Participei, recentemente, em mais um dos jantares vínicos organizados pela Garrafeira Néctar das Avenidas, desta vez com vinhos da Herdade do Mouchão que foram apresentados pelo Iain Reynolds Richardson, proprietário, gestor e enólogo desta marca. Louve-se este produtor que é um dos raros, no Alentejo e não só, que não tem pressa em pôr no mercado os seus vinhos de gama alta.
Foram 6 vinhos tranquilos, dos quais já tinha provado 3 na Herdade e dado conhecimento na crónica "Mais provas (Vinicom e Herdade do Mouchão)", publicada em 23/5/2019.
O evento decorreu no Via Graça, com o João Bandeira a superintender nos tachos e o Fernando Zacarias a orientar o serviço de vinhos, a confirmarem o que tenho dito sobre eles. A acrescentar o bom ritmo do serviço e os copos Riedel para os vinhos, um luxo!
Desfilaram:
.Dom Rafael 2018 branco - com base nas castas Antão Vaz e Arinto em vinhas com mais de 20 anos; fresco e mineral, fruta cítrica, equilibrio acidez/gordura, alguma estrutura e final de boca seco (12,5 % vol.). Nota 17.
Acompanhou uma pequena entrada de mexilhão, salicórnia e limão.
.Dom Rafael 2016 tinto - com base nas castas Trincadeira, Aragonês, Castelão e Alicante Bouschet em vinhas velhas, estagiou 12 meses em tonel e barrica; fruta vermelha, notas adocicadas, alguma acidez, ligeiramente especiado, taninos de veludo, volume e final de boca médios (14,5 % vol.). Nota 16,5. A consumir desde já.
Não ligou com uma terrina de foie gras (excelente) e figos.
.Ponte 2018 branco - com base na casta Verdelho; complexidade aromática, presença de citrinos e fruta de caroço, equilibrio acidez/gordura, alguma complexidade, volume e final de boca assinaláveis (13 % vol.). Uma boa surpresa e um salto qualitativo em relação ao anterior Ponte das Barcas. Nota 18.
Harmonizou com um delicioso robalo braseado e arroz de lingueirão.
Ponte 2015 tinto - com base nas castas Touriga Nacional, Touriga Franca e Syrah com pisa a pé, estagiou 18 meses em tonel e barrica; nariz intenso, frutos vermelhos, frescura, algo especiado, taninos de veludo, volume considerável e final de boca longo (14,5 % vol.). Nota 17,5+.
Excelente relação preço/qualidade, a consumir nos próximos 4/5 anos.
.Mouchão 2013 - nariz exuberante, fresco e frutado, bela acidez, especiado, taninos intensos mas civilizados, volume e final de boca de respeito (14,5 % vol.). Nota 18.
A consumir nos próximos 8 a 10 anos.
Estes 2 tintos maridaram muito bem com uma saborosa carne maturada e xerém.
.Mouchão Tonel 3-4 2013 - tem um perfil algo idêntico ao anterior, mas mais intenso e com um final de boca interminável (14,5 % vol.). Nota 18,5.
A beber nos próximos 10 a 12 anos.
Casamento forçado com um folhado de queijo em "dressing" de mel e divórcio à vista!
No final do repasto ainda foi servida a Aguardente Bagaceira Mouchão 6 Anos, que não cheguei a provar.
Balanço vínico muito positivo, com todos os vinhos a portarem-se muito bem, com evidência para as novidades: os Ponte (especialmente o branco).
quinta-feira, 17 de outubro de 2019
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