quinta-feira, 17 de agosto de 2023

O regresso ao Douro em 10 momentos e 1 introdução (VII)

 continuando...


9º MOMENTO - Almoço na Cozinha da Clara (Quinta de La Rosa) - 4,5 *


" (...) o rio majestoso a serpentear pelos montes, o trabalho humano contido nas dezenas de milhar de hectares de vinhas, a miríade de cores e de  cambiantes de luminosidade, as estrelas numa noite de verão e tantas outras coisa mais que tornam, de facto, o Douro único (...) deixou a sua marca (...)" 

Paul Symington in "Roriz, História de uma Quinta no coração do Douro" de Gaspar Martins Pereira (Edições Afrontamento, 2011)


A última etapa deste regresso ao Douro foi na Quinta de La Rosa, para onde nos dirigimos para almoçar no restaurante "Cozinha da Clara". Clara é um aportuguesamento de Claire, o nome da avó da proprietária, a Sophia Bergqvist. Nem a Sophia nem o Jorge Moreira (o responsável pela enologia) que conheço há uma série de anos, estavam presentes. Uma pena ...

Mas antes de nos dirigirmos para o almoço passámos pela loja da quinta, onde se pode comprar praticamente todo o portefólio deste conceituado produtor do Douro. Inventariei 4 vinhos brancos, 6 tintos, 1 rosé, 15 fortificados (!), 4 cervejas artesanais e 1 azeite. É obra!


O restaurante fica uns pisos abaixo, com uma vista inesquecível para o rio. Mas, lamentavelmente, não foi ali que almoçámos mas sim numa zona para grupos. Embora também usufruisse da mesma vista para quem estivesse de frente (meio grupo estava de costas), não é a mesma coisa. Uma pena...

Na mesa, copos Riedel (um luxo!), pratos e talheres da Vista Alegre.

Desfilaram:

.La Rosa 2022 branco (nota 17,5) com terrina de polvo com tinta de choco (agradável)

.Quinta La Rosa 2019 tinto (17,5+) com cabrito, batatas e arroz de forno (muito bom)

.Porto Quinta La Rosa 10 Anos (17,5) com pão de ló de Ovar e gelado (agradável)

Serviço despachado e profissional.


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terça-feira, 15 de agosto de 2023

O regresso ao Douro em 10 momentos e 1 introdução (VI)

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6º MOMENTO - Viagem no Comboio Histórico do Douro


" (...) Fruto da natureza, o alto Douro é também, e acima de tudo, obra do homem, que soube aproveitar as capacidades naturais da região, que modelou as suas declinosas vertentes em socalcos, modificando profundamente a sua aparência (...)"

Ceferino Carrera in "Vinho do Porto e a Região do Douro" (Colares Editora, 2007)


"A viagem pela Linha do Douro, entre a Régua e o Tua, é uma experiência única que permite apreciar as belas paisagens do Douro Vinhateiro, Património Mundial da UNESCO desde 2001 e que representa o trabalho do Homem integrado com a natureza (...)"

in brochura "Comboio Histórico do Douro" (edição Comboios de Portugal e Casa Ferreira)


No início do passeio Régua, Covelinhas (Quinta dos Murças), Pinhão, Tua, Pinhão e Régua, foi-nos oferecido um lanche que incluia uma garrafa de água e um copo de Vinho do Porto Ferreira Ruby à temperatura ambiente, logo quente! Não havia necessidade...

Ao longo da viagem fomos acompanhados por um simpático rancho folclórico que não deu hipótese a que alguém adormecesse. Pela minha parte, fui identificando uma série de quintas, umas mais famosas que outras, muitas das quais do meu conhecimento presencial.

Foi, de facto, um passeio histórico!


7º MOMENTO - São Leonardo da Galafura


"O autocarro segue em curvas e contracurvas pela via estreita que conduz ao cume da elevação. Para. Abrem-se as portas. Os turistas descem, aparelham as máquinas, disparam em todas as direcções, trocam interjeições de admiração.

O guia, repete a mesma fraseologia de cada uma e de todas as excursões:

o poema de Miguel Torga a São Leonardo de Galafura está gravado naquela pedra ali adiante. Podem fotografar à vontade (...)"

Vitor Wladimiro Ferreira in "Vinho do Porto e a Região do Douro" de Ceferino Carrera (já citado no 6º momento)


E assim, também o fiz. Fotografei o poema do Miguel Torga que passo a transcrever:

"S. Leonardo de Galafura


À proa dum navio de penedos,

a navegar num doce mar de mosto,

capitão no seu posto

de comando,

S. Leonardo vai sulcando

as ondas

da eternidade,

sem pressa de chegar ao seu destino,

ancorado e feliz no cais humano,

é num antecipado desengano

que ruma em direcção ao cais divino.


Lá não terá vinhedos

nem socalcos

na menina dos olhos

deslumbrados;

doiros desaguados

serão charcos de luz

envelhecida;

rasos, todos os montes

deixarão prolongar os horizontes

até onde se extinga a cor da vida.


Por isso, é devagar que se aproxima

da bem-aventurança.

É lentamente que o rabelo avança

debaixo dos seus pés de marinheiro.

E cada hora a mais que gasta no caminho 

é um sorvo a mais de cheiro

a terra e a rosmaninho."


Miguel Torga in Diário IX

Nota - o original fotografado está todo em maiúsculas


8º MOMENTO - Espaço Miguel Torga


" (...) Nos vales dos afluentes do Douro vamos encontrar a mesma paisagem, com a vinha  a marcar a quase totalidade da actividade agrícola. Aqui quem manda é o vinho, por estas zonas o ano começa e acaba em função das vindimas, é o vinho que marca a cadência do quotidiano (...)"

João Paulo Martins in "O Prazer do Vinho do Porto" (Publicações Dom Quixote, 2011)


No folheto do Município de Sabrosa lê-se:

"O Espaço Miguel Torga, da autoria do arquiteto Eduardo Soto Moura, localiza-se na freguesia de São Martinho da Anta, em Sabrosa, no distrito de Vila Real. Este equipamento cultural tem como objetivos a salvaguarda e difusão da obra do escritor Miguel Torga, nascido em São Martinho da Anta, (...)"

Visitámos este elucidativo e imperdível espaço e, ainda, a casa onde viveu alguns anos.

Da sua vida retiro estas datas:

.12/8/1907 - nasce como Adolfo Correia Rocha

.1933 - licencia-se em medicina

.1934 - adopta o nome literário de Miguel Torga

.1939 - preso pela PVDE (a antecessora da PIDE)

.27/7/1940 - casa com Andrée Cabbré

.17/1/1995 - falece

Mais informações em www.espacomigueltorga.pt


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sábado, 12 de agosto de 2023

Os vinhos do Papa e a ignorância dos "media"

 Quem levantou a lebre sobre a ignorância dos media foi o Pedro Garcias, jornalista e crítico de vinhos na Fugas (Público), ao mencionar uma notícia do Expresso (on line?) intitulada "É branco, de Almeirim e custa 30 € : conheça o vinho que vai ser servido ao Papa no voo de regresso a Roma". O autor da notícia referia que o vinho (Marquesa de Alorna Grande Reserva 2019 *) estava à venda nas garrafeiras e super mercados por 30 € e era feito a partir das castas "Lezíria & Charneca, Argilo-Arenoso e Franco-Arenoso" !?

Santa ignorância...


Mas chamemos os bois (sem ofensa para os jornalistas envolvidos) pelos nomes. O artigo referido pelo Pedro Garcias foi publicado pelo jornalista Fernando Brandão do Boa Cama Boa Mesa (Expresso) ainda no dia 31 de Julho. Antes de ter publicado tal dislate, bem podia ter perguntado ao João Paulo Martins que também escreve no Expresso.

Esta asneirada foi replicada noutros espaços, nomeadamente nas plataformas Life Style (Sapo), NIT (jornalista João Serra) e Marketeer.


Mais, noutra plataforma que não consegui identificar, um jornalista confundiu o Graham's Single Harvest 1974 (que custa cerca de 400 €) com o vinho branco e escreveu, convictamente, que este Porto custava 30 € e estava à venda nos super mercados !?

Santa ignorância...


* outro ignorante escreveu Marquesa de Alorna Grande, reserva de 2019 !?

Santa ignorância...

quinta-feira, 10 de agosto de 2023

O regresso ao Douro em 10 momentos e 1 introdução (V)

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5º MOMENTO - Fundação Eça de Queiroz

"Tenho para mim que o Douro é a mais fascinante e a mais bela região vitivinícola do Mundo. Não se trata aqui de patriotismo cego, mas de reconhecer que há algo de divino nesta paisagem construida milénio após milénio pelo homem (...)"

José António Salvador in "Portugal Vinhos Cultura e Tradição" - 2º volume (Circulo de Leitores, 2006)


Visita à Fundação Eça de Queiroz


"Assim, vagarosamente e maravilhados, chegámos àquela avenida de faias, que sempre me encantara pela sua fidalga gravidade (...) E ao fundo das faias, com efeito, aparecia o portão da quinta de Tormes, com o seu brasão de armas, de secular granito, que o musgo retocava e mais envelhecia"

in "A Cidade e as Serras" (retirado da ementa do almoço)


A visita guiada à Casa de Tormes, onde se situa a Fundação Eça de Queiroz, foi conduzida pela técnica cultural Sandra Melo que foi, sem favor, deveras brilhante. 

A visita também incluia a visualização de um video sobre o Eça, a família e a casa, para além da antiga adega agora transformada em loja. Aqui pode-se comprar o vinho Tormes 2021, destacando-se no rótulo a figura do Eça desenhada pelo João Abel Manta. O vinho resultou de uma parceria da Fundação com o produtor Covela (Lima & Smith). O enólogo é o conceituado Rui Cunha, o que nos dá à partida uma garantia de qualidade. 


Almoço Queirosiano no Restaurante de Tormes - 5 *


A ementa constava de:

.um festival de entradas (foi um extra, pois o Eça nunca o referiu)

.caldo de galinha com fígado e moela (a grande diferença é a de que no tempo do Eça era galinha e agora frango de aviário, penso eu)

.arroz de favas (levava frango frito, também não referido pelo Eça)

.creme queimado

Com excepção das entradas (um extra), no menu impresso que nos foi distribuido constavam frases laudatórias alusivas aos pratos servidos, retiradas de "A Cidade e as Serras". Uma mais valia.

Tudo isto bem acompanhado pelo vinho da casa, o Tormes 2022, com base nas castas Avesso e Arinto (nota 17).

Serviço competente.


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terça-feira, 8 de agosto de 2023

O regresso ao Douro em 10 momentos e 1 introdução (IV)

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4º MOMENTO - Hotel Vila Galé Collection Douro

"(...) O Vale do Douro caracteriza-se por encostas declivosas (...) As vinhas foram originalmente plantadas em terraços ou plataformas designadas por socalcos (...) Na década de 70 uma técnica mais económica de plantio das vinhas foi desenvolvida: as vinhas eram plantadas por patamares (...)" 

A. Forrester Zamith in "Guia do Vinho do Porto para o Apreciador" (Chaves Ferreira Publicações, 2001)


Eu já conhecia este atraente hotel, bem situado frente à Régua e com uma vista espectacular para o rio e para a cidade. Na altura chamava-se Douro River Hotel & SPA, como referi na crónica

"Rescaldo da ida ao Douro (V) : o que ficou por dizer"


O restaurante, onde jantámos por 2 vezes, dá pelo nome de Inevitável. Na ementa e para os hóspedes individuais constam 6 entradas, 5 pratos de peixe, 7 de carne e 5 sobremesas.

Para o grupo, além de pão aquecido e do azeite Val Moreira (produto pertencente aos proprietários do hotel), foi servido ao jantar:

6ª feira

.alheira com ovo de codorniz

.robalo com puré de ervilhas e legumes salteados

.folhado de maçã com gelado de baunilha

Sábado

.sopa de legumes

.bacalhau confitado

.tarte de amêndoa

Gastronomia agradável, mas sem fazer subir aos céus.


Quanto à componente vínica, inventariei:

.1 champanhe

.2 espumantes

.12 vinhos brancos (2 a copo)

.12 vinhos tintos (3 a copo)

.2 vinhos rosé (ambos a copo)

.5 Vinhos do Porto

Lista curta, sem indicação dos anos de colheita e quase exclusivamente centrada nos vinhos do proprietário:

.Santa Vitória (Alentejo)

.Val Moreira (Douro)


Nos 2 jantares, foram-nos servidos os alentejanos Santa Vitória Versátil branco e tinto, tendo eu apenas provado o branco de 2022 (Nota 16,5).

Ora, estando no Douro, não faz qualquer sentido terem servido vinhos do Alentejo, tendo o proprietário vinhos do Douro (Val Moreira branco e tinto). Mais, os copos onde forma servidos os vinhos alentejanos Versátil têm gravado o nome dos vinhos do Douro (Val Moreira)! Uma dupla contradição...


Finalmente, o serviço no restaurante. Eficiente, profissional e simpático, com destaque para uma das empregadas (a escançã?) que se destacou no serviço dos vinhos. O maior elogio que lhe posso fazer: se eu tivesse um restaurante, contratava-a!


continua...

domingo, 6 de agosto de 2023

Curtas (CXLVIII) : O regresso ao Douro, Prémios W, Portugal WOWtêntico e The Fork Summer

1.O regresso ao Douro

Depois do interregno desta semana, na próxima 3ª feira voltarei a este tema, com mais 1 ou 2 momentos.


2.Prémios W 2023

O Aníbal Coutinho, o senhor 5 em 1 que sabe de tudo e mais alguma coisa, acabou de publicar o Top 10 de Garrafeiras/Lojas de Vinho. Mais uma vez, a Néctar das Avenidas, a única garrafeira em Lisbos que trabalha e promove o vinho, ficou esquecida.

Remeto os interessados para o que publiquei e 2022 sobre esta questão:

."Curtas (CXXXVIII) : (...), Prémios W, (...)"


3.Portugal WOWtêntico

De 10 a 15 de Agosto, o WOW em Gaia organiza uma série de actividades culturais no Museu do Vinho, Museu da Cortiça e Pink Palace, entre outros espaços.

De destacar, ainda, a Exposição Colectiva "a arte no mundo do vinho".


4.The Fork Summer

Até 21 Setembro, uma série de restaurantes aderentes concedem um desconto de 50 % através de reserva na plataforma The Fork. É de aproveitar!

terça-feira, 1 de agosto de 2023

L - Tasca e outros espaços de restauração

 1. L - Tasca by Maria Peixeira - 4 *

Mais um restaurante badalado nalguma imprensa e que me despertou curiosidade. Fica na Rua do Alecrim,5 mas passa despercebido a quem por ali transita.

Quando entrei, pareceu-me que estava num bar para o pessoal da noite, tal era a escuridão (acenderam as luzes de imediato). Também estava muito calor, o que torna o espaço algo desconfortável (ligaram o ar condicionado passado algum tempo). Em música de fundo, um faduncho nada interessante.

Na mesa um toalhete ementa em plástico, guardanapo de pano e um copo aceitável. Decoração muito original.


Na ementa, deveras inusual, consta:

.Forra o bucho (couvert e entradas) - 12

.Enche a mula! (pratos principais) - 10

.Lambe as beiças (sobremesas) - 5

Desta oferta, escolhi filetes de biqueirão com arroz de grelos e mousse de chocolate negro (70 %) com redução de ginja e flor de sal. Estavam ambos muito bem apresentados e saborosíssimos. A componente gastronómica é, de longe, o forte deste restaurante. 


Quanto à componente vínica, inventariei 1 espumante, 11 brancos (5 a copo), 7 tintos (3), 2 rosés (1), 4 Portos e 1 Moscatel. Lista curta e pouco ambiciosa, sem anos de colheita nem cervejas artesanais, com alguns erros, mas original pois vem como se fosse um rótulo de garrafa magnum.

Optei por um copo do branco Passagem 2021 by La Rosa (6,50 €, uma exorbitância) - cítrico e mineral, acidez vibrante, volume médio e um bom final de boca. Ligou bem com o prato. Nota 17.

A garrafa veio à mesa, dada a provar e servida uma quantidade generosa.


2. Outros espaços de restauração, classificados de 1 a 5 *

Com 5

.Salsa & Coentros

.Taberna Albricoque

Com 4,5

.Catch Me

.Prova-Enoteca Restelo

.Relento (Algés)

.Re' Tasco

.Tasca da Memória

.Zambeze

Com 4

.Impulso (Hotel Riverside)

.Le Petit (Algés)

.O Frade (Mercado da Ribeira)

Com 3,5

.Ganasha Palace (indiano)

.King Kimchi (coreano)

.Provincia (italiano)