Mais um evento vínico organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas que decorreu na Casa da Dízima, com a presença do produtor João Grave e do enólogo responsável pelo Carcavelos.
A gastronomia, os copos, as temperaturas dos vinhos, as harmonizações e o serviço, sob a batuta do Pedro Batista, estiveram à altura dos acontecimentos.
Desfilaram:
.Pêra Grave 2018 branco - com base nas castas Arinto, Verdelho e Alvarinho; nariz exuberante, muito fresco e mineral, presença de citrinos, acidez equilibrada, volume e final de boca médios (12,5 % vol.). Perfil pouco alentejano, com uma óptima relação preço/qualidade. Uma boa surpresa. Nota 16,5+.
Este branco maridou com o couvert e lombo de cachaço de porco preto e, ainda, com os camarões que acompanharam o vinho que veio a seguir.
.Pera Grave Alvarinho 2018 - nariz contido, notas cítricas e tropicais, alguma acidez e volume, final de boca médio (12 % vol.). Agradável, mas tem pouco a haver com a casta no seu berço de origem. Nota 16,5.
Este branco acompanhou gambas de Moçambique com massa tafi.
.Pêra Grave 2017 tinto - com base nas castas Syrah, Alicante Bouschet, Aragonês e Cabernet Sauvignon, estagiou 1 ano em barricas usadas; muita fruta, alguma frescura, notas apimentadas, taninos civilizados, volume médio e final de boca adocicado (14 % vol.). Perfil tipicamente alentejano, com um boa relação preço/qualidade. Ainda muito jovem, precisa de tempo para se mostrar. A beber nos próximos 4/5 anos. Nota 17.
Maridou com galinha em caril à goesa.
.Pêra Grave Reserva 2016 - com base nas castas Touriga Nacional e Syrah, estagiou em barricas de carvalho francês novas e usadas; perfil algo semelhante ao anterior, mas com maior intensidade aromática, alguma acidez e especiarias, taninos mais presentes, volume e final de boca assinaláveis (14,5 % vol.). Elegante e sofisticado, com uma boa relação preço/qualidade. A beber nos próximos 6/7 anos. Nota 18.
.Pêra Grave Grande Reserva 2015 - com base nas castas Syrah e Alicante Bouschet, estagiou 24 meses em barricas novas; mais complexo que o anterior, frutado e fresco, especiado, taninos de veludo, volume e final de boca de respeito. A beber nos próximos 8 a 10 anos. Um único senão, o seu preço excessivo. Nota 18,5.
Estes 2 tintos casaram bem com um medalhão de javali sobre puré de castanhas.
Resta dizer que o enólogo responsável é o Nuno Cancela de Abreu, já nosso conhecido de há muito tempo e que os vinhos deste produtor foram uma boa surpresa para quem os não conhecia, como era o meu caso. Lamenta-se que estejam um pouco fora dos radares da crítica especializada.
.Carcavelos Villa Oeiras Superior 15 Anos - com base nas castas Arinto, Galego Dourado e Ratinho, estagiou 15 anos em barricas de carvalho português e francês; notas de tangerina, casca de laranja e brandy, alguma acidez, gordura e volume e final de boca longo. Para quem tenha o palato aferido aos Madeiras e tawnies velhos, este fortificado passa um pouco por baixo. Nota 17.
terça-feira, 19 de novembro de 2019
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