quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Jantar Herdade do Mouchão

Participei, recentemente, em mais um dos jantares vínicos organizados pela Garrafeira Néctar das Avenidas, desta vez com vinhos da Herdade do Mouchão que foram apresentados pelo Iain Reynolds Richardson, proprietário, gestor e enólogo desta marca. Louve-se este produtor que é um dos raros, no Alentejo e não só, que não tem pressa em pôr no mercado os seus vinhos de gama alta.
Foram 6 vinhos tranquilos, dos quais já tinha provado 3 na Herdade e dado conhecimento na crónica "Mais provas (Vinicom e Herdade do Mouchão)", publicada em 23/5/2019.
O evento decorreu no Via Graça, com o João Bandeira a superintender nos tachos e o Fernando Zacarias a orientar o serviço de vinhos, a confirmarem o que tenho dito sobre eles. A acrescentar o bom ritmo do serviço e os copos Riedel para os vinhos, um luxo!
Desfilaram:
.Dom Rafael 2018 branco - com base nas castas Antão Vaz e Arinto em vinhas com mais de 20 anos; fresco e mineral, fruta cítrica, equilibrio acidez/gordura, alguma estrutura e final de boca seco (12,5 % vol.). Nota 17.
Acompanhou uma pequena entrada de mexilhão, salicórnia e limão.
.Dom Rafael 2016 tinto - com base nas castas Trincadeira, Aragonês, Castelão e Alicante Bouschet em vinhas velhas, estagiou 12 meses em tonel e barrica; fruta vermelha, notas adocicadas, alguma acidez, ligeiramente especiado, taninos de veludo, volume e final de boca médios (14,5 % vol.). Nota 16,5. A consumir desde já.
Não ligou com uma terrina de foie gras (excelente) e figos.
.Ponte 2018 branco - com base na casta Verdelho; complexidade aromática, presença de citrinos e fruta de caroço, equilibrio acidez/gordura, alguma complexidade, volume e final de boca assinaláveis (13 % vol.). Uma boa surpresa e um salto qualitativo em relação ao anterior Ponte das Barcas. Nota 18.
Harmonizou com um delicioso robalo braseado e arroz de lingueirão.
Ponte 2015 tinto - com base nas castas Touriga Nacional, Touriga Franca e Syrah com pisa a pé, estagiou 18 meses em tonel e barrica; nariz intenso, frutos vermelhos, frescura, algo especiado, taninos de veludo, volume considerável e final de boca longo (14,5 % vol.). Nota 17,5+.
Excelente relação preço/qualidade, a consumir nos próximos 4/5 anos.
.Mouchão 2013 - nariz exuberante, fresco e frutado, bela acidez, especiado, taninos intensos mas civilizados, volume e final de boca de respeito (14,5 % vol.). Nota 18.
A consumir nos próximos 8 a 10 anos.
Estes 2 tintos maridaram muito bem com uma saborosa carne maturada e xerém.
.Mouchão Tonel 3-4 2013 - tem um perfil algo idêntico ao anterior, mas mais intenso e com um final de boca interminável (14,5 % vol.). Nota 18,5.
A beber nos próximos 10 a 12 anos.
Casamento forçado com um folhado de queijo em "dressing" de mel e divórcio à vista!
No final do repasto ainda foi servida a Aguardente Bagaceira Mouchão 6 Anos, que não cheguei a provar.
Balanço vínico muito positivo, com todos os vinhos a portarem-se muito bem, com evidência para as novidades: os Ponte (especialmente o branco).

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