Os novos vinhos da Casa da Passarela foram apresentados no decorrer de um jantar organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas, em parceria com o Real Palácio Hotel. Não é a primeira vez que provei os vinhos da Passarela. Já em finais do ano passado participei num jantar vínico, igualmente organizado pelo João Quintela , mas, dessa vez, em parceria com As Colunas (ver crónica "Jantar Casa da Passarela", publicada em 5/12/2012).
Os novos vinhos, apresentados pelo enólogo Paulo Nunes, contam histórias que podem ser lidas nos respectivos contra-rótulos e têm nomes tão sugestivos como "O Brazileiro" (rosé), "A Descoberta" (branco e tinto) e "O Enólogo" (branco e tinto).
A ementa, a cargo do chefe Ricardo Mourão (já aqui mencionado na crónica "Lisboa Restaurant Week: a confirmação e a surpresa", em 11/4/2011), com base no bacalhau, voltou a surpreender pela positiva, excepção feita ao atrevimento da sobremesa, que não resultou de todo.
Vamos, então, às novidades apresentadas:
.O Brazileiro 2012 - com base na Touriga Nacional e Tinta Roriz estagiou em barrica (20%); simples e imediato, fresco e mineral. Nota 15,5.
Acompanhou uma série de canapés de qualidade.
.A Descoberta 2012 branco - composto por Encruzado, Malvasia (45% de cada) e Verdelho (10%); nariz exuberante, presença de citrinos, fresco e mineral, notas vegetais, alguma untuosidade e bom final; bom preço (5 €) para a qualidade apresentada. Nota 16,5.
.O Enólogo 2012 branco - monovarietal de Encruzado, estagiando em barricas novas de carvalho francês (25%); nariz contido, mais complexo na boca, precisa de tempo de garrafa para se mostrar, acidez equilibrada, estrutura e bom final; melhorou quando a temperatura subiu no copo. Boa relação preço/qualidade (11 €). Nota 17.
Os brancos fizeram boa companhia a creme de bacalhau com saladinha fresca de marisco.
.A Descoberta 2010 tinto - com base na Tinta Roriz (casta maioritária), T.Nacional, Alfrocheiro e Jaen; juventude, muita fruta, acidez equilibrada, alguma rusticidade, estrutura e final médios. Nota 16.
.O Enólogo Vinhas Velhas 2009 tinto - complexidade aromática, especiado, notas de tabaco e chocolate, boa acidez, madeira fina, boca potente, mas com taninos macios e final muito longo; perfil moderno. Nota 18.
Os tintos maridaram com um lombo de bacalhau meia cura com grelos e batata ao sal.
No final foram servidos os Villa Oliveira 2011 Encruzado e 2009 T.Nacional, já apresentados anteriormente no jantar de dezembro 2012, que acompanharam as sobremesas.
O crepe de gelado de bacalhau e espuma de poejo não funcionou e o queijo de cabra caramelizado com telha crocante, que estava francamente bom, ligou muito bem com o Encruzado e pouco com o Touriga.
Uma nota final, a diferença de qualidade entre a linha O Enólogo e a Villa Oliveira, que é mínima, não justifica a diferença de preço. Os Villa Oliveira custam praticamente o dobro dos O Enólogo, o que não se entende. À reflexão dos responsáveis.
Em conclusão, mais uma boa jornada. Obrigado, João!
quinta-feira, 4 de julho de 2013
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