quinta-feira, 26 de novembro de 2020

À volta da cerveja artesanal (XVI)

 1.Mais provas

Provadas mais 7 cervejas artesanais, em casa ou em espaços de restauração, classificadas de 1 a 5:

Com 5 (1 confirmação e 2 surpresas)

.Letra F American IPA (Vila Verde)

.Musa Original Belgian Golden Strong Ale (Lisboa) com 9,5º de álcool

.Musa Remistura Belgian Golden Strong Ale (Lisboa), com 9,8 º de álcool e maturada em cascos de Vinho do Porto Cockburns (uma parceria com a Symington)

Com 4,5

.8ª Colina Doble Dry Hop Juicy New England (Lisboa)

.Barona IPA (Marvão)

.Sacarrabos Doble IPA (Sines)

Com 3,5

.Grande Birra Matunda não filtrada, em parceria co o Dirk Niepoort (Gaia?)


2.Sacarrabos Beer Co. - 3,5 *

A minha curiosidade pela cerveja artesanal Sacarrabos (Sines) era grande depois de ter provado uma belíssima IPA num evento no Campo Pequeno que referi na crónica "Curtas (CXV) : Cerveja em Lisboa, (...)"

Depois de, à hora de almoço, ter batido com o nariz na porta por 2 vezes, apesar de o respectivo portal dizer que abria às 12 h, o que lhe valeu um cartão amarelo neste blogue, finalmente este espaço de restauração (mais ao estilo bar) estava de portas abertas.

Este espaço, situado na Rua da Moeda,1 (ao Cais do Sodré) e aberto há pouco tempo, prima pela informalidade e pelas mesas e bancos altos, demasiado desconfortáveis. Numa das paredes pode ler-se "Good People Drink Good Beers". Assino por baixo.

Na componente cervejeira, destacam-se 10 torneiras, sendo 9 Sacarrabos (1 Lager, 5 tipo IPA e 3 tipo Stout) e 1 Dois Corvos, o produtor convidado. Lamentavelmente não têm uma única garrafa para venda. Não precisam?

Optei pela Sacarrabos Doble IPA, acima indicada.

Quanto à componente gastronómica, inventariei 3 entradas, 6 pratos para partilhar, 5 pratos principais, dos quais 2 são hamburgas e 1 sobremesa.

Comi "bolinho de ragu de carne" e "rolinho primavera de camarão", contendo cada prato 4 rolinhos, quantidade mais que suficiente. Comida agradável, mas sem grandes rasgos.

Na sala 1 cliente (eu), 1 empregada que prestou um bom serviço e outra pessoa, que me pareceu ser o gerente, mas que não me dirigiu palavra, sendo eu o único cliente, nem tirou o boné de pala da cabeça. Francamente...

terça-feira, 24 de novembro de 2020

Almoço com vinhos Poças

 Seis vinhos Poças estiveram à prova num almoço organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas para 11 sortudos. O evento decorreu na Casa do Bacalhau que cumpriu exemplarmente todas as recomendações da DGS, incluindo o afastamento dos participantes. Gastronomia e serviço de vinhos à altura dos acontecimentos. Copos Riedel na mesa, uma vez mais.

Desfilaram:

.Poças Reserva 2019 branco - com base nas castas Códega e Arinto, estagiou 9 meses em barricas novas de carvalho francês; cítrico, fresco e mineral, boa acidez, volume e final médios (13,5 % vol.). Elegante e gastronómico. Nota 17.

Este 1º branco acompanhou:

.couvert (pão, azeite, paté e manteiga)

.lula dos Açores com vinagrete (demasiado "al dente")

.pataniscas de bacalhau

.Poças Branco da Ribeira 2018 - com base nas castas Códega e Arinto em vinhas velhas, estagiou 24 meses em barrica; fresco, presença de citrinos e fruta de caroço, belíssima acidez, notas amanteigadas, algum volume e final de boca longo (13 % vol.). Complexo e gastronómico. Nota 18.

Este 2º branco harmonizou com um prato de bacalhau e grão "al pil-pil". 

.Poças Reserva 2016 - 92 pontos no Parker e na Wine Enthusiast; com base nas castas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Barroca, estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês; presença de fruta preta, notas vegetais, alguma acidez, especiado, taninos civilizados, algum volume e final de boca persistente (14 % vol.). Com excelente relação preço/qualidade, a beber nos próximos 3/4 anos. Nota 17,5.

.Poças Símbolo 2015 - com base nas castas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Barroca, estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês a que se seguiram mais 12 meses em garrafa; fresco, presença de fruta vermelha, alguma acidez, especiado, com predominância de notas apimentadas e chocolate preto, taninos activos, volume considerável e final de boca muito longo (14 % vol.). Harmonioso e gastronómico, a beber nos próximos 8 a 10 anos. Nota 18,5.

Estes 2 tintos maridaram com um lombinho de porco e risotto de cepes.

.Poças Colheita 1992 (engarrafado em 2017) - 93 pontos na Wine Spectator e 92 na Wine Enthusiast; presença de citrinos, frutos secos e brandy, alguma acidez, especiado, taninos espigadotes, volume médio e final de boca persistente. Deveras harmonioso e óptimo para fechar uma refeição. Nota 18. 

Este fortificado acompanhou um petit gateau com chocolate.

Havia ainda um Poças Vintage 2018 que não cheguei a provar.

Foi mais uma boa sessão de comeres e beberes.

domingo, 22 de novembro de 2020

Mais 2 espaços de restauração revisitados : Prova-Enoteca Restelo e Lisbon Wine House

 1.Prova-Enoteca Restelo - 4,5 *

Já aqui referido este espaço de restauração por diversas vezes, a última das quais em                    "Prova-Enoteca Restelo - 4,5 *". Mantenho os elogios que lhes tenho feito, à Ana Paula nos tachos e ao José Marques na sala. Nesta revisita , partilhei:

.couvert (azeite e pão ainda quente)

.bolinhas de alheira

.xarém de gambas e berbigão

.polvo à galega

.delícia de maçã reineta

Estava tudo uma perfeita delícia.

Desta vez, como tinhamos companhia, veio uma garrafa de Quinta de Pancas Arinto Reserva 2015 - cítrico, fresco e mineral, acidez fabulosa, algum volume e final de boca longo. Complexo, harmonioso e gastronómico, vai ter ainda muitos anos pela frente. Nota 18.

A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo.

Recomendo este espaço e tenciono voltar, sempre!


2.Lisbon Wine House - 4 *

Também já aqui referido, sendo a última crónica                                                                                "Mais dois espaços de restauração visitados : Lisbon Wine Wouse e (...)".

Não é de mais dizer que este espaço de restauração tem uma excelente relação preço/qualidade, pois a troco de 11,50 €, aos almoços de 2ª a 6ª feira, tem-se direito a uma refeição completa, ou seja, couvert, prato do dia, bebida, sobremesa e café. E isto num ambiente requintado de um hotel.

Numa das revisitas, comi o prato das quintas-feiras, um belíssimo arroz de gambas.

Bebi, a copo, o branco Cerejeiras 2019 - aromático, fresco e mineral, muito frutado, acidez presente, volume e final de boca médios. Nota 16,5.

Noutra revisita, a uma terça-feira cujo prato do dia é bacalhau à Brás, por deferência do chefe, Rui Ferreira de seu nome, degustei um saborosíssimo arroz de bacalhau.

Bebi, também a copo, o branco Monte dos Perdigões Duas Danças Colheita Seleccionada 2019 - simples e correcto, alguma acidez, magro de corpo e final curto. Fica a perder com o Cerejeiras. Nota 14,5.

A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo.

De referir, com toda a justiça, que o serviço prestado pelo Wilton, um bom profissional, corre sempre bem, mas quando ele não está nem sempre corre da melhor maneira.

Recomendo este espaço pela excelente relação preço/qualidade. A voltar, sempre!

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

As revistas especializadas - nº de Novembro (2ª parte)

 continuando...


2.Grandes Escolhas (GE)

A. 132 páginas, sendo 50 de publicidade, logo 82 úteis (62,1 % do total)

B. 6 Crónicas/Reportagens

.Chryseia, o ouro que luz no Douro (Luis Lopes)

.Monte da Ravasqueira, uma carta de amor ao Alentejo (Mariana Lopes)

.Tintos de luxo do Alentejo (Valéria Zeferino)

.Mesa posta. Venham os espumantes! (João Paulo Martins)

.David, Sandra, José Luis : Três enólogos à conversa (Luis Lopes)

.Os vinhos de nuestros hermanos (Valéria Zeferino)

C. 5 "Lançamentos"

.O Douro de Márcio Lopes (Luis Lopes)

.Qtª Vale D. Maria, o sabor do Douro Superior (Mariana Lopes)

.Biaia, altitude e muito carácter (Mariana Lopes)

.Costa Boal com monocastas (Nuno Oliveira Garcia)

.Kopke sobe a parada (Luis Antunes)

D. Crítica de restaurantes

.A importância de ser restaurador (Fernando Melo)

.Suba, em Lisboa (Mariana Lopes)

.Narcissus Fernandesii, em Vila Viçosa (João Geirinhas)

E. Cervejas artesanais

Zero!

F. 178 vinhos provados, dos quais 31 classificados com 18 ou mais (17,4 % do total)

.Taylor's Very Old Single Harvest - 19,5

.Chryseia 2018 (Douro) - 19

.Kopke Colheita 1981 - 19

.Cossart Gordon Terrantez 1975 - 19

.Proibido Vinhas Velhas do Pombal 2017 (Douro) - 18,5

.Kopke Winemaker's Collection 2016 branco (Douro) - 18,5

.Qtª da Biaia Fonte da Vila 2015 (Beira Interior) - 18,5

.Marmelar 2017 (Alentejo) - 18,5

.Blandy's Verdelho 1976 - 18,5

.La Rioja Alta Gran Reserva 2010 (La Rioja) - 18,5

Seguem-se mais 21 vinhos classificados com 18.

Dos 31 eleitos, 9 são brancos, 15 tintos e 7 fortificados (5 Porto e 2 Madeira).

Por Regiões, dos vinhos tranquilos 1 é da Vinhos Verdes, 10 Douro, 2 Bairrada/Beiras, 6 Alentejo, 1 Península de Setúbal e 1 La Rioja.


3.Concluindo

Neste nº de Novembro, comparando as 2 revistas, é de referir:

.A RV continua  a ter mais páginas úteis (117 contra 82 da GE)

.A RV também tem mais Crónicas/Reportagens (9 contra 6 da GE)

.A RV mencionou 12 "Novidades", enquanto a GE se limitou a 5 "Lançamentos"

.A GE esteve mais atenta à restauração, publicando 3 artigos, contra 2 da RV

.Quanto à cerveja artesanal, a GE continua de costas voltadas para esta nova realidade.

terça-feira, 17 de novembro de 2020

As revistas especializadas - nº de Novembro (1ª parte)

 1.Revista de Vinhos (RV)

A. 162 páginas, das quais 45 de publicidade. Logo, apenas 117 úteis (72,2 % do total)

B. 9 Crónicas/Reportagens:

.Domingos Soares Franco (José João Santos)

.Dão, para além do clacissismo (Guilherme Corrêa e Marc Barros)

.Enoport Wines (Manuel Moreira)

.Brancos da Bairrada (Marc Barros)

.Rota dos Vinhos do Alentejo (Célia Lourenço)

.Ventozelo, o Douro todo numa quinta (Luis Costa)

.O esplendor da Quinta da Gaivosa (Guilherme Corrêa)

.A arte da maturação (Fátima Iken)

.Carne maturada e vinho (Guilherme Corrêa)

C. 12 "Novidades"

.Quinta da Biaia (Marc Barros)

.Kopke (Luis Costa)

.Titan (José João Santos)

.Costa Boal (Manuel Moreira)

.Quinta de Lemos (Marc Barros)

.Quinta de São José (José João Santos e Marc Barros) 

.Caves São Domingos (Guilherme Corrêa)

.Falua (José João Santos)

.Santa Vitória (Manuel Moreira)

.Adega Monte Branco (Célia Lourenço)

.Pedro Martin Wines (Manuel Moreira)

.Baías e Enseadas (Manuel Moreira)

D. Crítica de restaurantes

.Fogo, em Lisboa (Miguel Pires)

.Taberna Afonso (Nuno Guedes Vaz Pires)

E. Cervejas Artesanais

Entrevista com a "beer sommelier" Beatriz Carvalho

F. 223 vinhos provados, sendo 34 classificados com 18 ou mais (15,2 % do total)

.Quinta da Gaivosa 2017 (Douro) - 19

.Quinta São José Vinha Ruy Francisco 2017 (Douro) - 19

.Titan of Douro Fragmentado (blend) branco (Douro) - 19

.Kopke Vinhas Velhas 2016 (Douro) - 18,5

.Titan of Douro Fragmentado 2017 (Douro) - 18,5

.Vinha Lordelo 2016 (Douro) - 18,5

.Grande Druida 2017 branco (Dão) - 18,5

.Outrora Clássico 2016 (Bairrada) - 18,5

.Niepoort Vinhas Velhas Bical e Maria Gomes 2016 branco (Bairrada) - 18,5

.Quinta da Biaia Fonte da Vinha 2015 (Beira Interior) - 18,5

.Conde Vimioso Vinha do Convento 2017 (Tejo) - 18,5

.Fernando Soares Franco 2015 (V.R. Setúbal) - 18,5

Seguem-se mais 22 vinhos classificados com 18.

Dos 34 eleitos, 14 são brancos, 18 tintos, 1 Moscatel e 1 Aguardente Velha.

Por regiões, os vinhos tranquilos dividem-se em 14 Douro/Trás-os-Montes, 7 Dão, 5 Bairrada/Beiras, 1 Lisboa, 1 Tejo, 1 Alentejo e 3 Península de Setúbal.


continua...

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Mais 1 espaço de restauração: Petit d' Algés - 4,5 *

 Já não ia a este restaurante há uma série de anos e a memória que tinha dele não era nada boa. Recentemente resolvi  aproveitar o desconto de 50 % do programa "Regresso aos Restaurantes" (atenção, ainda se pode usufruir, através da plataforma The Fork, até ao dia 17). E em boa hora o fiz, pois este Petit d' Algés não tem nada a haver com o do meu passado.

É de sublinhar o cumprimento escrupuloso das regras da DGS e a luminosidade do espaço, todo decorado em tons de azul claro e branco, contrastando com as cores escuras do passado. No exterior, uma apetecível esplanada.

O menu é alargado e pujante, constando 16 entradas/petiscos, 10 pratos de marisco, 15 de peixe, 14 de carne, 6 risottos, 3 pregos/hamburgas, 3 vegetarianos e 13 sobremesas. É o embaraço da escolha!

Em 2 visitas comi, em doses generosas:

.arroz de lingueirão, com gambas, berbigão e mexilhão

.pregado grelhado com arroz de ameijoas

.tecolameco (doce do Crato)

.despenteado de chocolate

Estava tudo deveras saboroso, com uma nota muito alta para o pregado e o tecolameco.

Quanto à componente vínica, inventariei 1 champanhe, 3 espumantes, 34 brancos (inclui os 4 vinhos verdes que estavam àparte, o que não faz sentido), 42 tintos (inclui 1 vinho verde, também mal localizado) e 4 rosés. Na lista, não constam fortificados, nem vinhos a copo, nem cervejas artesanais.

Apesar de terem uns tantos vinhos de referência, lamenta-se a ausência dos anos de colheita.

Num dos dias bebi a copo o único disponível (o da casa), o Monte dos Perdigões Duas Danças Colheita Seleccionada 2019 - simples e correcto, alguma acidez, magro de corpo e final de boca curto. Nota 14,5.

Na outra, avançou uma meia garrafa de Planalto Reserva 2019 - fresco e mineral, alguma acidez, volume e final de boca médios. Gastronómico. Nota 16.

Em qualquer das situações a garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num copo aceitável.

Uma boa surpresa este espaço. Recomendo e tenciono voltar.

terça-feira, 10 de novembro de 2020

Grupo dos 3 (74ª sessão) : Caves São João e Burmester em alta

 Esta última sessão foi da minha responsabilidade e decorreu no restaurante 2 a 8 Belém, já aqui treferido em "Belém 2 a 8 mais uma vez revisitado - 4 *", cujo proprietário (arqº Carlos Gonçalves) foi cliente das Coisas do Arco do Vinho e militante dos jantares vínicos. Nos tachos a chefe Maria Gomes e na sala o Moreno, estiveram muito bem e contribuiram para que este encontro decorresse às mil maravilhas.

Os vinhos, servidos em copos Riedel e provados às cegas, eram da minha garrafeira:


.95 Anos de História 2014 (garrafa nº 869/1436) - Bairrada com base na casta Arinto (100 %); aroma intenso, presença de citrinos e notas de maçã verde, belíssima acidez, volume e final de boca acima da média (12,5 % vol.). Vai crescer e será interessante prová-lo daqui a 3/4 anos. Nota 17,5.

Este branco acompanhou as entradas (pastéis de nata de bacalhau e croquetes de vitela) e uma tranche de perca.


.93 Anos de História 2011 (garrafa nº 984/1193) - Dão com base na casta Touriga Nacional (100 %), estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês; fresco, ainda com notas de frutos vermelhos, acidez equilibrada, especiado, taninos civilizados, estruturado e final de boca longo (14 % vol.). Complexo e elegante, a beber nos próximos 4/5 anos. Nota 18,5.

Este tinto maridou com uma feijoada de coelho bravo (era para ser lembre, mas fugiu da panela...).


.Burmester Tordiz 40 Anos (engarrafado em 2019) - 94 pontos na Wine Spectator; presença de frutos secos, notas de caril e brandy, boa acidez, taninos firmes, volume considerável e final interminável. Grande e inesquecivel tawny! Nota 19.

Este fortificado harmonizou com um pijama de sobremesas (panacota, mousse, torta de laranja e migas de Valpaços).


Foi mais uma boa sessão de convívio, comeres e beberes. Obrigado Carlos Gonçalves!