quinta-feira, 2 de maio de 2013

Os vinhos do João e os vinhos do José

1.Preâmbulo
Foi há 2 semanas que tomei parte num jantar de apresentação e estreia absoluta de vinhos do João Portugal Ramos (JPR) e do José Maria Soares Franco (JMSF), que teve lugar no Feitoria, restaurante do Hotel Altis Belém. Não costumo atrasar-me tanto com notícias desta importância, mas a organização ficou de me facultar a lista de presença dos bloguistas, para memória futura, e não o fez. Caso o venha a fazer, farei um aditamento a esta crónica.
De realçar a consideração que estes 2 excelentes enólogos/produtores  têm por este mundo dos bloguistas de vinhos. O JPR já a tinha demonstrado ver a crónica "João Portugal Ramos e a Blogosfera", publicada em 3/6/2012). Juntou-se-lhe, agora, o JMSF. Fomos tratados como iguais dos restantes convidados, onde estavam quase todos os críticos da nossa praça e outros comentadores das revistas especializadas e de órgãos de comunicação social generalistas, para além de amigos e familiares do JPR e do JMSF. Eu, na qualidade de responsável pelo blogue enófilo militante, fiquei na mesa do JMSF, geograficamente perto do Pedro Gomes (Nova Crítica), Manuel Gonçalves da Silva (Visão), Pedro Garcias (Público) e André Magalhães (Taberna das Flores).
2.Os vinhos do João
.João Portugal Ramos Alvarinho 2012 - cumpriu-se o sonho do JPR em produzir um alvarinho, pois reforçou o seu projecto com uma nova adega e uma enóloga de Monção, por sinal filha do presidente da RVVV; fermentado em barricas, presença de espargos, notas de citrinos, fresco e mineral, nariz discreto mas final longo; demasiado novo, precisa de tempo para se mostrar. Não me impressionou, culpa do meu palato demasiado formatado para a linha Soalheiro. Nota 16,5.
.João Portugal Ramos Estremus 2011 - Estremus é o nome da vinha em solo calcário; o vinho, com base em Alicante e Trincadeira, estagiou em barricas de carvalho francês; opaco, muita fruta vermelha, notas adocicadas, acidez equilibrada, concentrado, arquitectura bem desenhada, está ainda por desbravar. Melhor daqui a 3/4 anos. Nota 17,5.
3.Os vinhos do José
O nome dos vinhos apresentados em 1ª mão tem a haver com a designação científica do Chasco Preto, Oenanthe Leucura, ave rara identificada nas vinhas de Castelo Melhor.
.Duorum O. Leucura Cota 200 2008 - ainda com muita fruta, notas apimentadas, acidez correcta, taninos por domar, concentrado, boca potente, algo pesado e final longo. Consumir desde já ou mais 3/4/ anos. Nota 17.
.Duorum O. Leucura Cota 400 2008 - ainda com fruta, especiado, notas fumadas, belíssima acidez, frescura e elegância, Taninos civilizados, estrutura e e final interminável. Sem pressa para consumir, em forma mais 7/8 anos. Nota 18.
Vão ser vendidos em conjunto, o que considero muito didáctico, para se perceber a influência da altitude na estrutura e longevidade do vinho. Receio é que o preço de venda não seja o mais adequado à situação actual. Espero que os responsáveis comerciais tenham isso em conta.
.Duorum Vintage 2011 - muita côr, concentação, doçura e potência de boca. É um bom exemplar, mas já não estou nesta onda. Mea culpa...
4.Notas finais
.Tudo o que comemos estava correcto, mas não me impressionou (nota - o chefe José Cordeiro já não é o responsável pelos tachos do Feitoria).
.Mais uma boa jornada, graças ao JPR e ao JMSF. Bem hajam!
 

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