terça-feira, 30 de julho de 2019

Grupo FJF (11ª sessão) : uma bela jornada no Lugar Marcado

Esta última sessão do FJF decorreu no restaurante Lugar Marcado (Rua do Regedor, ao Largo do Caldas), um espaço em Lisboa que gosto particularmente. Na sala a Fátima Rodrigues (a proprietária), a fazer um serviço de vinhos de 5*, enquanto que nos tachos estava a Sandra Carvalho, de cujas mãos sairam as iguarias, todas de qualidade elevada.
O repasto iniciou-se com uma prova de azeites, por iniciativa da Fátima. Estiveram em confronto Qtª dos Lagares Zabodes (Douro), Kopke BIO (Trás-os-Montes) e Mouchão (Alentejo), todos com qualidade. O vencedor, para o meu gosto, foi o Mouchão  que arrasou a concorrência, mais fresca e light.
Quanto aos vinhos desfilaram:
.Vale D. Maria VVV 2015 branco (levado pelo João) - vinho engarrafado em julho 2017; nariz discreto, presença de citrinos, notas florais, bela acidez, notas amanteigadas, madeira discreta, algum volume e final de boca (12,5 % vol.). Nota 17,5.
Este branco maridou com o couvert (pão e azeites), chamuças de bacalhau, berbigão e ovinhos de codorniz.
.Zambujeiro 2011 (da minha garrafeira) - com base nas castas Petit Verdot, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon e Touriga Nacional, estagiou 24 meses em barricas novas de carvalho francês; nariz intenso, ainda com fruta vermelha,acidez equilibrada, especiado com a pimenta em evidência, notas de chocolate, taninos firmes e civilizados, bom volume e final de boca extenso. Um dos tintos alentejanos mais interessantes que conheço, embora com um teor alcoólico excessivo (16 º não se notam, mas estão lá). A beber nos próximos 5/6 anos. Nota 18,5.
Este tinto harmonizou com coelho frito, pá de borreguinho assado, milho frito e batatas no forno.
.Moscatel Roxo José Maria da Fonseca 20 Anos (levado pelo Frederico) - presença de frutos secos e algum citrino maduro, notas de mel, acidez nos mínimos, taninos redondos, gordo na boca e final de boca assinalável. Nota 17,5.
Este fortificado acompanhou  bolo rançoso, pudim de laranja e sortido de gelados.
Foi mais uma grande sessão de convívio, comeres e beberes, com a equipa do Lugar Marcado inspirada.

domingo, 28 de julho de 2019

Jantar Esporão

Com a presença do David Baverstock *, o responsável pela enologia da Herdade do Esporão, decorreu na Garrafeira Néctar das Avenidas e com o apoio da Pastelaria/Restaurante "A Virtuosa", um jantar cujo tema foram os vinhos Private Selection, brancos e tintos. Foram provados/bebidos, para além dos 7 Private Selection (3 brancos e 4 tintos), mais 3 vinhos (1 espumante, 1 branco Bio e 1 LH), num total de 10 néctares daquele produtor. É obra!
Devidamente explicados pelo David, desfilaram:
.Espumante Bruto 2015 - cumpriu a sua missão, sem ficar na memória
.Esporão BIO 2017 - fruta cítrica, notas herbáceas, alguma acidez, volume e final de boca médios (13,5 % vol.). Nota 16 (noutra situação 15,5).
Acompanhou uma tábua de enchidos.
.Private Selection 2017 - com base na casta Sémillon, estagiou 6 meses em barricas de carvalho francês e mais 6 na garrafa; fruta madura, com evidência para os citrinos, fresco e mineral, equilibrio acidez/gordura, notas tostadas, algum volume e final de boca (14,5 % vol.). Nota 17,5.
.Private Selection 2015 - estilo semelhante ao anterior, final adocicado (14 % vol.). Nota 17.
.Private Selection 2013 - estilo também semelhante ao 2017, mas com mais acidez e maior complexidade (14 % vol.). O melhor desta vertical de brancos. Nota 17,5+.
Estes brancos harmonizaram com uma sopa de cação.
.Private Selection Garrafeira 2013 - com base nas castas Aragonês, Alicante Bouschet e Syrah, estagiou 18 meses em barricas novas e usadas e mais 12 em garrafa; ainda com fruta, fresco e acidez, levemente especiado, taninos civilizados, algum volume e final de boca persistente (14,5 % vol.). Nota 17.
.Private Selection Garrafeira 2014 - algumas semelhanças com o anterior, mas mais fresco e elegante, taninos mais presentes, volume e final de boca assinaláveis (14,5 % vol.). Nota 17,5.
.Private Selection Garrafeira 2012 - perfil idêntico ao anterior, muito fino e elegante, especiado, taninos civilizados, volume considerável e final de boca muito longo. Harmonioso e equilibrado, foi o melhor da vertical de tintos. Nota 18,5 (noutra 18,5).
.Private Selection Garrafeira 2008 - aromas e sabores terciários, alguma acidez e ligeiramente especiado, já na curva descendente é necessário pegar nele com pinças (provada outra garrafa, estava com mais saúde). Nota 17,5 (noutras 18,5/17,5/18/17,5+).
Estes tintos maridaram com carne de alguidar e migas de espargos verdes.
O Private Selection 2017 branco voltou a entrar nos copos, desta vez para fazer companhia a uma tábua de queijos. Pessoalmente, teria preferido o 2013.
.Esporão Late Harvest 2017 - fresco e agradável, alguma acidez e volume, final de boca curto. Demasiado "light" para o meu gosto. Nota 15,5.

* Sempre tivemos nas Coisas do Arco do Vinho uma óptima relação institucional e também pessoal com o David, tendo ele estado presente por diversas ocasiões, em eventos vínicos, com realce para  o jantar que decorreu no restaurante do Terreiro do Paço, nos tempos da saudosa Júlia Vinagre. Estiveram cerca de 160 participantes (não cabiam mais). Um evento que ficou na história das CAV.

quinta-feira, 25 de julho de 2019

Wine House - 3,5 *

Este Wine House, que visitei em alturas diferentes, é o restaurante do Lisbon Wine Hotel (R. Portas de Santo Antão, 88), tem coisas boas mas, para merecer o nome, ainda tem muito caminho a percorrer.
Sala pequena e acolhedora, mas onde está a recepção e um televisor ligado (embora sem som), o que não faz nenhum sentido, toalhetes e guardanapos de papel. No exterior, uma simpática esplanada para esta altura do ano.
Serviço algo errático, numa das minhas visitas a perguntarem se era alérgico a algum alimento e na outra a não o fazerem. Também num dos dias trouxeram o couvert (que faz parte do menu) e no outro não.
Para além do menu, à base de petiscaria e tábuas de queijos e enchidos, é possível almoçar de 2ª a 6ª feira por 11,50 €, com direito a couvert (pão, manteiga e 2 patés), prato (a escolher entre 2), sobremesa, bebida e café (Nespresso). Uma pechincha!
No entanto, os pratos variam ao longo da semana, mas são sempre os mesmos todo o ano! A alternativa são as saladas, sempre as mesmas. Uma solução barata, mas muito redutora.
Num dia (uma 3ª feira) comi bacalhau à braz e noutro dia (uma 4ª feira) o hamburguer na tábua com queijo e salada.
A sobremesa, está reduzida a uma belíssima mousse de chocolate com frutos secos e a salada de frutas. Das duas vezes deliciei-me com a mousse.
Quanto à componente vínica, inventariei 3 champanhes, 2 espumantes (1 a copo), 32 brancos (5), 25 tintos (4), 3 rosés (2) e 6 fortificados (4 Porto, 1 Madeira e 1 Moscatel, todos a copo). A lista está bem construida e inclui os anos de colheita e especifica, para cada um dos vinhos, as castas que o compõem. Não têm cerveja artesanal. Mais, nem todos os tintos a copo estavam com a temperatura controlada, tendo eu numa das visitas rejeitado o vinho, o que não se entende num espaço que aposta neste néctar.
Vinhos provados a copo:
.Qtª S.Francisco 2018 branco - fresco, frutado e com boa acidez, notas amanteigadas, volume efinal de boca médios. Gastronómico, acompanhou bem o bacalhau. Nota 16,5.
.Confidencial Reserva 2014 tinto - ainda com muita fruta preta, alguma acidez, taninos gulosos, algum volume e final de boca persistente. Harmonizou bem com o hamburguer. Nota 17.
Em ambas as situações a garrafa veio à mesa, dada a provar num bom copo e servida uma quantidade generosa.
É um espaço contraditório, mas que merece uma visita.

terça-feira, 23 de julho de 2019

Novo Formato+ (35ª sessão) : uma grande jornada em S. Francisco da Serra

Esta última sessão deste grupo de enófilos decorreu chez Juca que disponibilizou 8 vinhos (1 espumante, 2 brancos, 2 tintos e 3 fortificados) da sua garrafeira, parte deles em formato magnum.
A gastronomia, saída das mãos do anfitrião com o contributo da Paula, portou-se à altura dos acontecimentos. O meu aplauso para eles.
Quanto à componente vínica, desfilaram:
.Espumante Luiz Costa Pinot Noir/Chardonnay 2010 - foi a bebida de boas vindas, acompanhou uma série de tapas e cumpriu a sua missão.
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 2015 em magnum - presença de citrinos, alguma fruta madura, equilibrio acidez/gordura, algum volume e final de boca assinalável. Consistente e gastronómico, tem tido uma boa evolução. Nota 18 (noutras situações 17,5/17,5+/17,5+).
Harmonizou com uma belíssima sopa de garoupa.
.Henriques e Henriques Sercial (engarrafado em 1973?) - presença de frutos secos e iodo, défice de acidez e alguma doçura. Tem um perfil muito longe da casta. Grande desilusão (garrafa avariada?). Nota 14,5 (noutra 18).
Serviu para limpar o palato.
.Qtª Poço do Lobo Reserva 2009 em magnum - com base nas castas Touriga Nacional (50%), Baga (35%) e Cabernet Sauvignon (15%), estagiou 12 meses em pipas de carvalho francês; ainda com alguma fruta e notas florais, fresco e especiado, alguma acidez, taninos de veludo, volume e final de boca de respeito. No ponto óptimo de consumo. Teve uma boa evolução. Nota 18 (noutras 17,5+/16,5/17,5+/17,5+).
.Aalto PS 2012 em magnum - com base na casta Tempranilho em vinhas velhas, estagiou 20 meses em barricas de carvalho francês e foi engarrafado em julho 2014; ainda com muita fruta, acidez equilibrada, especiado, taninos vigorosos mas civilizados, volume e final de boca notáveis. Grande vinho, a beber nos próximos 10 a 12 anos. Nota 19.
Estes 2 tintos maridaram com um saboroso rabo de boi e puré de batata.
.Soalheiro Alvarinho Reserva 2012 - nariz contido, presença de citrinos e algum tropical, alguma acidez e notas amanteigadas, volume médio e final de boca algo adocicado. Nota 17,5 (noutras 17,5/18/17,5+).
Acompanhou uma tábua de queijos.
.Carcavelos Villa Oeiras Superior - estagiou 15 anos em barricas de carvalho português e francês; presença de frutos secos, notas fortes de iodo, alguma acidez e gordura, volume considerável e algum final de boca. Nota 18.
.Blandy Verdelho Solera - presença de frutos secos, notas de iodo e brandy, vinagrinho, algum volume e final de boca interminável. Nota 18,5+ (noutras 19/18,5+).
Estes 2 fortificados acompanharam umas tantas sobremesas.
Foi mais uma grande sessão de convívio, comeres e beberes. Obrigado, Juca!

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Olhó Bacalhau - 3,5 *

O restaurante Olhó Bacalhau é o 4º espaço dedicado ao bacalhau que conheço em Lisboa e o último a aparecer. Para os mais curiosos, os outros são a Laurentina, Casa do Bacalhau e Bacalhoaria Moderna. Se me está a falhar algum, que me digam. Fica aqui um apelo aos seguidores deste blogue.
O Olhó Bacalhau fica num local improvável (Rua dos Mastros, 28) que pode afastar potenciais clientes. A sala é diminuta, com lugar para 18 pessoas e loja agregada e as mesas despojadas, acompanhando infelizmente a moda. Pertence ao grupo Terra do Bacalhau que tem uma banca no Mercado da Ribeira, onde se podem comprar 3 tipos de pastel de bacalhau para consumir in loco ou levar para casa, como já fiz.
O chefe residente é o Gonçalo Alpalhão, mas quem desenhou a ementa foi o Luis Gaspar, eleito em 2017 Chefe Cozinheiro do Ano, que já é o responsável pela Sala de Corte, Casa Lisboa e Big Fish Poke. Temos aqui mais um José Avillez, neste momento mais gestor que chefe.
A ementa é curta e tem o acento tónico na petisqueira (aos almoços de 2ª a 6ª feira, tem um prato fixo que muda semanalmente). O bacalhau é o da Noruega, com 9 meses de cura e altamente publicitado pelo Vitor Sobral.
Nesta minha visita comi:
.couvert (pão sofrível, azeite Esporão, azeitonas e pele de bacalhau crocante)
.conserva de bacalhau com escabeche de pimentos
.tarte de amêndoa e chocolate
Quanto à componente vínica, a lista está reduzida aos mínimos e demasiado centrada no Alentejo, os anos de colheita estão omissos e não há cervejas artesanais. Optei por um copo do vinho da casa que cumpriu a sua missão. A garrafa veio à mesa, mas não foi dada a provar. O vinho foi servido num copo aceitável e com a indicação dos 15 cl.
O atendimento, por parte do gerente/chefe de sala de quem lamentavelmente não retive o nome, foi muito personalizado , profissional e simpático.
À saída, teve a gentileza de me oferecer uma lata de "Oh My Cod", uma conserva de bacalhau em azeite e alho.

terça-feira, 16 de julho de 2019

Almoço com vinhos fortificados (33ª sessão) : mais uma boa jornada em Porto Covo

O denominado Grupo dos Madeiras, embora desfalcado, reuniu em Porto Covo, chez Natalina/Modesto, para mais uma boa jornada de convívio, comeres e beberes, onde se destacaram 2 Madeiras fora de série..
Desfilaram:
.Soalheiro Granit Alvarinho 2015 (dupla magnum) - cor doirada, nariz intenso, componente mineral a impor-se, equilibrio acidez/gordura, algum volume e final de boca seco. Gastronómico e ao nível do 1ª Vinhas. Nota 18.
Acompanhou uma série de tapas (casquinha de sapateira, cogumelos recheados e chamuças) e, ainda, uma bela canja de garoupa.
.Borges Sercial 1979 - cristalino, notas de frutos secos, caril, iodo e especiarias, vinagrinho bem presente, bom volume e final de boca seco e interminável. O melhor Sercial da Madeira. Nota 19 (esta foi a 8ª garrafa provada e a 5ª a ser pontuada com 19).
Acompanhou frutos secos e serviu para limpar o palato.
.Chryseia 2009 - muito fresco, notas florais, acidez equilibrada, especiado, taninos civilizados, algum volume e final de boca. Na curva descendente, a beber nos próximos 3/4 anos. Nota 17,5 (noutra situação 18).
.Pintas 2009 - ainda com alguma fruta, acidez equilibrada, especiado com a pimenta a impor-se, taninos domesticados, volume e final de boca assinaláveis. Ganhou complexidade. A beber nos próximos 5/6 anos. Nota 18,5 (noutra 18).
Estes 2 tintos maridaram com cabrito assado no forno.
.Blandy Bual 1948 (engarrafado em 2004 com o nº 1007/1668) - nariz intenso, presença de frutos secos, notas de caril, brandy e iodo, vinagrinho, algum tanino, volume considerável e final de boca interminável. A Madeira no seu melhor! Nota 19 (noutras 19,5/17,5/18,5/18,5+).
Harmonizou com bolo de bolacha, pastéis de nata e salada de frutas.
Obrigado Natalina, obrigado Modesto!

domingo, 14 de julho de 2019

Degust' AR Lisboa - 4 *

Este Degust'AR que abriu recentemente nas Picoas (R. Latino Coelho, 63) pertence a um grupo que gere 2 hotéis e mais alguns espaços de restauração em Évora. A aposta, como não podia deixar de ser, é na cozinha alentejana, sob a batuta do chefe António Nobre. Os preços dos pratos, uma boa vintena, de 2ª a 6ª feira ao almoço, são muito acessíveis, mas disparam ao jantar e fim de semana.
Espaço amplo mas confortável, mesas bem aparelhadas, música demasiado alta e serviço lento e algo descoordenado.
Nesta minha estreia comi, para além do couvert (3 variedades de pão, 3 patés, azeitonas e azeite Esporão), umas belíssimas pataniscas (muito finas e sem ponta de gordura) acompanhadas de arroz de coentros algo neutro e uma dispensável salada. Dose abundante e bem apresentada.
Quanto à componente vínica, excessivamente centrada nos vinhos alentejanos, inventariei 5 espumantes (3 a copo), 31 brancos (5), 5 rosés (1), 45 tintos (4) e 9 fortificados. Não testei o serviço de vinhos, mas percebi haver alguma preocupação com o controlo de temperaturas nos tintos, dada a existência de armários térmicos.
Tem ainda 2 cervejas artesanais da Musa, tendo eu optado por uma delas, a Saison O´Connor, que me desiludiu. Esperava mais.
Feito o balanço, ficou aprovado este espaço, embora a precisar de algumas correcções, ao qual tenciono voltar.