quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Vinhos em família (LXIV) : lugar aos brancos

Mais 5 vinhos (4 brancos e 1 rosé) provados com o rótulo à vista, todos eles altamente credenciados e elogiados. Mas, paradoxalmente, nenhum deles me apaixonou. Devo ter o palato formatado para a casta Alvarinho que não está presente em nenhum destes vinhos agora provados.
1.Séries Terrantez do Pico by António Maçanita 2013 (garrafa nº 279 de 646, uma raridade!) -  nariz austero, fresco e mineral, alguma gordura e volume, bom final. Uma relativa desilusão e preço inflacionado, provocado pelos 91 pontos atribuidos pela Wine Advocate, a revista do famoso Parker. De qualquer modo, um trabalho notável do António Maçanita na recuperação desta casta, dada como perdida. Nota 16,5.
2.Dão António Madeira 2013 (Sub Região Serra da Estrela) - com base nas castas Síria (75 %), Fernão Pires e Bical; nariz complexo, presença de citrinos e alguma fruta madura, notas abaunilhadas, acidez no ponto e mineralidade, volume médio; gastronómico, precisa de comida por perto. Prevejo-lhe uma longevidade apreciável. O Dirk Niepoort apostou nele e esteve à venda no site Projectos Niepoort, mas esgotou rapidamente. Nota 17,5+.
O produtor e enólogo tem um blogue interessante (vinhotibicadas.blogspot.pt).
3.Esporão Verdelho 2014 - fermentou em cubas de inox; nariz exuberante, fresco e mineral, elegante, volume e final médios; muito agradável, mas falta-lhe a complexidade e estrutura dos brancos de eleição. Foi uma das 68 medalhas de ouro no Concurso Vinhos de Portugal 2015, tendo sido considerado na finalíssima que decorreu no Solar do Vinho do Dão, o melhor vinho em prova. Nota 16,5+.
4.Vallado Prima 2014 - com base na casta Moscatel Galego (100 %); nariz exuberante, casta bem presente, incrivelmente fresco e mineral, pode ser bebido a solo, embora tenha algum volume e final de boca. Foi o vencedor do painel da Fugas dedicado aos vinhos de verão, em prova a solo e com comida. Nota 17,5.
5.Qtª Poço do Lobo Reserva 2014 rosé - com base nas castas Baga e Pinot Noir, passou por madeira avinhada; côr rosa desmaiada, nariz austero, notas florais, belíssima acidez, algum volume e final seco; gastronómico. Se provado às cegas, não parece um rosé, antes um branco encorpado. Um rosé muito interessante, a perder apenas com o Barranco Longo, a minha referência. Nota 16,5+.

7 comentários:

  1. O Rosé do Poço do Lobo é interessante e desalinhado dos rosés mais frutados; Barranco Longo na versão com madeira também tem uma complexidade que o faz diferir dos rosés nacionais pela positiva, mas experimente o Tears of Anima da Herdade do Portocarro. Um Rosé como não há igual em Portugal. Complexidade, mineralidade, acidez, fruta pura mas subtil, um mimo!

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    1. Caro anónimo (não quer identificar-se?),
      Obrigado pela informação, mas pode completá-la com a indicação do ano de colheita?

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  2. Francisco, como estou "dentro" do projecto e tenho-o acompanhado desde a primeira hora. Os vinhos do Antonio Madeira tem o apoio do Luis Lopes (Quinta da Pellada). Relativamente aos brancos, não possuem qualquer estágio ou passagem por madeira. Espero não estar enganado. Os tintos têm madeira usada. As vinhas tanto nos tintos como nos brancos são caracterizadas por ter muita idade, bem como muitas castas misturadas, não havendo a predominância de qualquer uma delas. O encruzado nas brancas e a touriga nacional são muito minoritárias. Espero não ter cometido nenhuma falha. Um abraço Rui

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    1. Caríssimo Rui,
      Obrigado pelas achegas. Desconhecia a participação do enólogo Luis Lopes. Sempre a aprender!
      Quanto às castas, li algures a predominância da Síria, mas se calhar não é verdade, pois estamos face a vinhas velhas.
      Um abraço.

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    2. Afinal sempre é verdade, li na própria ficha técnica deste vinho.

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  3. Caro Francisco, rectificado :) De qualquer modo, estamos a falar de vinhos provenientes de vinhas muito velhas, com a presença de castas que quase estão extintas ou com presença residual na região do Dão. Existem na calha mais novidades e que parecem ser um salto qualitativo relativamente às que estão no mercado (vv tinto11 e vv tinto12 e br 13). Um forte abraço

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