidade evidente, gastronómico, no ponto para ser consumido. Nota 16,5 (tiro o meu chapéu a este produtor, porque só agora vai pôr o 2007 no mercado, em contra-mão com a maioria que já tem à venda a colheita de 2010). Foi lindamente com borrego no forno, batata assada e esparregado.
.Margarida 2008 - com base na casta Syrah, vinificado em lagar e estagiado parcialmente em barricas de carvalho francês; fresco, fruta evidente, fumado, notas especiadas, estruturado ainda com os taninos por domar, final longo, gastronómico. Uma bela surpresa. Nota 18. Acompanhou bem arroz de pombo.
.Reserva 2005 - alguma fruta, algo floral, especiado, notas de tabaco, boa acidez, taninos domesticados, estrutura e bom final de boca. Nota 17,5+. Não gostei da ligação ao pudim de água. Uma pena a MC não produzir Madeiras ou tawnies velhos! 
Estupendo almoço, em que apreciei particularmente os pratos de substância (o borrego e o pombo). Obrigado Margarida, uma cozinheira de mão cheia, uma produtora consistente e, até, pintora responsável por alguns dos rótulos!

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