quinta-feira, 4 de julho de 2013

Novos vinhos da Casa da Passarela

Os novos vinhos da Casa da Passarela foram apresentados no decorrer de um jantar organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas, em parceria com o Real Palácio Hotel. Não é a primeira vez que provei os vinhos da Passarela. Já em finais do ano passado participei num jantar vínico, igualmente organizado pelo João Quintela , mas, dessa vez, em parceria com As Colunas (ver crónica "Jantar Casa da Passarela", publicada em 5/12/2012).
Os novos vinhos, apresentados pelo enólogo Paulo Nunes, contam histórias que podem ser lidas nos respectivos contra-rótulos e têm nomes tão sugestivos como "O Brazileiro" (rosé), "A Descoberta" (branco e tinto) e "O Enólogo" (branco e tinto).
A ementa, a cargo do chefe Ricardo Mourão (já aqui mencionado na crónica "Lisboa Restaurant Week: a confirmação e a surpresa", em 11/4/2011), com base no bacalhau, voltou a surpreender pela positiva, excepção feita ao atrevimento da sobremesa, que não resultou de todo.
Vamos, então, às novidades apresentadas:
.O Brazileiro 2012 - com base na Touriga Nacional e Tinta Roriz estagiou em barrica (20%); simples e imediato, fresco e mineral. Nota 15,5.
Acompanhou uma série de canapés de qualidade.
.A Descoberta 2012 branco - composto por Encruzado, Malvasia (45% de cada) e Verdelho (10%); nariz exuberante, presença de citrinos, fresco e mineral, notas vegetais, alguma untuosidade e bom final; bom preço (5 €) para a qualidade apresentada. Nota 16,5.
.O Enólogo 2012 branco - monovarietal de Encruzado, estagiando em barricas novas de carvalho francês (25%); nariz contido, mais complexo na boca, precisa de tempo de garrafa para se mostrar, acidez equilibrada, estrutura e bom final; melhorou quando a temperatura subiu no copo. Boa relação preço/qualidade (11 €). Nota 17.
Os brancos fizeram boa companhia a creme de bacalhau com saladinha fresca de marisco.
.A Descoberta 2010 tinto - com base na Tinta Roriz (casta maioritária), T.Nacional, Alfrocheiro e Jaen; juventude, muita fruta, acidez equilibrada, alguma rusticidade, estrutura e final médios. Nota 16.
.O Enólogo Vinhas Velhas 2009 tinto - complexidade aromática, especiado, notas de tabaco e chocolate, boa acidez, madeira fina, boca potente, mas com taninos macios e final muito longo; perfil moderno. Nota 18. 
Os tintos maridaram com um lombo de bacalhau meia cura com grelos e batata ao sal.
No final foram servidos os Villa Oliveira 2011 Encruzado e 2009 T.Nacional, já apresentados anteriormente no jantar de dezembro 2012, que acompanharam as sobremesas.
O crepe de gelado de bacalhau e espuma de poejo não funcionou e o queijo de cabra caramelizado com telha crocante, que estava francamente bom, ligou muito bem com o Encruzado e pouco com o Touriga.
Uma nota final, a diferença de qualidade entre a linha O Enólogo e a Villa Oliveira, que é mínima, não justifica a diferença de preço. Os Villa Oliveira custam praticamente o dobro dos O Enólogo, o que não se entende. À reflexão dos responsáveis.
Em conclusão, mais uma boa jornada. Obrigado, João!

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