Após um longo interregno (a 57ª sessão foi em Junho), este grupo de enófilos da linha dura retomou as actividades vínicas. Os vinhos (1 branco, 2 tintos e 1 Porto) sairam da minha garrafeira e, para o repasto, escolhi o restaurante Numni já aqui referido em "Lumni : o novo poiso do chefe Miguel Castro e Silva", crónica publicada em 1/8/2017.
Foi um grande almoço, com o chefe Miguel Castro e Silva (MCS)* inspirado e presente ao longo de todo o repasto e o serviço de vinhos (temperaturas, copos e "timing"), a cargo do João Gomes, a correr muito bem. Resta dizer que todos os vinhos, previamente decantados, foram provados às cegas.
Desfilaram:
.Marquês de Marialva Grande Reserva 2013 (engarrafado em 2016) - enologia do Osvaldo Amado, com base na casta Arinto (100 %) estagiou 12 meses em barrica e 6 em garrafa; alguma oxidação nobre, fruta madura, acidez equilibrada, notas amanteigadas, algum volume e final de boca. Um branco austero, contra a corrente e gastronómico. "Descobri-o" no último Bairradão. Nota 17,5+.
Acompanhou o couver e a entrada de 3 peixes (atum braseado, robalo marinado e tártaro de camarão), mas passou-lhe por cima. Iria melhor com um peixe no forno (esta entrada harmonizava bem com um Alvarinho).
.Palácio da Bacalhôa 2009 - foi Prémio Excelência 2015 atribuído pela antiga Revista de Vinhos e obteve 94 pontos na Wine Enthusiast; com base nas castas Cabernet Sauvignon (68 %), Merlot (28 %) e Petit Verdot, estagiou 16 meses em barrica e 12 em garrafa; aromas terciários, acidez bem presente, especiado, taninos evidentes, algum volume e final de boca extenso. Complexo, fresco e elegante. Está no ponto óptimo de consumo. Nota 18.
Harmonizou bem com o bacalhau à Gomes de Sá com azeite da Qtª de Ventozelo.
.Passagem Reserva 2009 (uma das 2200 garrafas produzidas) - considerado pela Essência do Vinho o melhor tinto do ano (em 2016) e obteve 95 pontos no Parker; enologia do Jorge Moreira, com base nas castas Touriga Franca (45 %), Touriga Nacional (40 %) e Tinto Cão (15 %), só foi lançado em 2016!; nariz exuberante, ainda com fruta vermelha, acidez no ponto, notas especiadas, grande estrutura e final de boca muito persistente. Muito complexo e longe da reforma, pode ser bebido nos próximos 7/8 anos. O Douro no seu melhor! Nota 18,5+.
Casou bem com uma costela mendinha e risotto de sepes.
.Dalva Colheita 1985 - bem pontuado pela Jancis Robinson (18 em 20); frutos secos, casca de laranja, acidez equilibrada, notas de iodo e brandy, taninos ainda bem presentes, volume e final de boca consideráveis. Com um tawny desta qualidade, dispenso bem um vintage. Nota 18,5.
Acompanhou uma pera caramelizada com gorgonzola, o elo mais fraco de um excelente repasto.
Foi mais uma grande sessão, com vinhos e gastronomia de eleição.
* o chefe MCS, além deste Lumni, também é responsável pela gastronomia do Less (Embaixada, no Príncipe Real), cafetaria da Pollux (Rua dos Fanqueiros), cafetaria do Museu da Gulbenkian e, desde há pouco tempo, pelo Mercado (cafetaria do Hotel Lumiares).
terça-feira, 21 de novembro de 2017
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