Declaração de interesses: sou sócio da Associação 25 de Abril (A25A), onde se situa este espaço de restauração (Rua da Misericórdia, 95 - 1º andar), desde a sua fundação. Mas este facto não me inibe de elogiar o que merecer, nem criticar o que está mal, no meu ponto de vista.
Os elogios a este restaurante Revolução, cujos principais responsáveis são o chefe Nuno Diniz (professor com obra publicada) e o Rodrigo Menezes (Academia Time Out) que apostaram na "Cozinha Popular de Portugal" , começaram com a crónica do Fortunato da Câmara, saída na revista do Expresso há cerca de 1 mês, quase exclusivamente concentrada na componente gastronómica. Mas a crítica de um restaurante não se deve esgotar nesta componente e há que olhar para as outras, nomeadamente a vínica, das quais o crítico quase nada diz.
O primeiro problema com este espaço é situar-se num 1º andar de um prédio em que a porta da rua está fechada. Eles bem puseram um cartaz na rua a anunciar a ementa e a dizer que é preciso tocar à campainha do restaurante. Mas isto é bem inibidor para um cliente comum que entraria se porta estivesse aberta mas, encontrando-a fechada, passa ao lado. Um problema a resolver pela A25A.
As mesas estão despojadas, de acordo com as orientações da DGS, só sendo colocados na mesa o prato para o couvert, os talheres, o guardanapo e, ainda, um invólucro de papel para se guardar a máscara (não vi isto em mais sítio nenhum).
A ementa, dentro de uma moldura com vidro (lavável, portanto) é curta, contemplando o couvert, 3 entradas, 3 peixes, 3 carnes, 2 queijos e 4 sobremesas. Das vezes que lá fui, além do couvert (pão, azeite e azeitonas) comi os "filetes de pescada da Inês (bons) e arroz de berbigão (belíssimo)" e noutra o "galo estufado (saboroso mas difícil de cortar) em vinho do Douro e arroz de forno".
Como mais valia e apostando nos produtos nacionais, a ementa menciona os fornecedores da flor de sal, do azeite, dos produtos hortícolas e do peixe, referindo ainda o 1º nome de todos os 11 elementos da equipa. Bingo!
Quanto à componente vínica, a lista é curta e nada óbvia, mas com algumas incongruências. Inventariei 6 brancos (1 a copo) e 6 tintos (1 a copo). Não têm cerveja artesanal e não me apercebi se havia vinhos fortificados. Os verdes (ou melhor, os vinhos da Região Vinhos Verdes) estão separados das outras regiões, o que não faz qualquer sentido. Mais, no Vinho Verde aparece um verde tinto, o que também não faz sentido, pois tirando alguns minhotos mais radicais ninguém bebe este tipo de vinho (desculpa do restaurante: o tinto era para acompanhar a lampreia. Mas a época da dita já acabou há meses!). Mais, nos brancos não se encontra nenhum exemplar das melhores castas portuguesas (Alvarinho, Arinto ou Encruzado). Um aspecto a rever.
Nas minhas visitas, bebi a copo:
.Zon Reserva 2017 branco (5 €, um exagero) - fresco, cítrico e mineral, mas sem corpo para aguentar tanta acidez. Nota 15,5.
.Vinha Paz 2017 tinto (6 €, outro exagero) - muito frutado, alguma acidez, ligeiramente especiado, taninos de veludo, volume e final de boca médios. Gastronómico. Nota 16,5.
Em qualquer das situações a garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar em bons copos Riedel (um luxo!) e a temperaturas controladas.
Serviço eficiente e profissional.
O restaurante está fechado para férias e reabre no dia 1 de Setembro.
Todos ao Revolução e não se inibam com a porta fechada!
terça-feira, 18 de agosto de 2020
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