Há um ano e picos, publiquei aqui a crónica "A propósito do Júpiter : o vinho, os espertos e os tansos" que me deu muito gozo, referindo o que alguma crítica escrevera, o Pedro Garcias na Fugas (assertivo como sempre) e o João Paulo Martins na Revista do Expresso (mais contido).
Vem isto a propósito do artigo do Pedro Garcias na Fugas de 27 de Agosto, sob o título "Cláudio Martins, o "génio" do vinho português que nos quer fazer passar por tolos", de leitura obrigatória e que assino por baixo.
Não resisto a transcrever estas passagens:
"O consultor, conselheiro, produtor e vendedor de vinho Cláudio Martins acha que descobriu a verdade. Ou melhor, ele sabe que não descobriu coisa nenhuma, mas quer convencer-nos que sim, que somos todos uns tansos ao insistirmos em vender vinhos tão, tão baratos que por serem tão, tão baratos os clientes estrangeiros não os compram. Foi o que o badalado adviser, com carreira em Inglaterra e instalado agora em Portugal, disse numa entrevista ao jornalista Edgardo Pacheco." (no início do texto)
"(...) Apresentar o vinho Júpiter, o vinho tinto de talha do Alentejo, colheita 2015, que Cláudio Martins vende a mil euros a garrafa, como exemplo do que o país deve fazer para se tornar conhecido no mundo dos vinhos é risível. É querer tomar-nos por parvos. E porquê? Por que se trata de um vinho sem história, sem qualquer referente, a não ser o de se tratar de um vinho de talha, que é feito, como se sabe, para se beber rápido. Pelo menos é (o) que os produtores de vinhos de talha nos vendem (...)" (mais ou menos a meio do texto)
"(...) se um Porto de 1815 rendeu o que rendeu, como é que Cláudio Martins nos quer convencer de que o Júpiter vale mil euros? E se 6800 euros foi um preço absurdamente baixo para uma garrafa de vinho do Porto tão antiga e especial, por que razão Cláudio Martins não a comprou, para a revender mais tarde com um avultado lucro, como promete aos compradores do Júpiter?". (no final do texto)
Nota final - não sou amigo nem sequer conhecido do Pedro Garcias, apenas estivemos num jantar/prova de vinhos do João Portugal Ramos e do José Maria Soares Franco, no restaurante do Altis Belém há quase 10 anos, onde apenas trocamos algumas palavras de circunstância.
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