quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Mais 1 espaço de restauração: Petit d' Algés - 4,5 *

 Já não ia a este restaurante há uma série de anos e a memória que tinha dele não era nada boa. Recentemente resolvi  aproveitar o desconto de 50 % do programa "Regresso aos Restaurantes" (atenção, ainda se pode usufruir, através da plataforma The Fork, até ao dia 17). E em boa hora o fiz, pois este Petit d' Algés não tem nada a haver com o do meu passado.

É de sublinhar o cumprimento escrupuloso das regras da DGS e a luminosidade do espaço, todo decorado em tons de azul claro e branco, contrastando com as cores escuras do passado. No exterior, uma apetecível esplanada.

O menu é alargado e pujante, constando 16 entradas/petiscos, 10 pratos de marisco, 15 de peixe, 14 de carne, 6 risottos, 3 pregos/hamburgas, 3 vegetarianos e 13 sobremesas. É o embaraço da escolha!

Em 2 visitas comi, em doses generosas:

.arroz de lingueirão, com gambas, berbigão e mexilhão

.pregado grelhado com arroz de ameijoas

.tecolameco (doce do Crato)

.despenteado de chocolate

Estava tudo deveras saboroso, com uma nota muito alta para o pregado e o tecolameco.

Quanto à componente vínica, inventariei 1 champanhe, 3 espumantes, 34 brancos (inclui os 4 vinhos verdes que estavam àparte, o que não faz sentido), 42 tintos (inclui 1 vinho verde, também mal localizado) e 4 rosés. Na lista, não constam fortificados, nem vinhos a copo, nem cervejas artesanais.

Apesar de terem uns tantos vinhos de referência, lamenta-se a ausência dos anos de colheita.

Num dos dias bebi a copo o único disponível (o da casa), o Monte dos Perdigões Duas Danças Colheita Seleccionada 2019 - simples e correcto, alguma acidez, magro de corpo e final de boca curto. Nota 14,5.

Na outra, avançou uma meia garrafa de Planalto Reserva 2019 - fresco e mineral, alguma acidez, volume e final de boca médios. Gastronómico. Nota 16.

Em qualquer das situações a garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num copo aceitável.

Uma boa surpresa este espaço. Recomendo e tenciono voltar.

terça-feira, 10 de novembro de 2020

Grupo dos 3 (74ª sessão) : Caves São João e Burmester em alta

 Esta última sessão foi da minha responsabilidade e decorreu no restaurante 2 a 8 Belém, já aqui treferido em "Belém 2 a 8 mais uma vez revisitado - 4 *", cujo proprietário (arqº Carlos Gonçalves) foi cliente das Coisas do Arco do Vinho e militante dos jantares vínicos. Nos tachos a chefe Maria Gomes e na sala o Moreno, estiveram muito bem e contribuiram para que este encontro decorresse às mil maravilhas.

Os vinhos, servidos em copos Riedel e provados às cegas, eram da minha garrafeira:


.95 Anos de História 2014 (garrafa nº 869/1436) - Bairrada com base na casta Arinto (100 %); aroma intenso, presença de citrinos e notas de maçã verde, belíssima acidez, volume e final de boca acima da média (12,5 % vol.). Vai crescer e será interessante prová-lo daqui a 3/4 anos. Nota 17,5.

Este branco acompanhou as entradas (pastéis de nata de bacalhau e croquetes de vitela) e uma tranche de perca.


.93 Anos de História 2011 (garrafa nº 984/1193) - Dão com base na casta Touriga Nacional (100 %), estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês; fresco, ainda com notas de frutos vermelhos, acidez equilibrada, especiado, taninos civilizados, estruturado e final de boca longo (14 % vol.). Complexo e elegante, a beber nos próximos 4/5 anos. Nota 18,5.

Este tinto maridou com uma feijoada de coelho bravo (era para ser lembre, mas fugiu da panela...).


.Burmester Tordiz 40 Anos (engarrafado em 2019) - 94 pontos na Wine Spectator; presença de frutos secos, notas de caril e brandy, boa acidez, taninos firmes, volume considerável e final interminável. Grande e inesquecivel tawny! Nota 19.

Este fortificado harmonizou com um pijama de sobremesas (panacota, mousse, torta de laranja e migas de Valpaços).


Foi mais uma boa sessão de convívio, comeres e beberes. Obrigado Carlos Gonçalves! 

domingo, 8 de novembro de 2020

Mais 2 espaços de restauração : Pap'Açorda e Terra Nova by Populi

 1.Pap'Açorda - 4,5 *

Há 4 anos e meio, este mesmo espaço tinha sido objecto da minha crónica "Pap'açorda : do Bairro Alto para o Mercado da Ribeira" que terminava com a afirmação que não tencionava voltar, pois a experiência fora deveras desastrosa.

No entanto ainda bem que não cumpri a minha promessa, pois este restaurante deu uma grande volta e agora está recomendável, sem favor algum da minha parte.

O Pap'Açorda é um espaço amplo, arejado e luminoso,com 2 salas (uma para fumadores) e um corredor e, ainda, vistas para a Praça Dom Luis.

Tudo de acordo com as normas da DGS. Só depois do cliente chegar é que põem um toalhete de papel, onde está impressa a ementa, e demais artefactos, incluindo um guardanapo de pano.

Ementa alargada com 16 entradas/petiscos, 8 pratos de peixe, 6 de carne, 6 sobremesas e 15 acompanhamentos.

Comi "Sopa de peixe à Pap'Açorda" e "Pastéis de massa tenra", tudo saborosíssimo.

Quanto à componente vínica, inventariei 7 champanhes, 3 espumantes, 51 brancos (14 a copo), 5 rosés (2), 49 tintos (10) e, ainda, 14 de uma selecção especial. É uma lista pujante com os vinhos todos datados, mas a preços puxadotes. Não me apercebi dos vinhos fortificados que devem constar apenas na carta do bar.

Optei por um copo de Luis Pato Touriga Nacional/Baga 2017 - alguma fruta vermelha, boa acidez, notas vegetais, taninos bicudos, algum volume e final de boca longo. Gastronómico, mas demasiado rústico. Nota 17.

A garrafa veio à mesa e dada a provar num bom copo Schott. A temperatura estava de acordo com o recomendado.

Serviço atencioso e profissional.

Desta vez, recomendo e tenciono voltar.


2.Terra Nova by Populi - 4 *

Já falei aqui do Populi, o antecessor do Terra Nova em "À descoberta do  novo Terreiro do Paço (I)".

Este Terra Nova é um espaço dedicado ao bacalhau da Noruega, com o apoio da ATL e das Câmaras de Lisboa, Aveiro e Ilhavo, que inclui um Centro Interpretativo da História do Bacalhau e uma loja goumet com venda de bacalhau, conservas, sal, azeite, azeitonas, mas também livros e objectos de arte relacionados com o "gadus" (nome latino do bacalhau). 

Para além da sala no interior, este restaurante beneficia de uma ampla esplanada exterior com vista para o Tejo e Terreiro do Paço, uma mais valia. Só que numa 1ª visita, não consegui almoçar na mesma, graças à agressividade da gritaria musical. Numa 2ª visita já foi possivel usufruir da mesma.

A cozinha é pouco ambiciosa, não incluindo alguns pratos emblemáticos como é o caso das pastéis, as líguas, os arrozes, etc. Uma pena...Guardanapos de pano, para compensar.

Comi um delicioso Caldo de bacalhau com coentros e um pesadíssimo Bacalhau confitado com puré de grão, um prato de inverno muito bem apresentado com 2 saborosas postas às lascas.

Quanto à componente vínica, inventariei a copo 7 brancos com 1 Alvarinho à parte , 7 tintos e 2 rosés, sem qualquer indicação dos anos de colheita.

Optei pelo Bacalhôa Chardonnay 2019 - cor palha, presença de citrinos e fruta de caroço, alguma acidez e notas amanteigadas, volume notável e bom final de boca. Nota 17,5.

A garrafa veio à mesa, dada a provar num bom copo e servida uma quantidade generosa.

Serviço atencioso e cumpridor das normas da DGS.

Só para conhecer o Centro Interpretativo e a loja vale a pena uma visita ao Terra Nova.

sábado, 7 de novembro de 2020

Vinhos em família (CXII) : 2 brancos das Ilhas e, finalmente, 2 tintos

 Mais 4 vinhos (ainda 2 brancos, ambos das Ilhas, e 2 tintos Douro 2011) provados em família, com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega.

E eles foram:


.Justino's Colombo Verdelho 2017 DOP Madeirense (garrafa nº 812/2600) - enologia de Dina Luis e Juan Teixeira; com base na casta Verdelho, estagiou parcialmente em barricas de carvalho francês; nariz exuberante, presença de citrinos e fruta de caroço, equilibrio acidez/gordura, volume e final de boca de assinalar (13 % vol.). Gastronómico, uma boa surpresa vinda da Madeira. Nota 17,5+.


.Verdelho o Original 2017 I G Açores (garrafa nº 89/4493) - enologia de António Maçanita; 92 pontos no Parker; algo evoluido, presença de citrinos e alguma salinidade, acidez/gordura no ponto, volume e final de boca médios (12 % vol.). Fica  a perder com o seu irmão madeirense. Nota 17.


.Qtª do Noval 2011 - com base nas castas Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinto Cão; presença de frutos vermelhos, frescura e acidez no ponto, especiado, taninos elegantes, algum volume e final de boca longo (13,5 % vol.). Harmonioso e sofisticado, a beber nos próximos 5/6 anos. Nota 18,5. 


.Dalva Grande Reserva 2011 - com base nas castas Touriga Nacional e Touriga Franca, estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês; fruta preta, muita concentração, notas de chocolate preto, alguma acidez, taninos redondos, algum volume e final de boca (14 % vol.). Gastronómico e pujante, está no ponto óptimo de consumo. Nota 18.

quinta-feira, 5 de novembro de 2020

Casa da Dízima revisitada - 4,5 *

 Conheço este restaurante há uma série de anos, tendo-o "descoberto" após leitura de uma crítica do José Quitério muito abonatória. Foi, de facto, há muito tempo.

Tenho falado nele uma série de vezes, mas sempre à boleia dos jantares e almoços organizados pela Garrafeira Néctar das Avenidas. Mais, tem feito parte do meu TOP 10 espaços de restauração desde 2015.

Mas nunca foi objecto de crónica individualizada. Uma injustiça a corrigir.

Nota alta para a ementa e carta de vinhos, ambas pujantes e bem elaboradas. Na sala o serviço, sob a batuta do Pedro Batista, gerente, relações públicas e chefe de sala em simultâneo, é de muita qualidade.

Em visita recente, verifiquei que este espaço de restauração segue à risca as recomendações da DGS.

Aa  salas são amplas e requintadas e, no piso superior, há um terraço onde se pode comer nos dias mais quentes.

Desta vez comi (estava tudo 5 estrelas):

.Gambas de Moçambique salteadas

.Tranche de robalo estaladiça sobre risotto negro

Bebi um copo do Qtª de Carvalhais Encruzado 2019 - fresco, cítrico, fruta de caroço, equilibrio acidez/gordura, algum volume e final de boca. Harmonioso e gastronómico. Nota 17,5.

A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo Schott.

Recomendo vivamente este espaço em Paço d' Arcos e tenciono voltar.

terça-feira, 3 de novembro de 2020

Outubro 2012 : o que aconteceu aqui há 8 anos

 Das 15 crónicas publicadas no decorrer de Outubro 2012, destaco estas 6:


."A Qtª do Crasto, a Blogosfera e a Bo Derek (I)"

."A Qtª do Crasto, a Blogosfera e a Bo Derek (II)"

Nestas 2 crónicas recordo uma inesquecível visita à Qtª do Crasto, no âmbito da Blogosfera, fazendo um pouco de história sobre as nossas (do Juca e minhas) relações pessoais com a família Roquete e das relações institucionais das Coisas do Arco do Vinho com aquele produtor.


."Lembrando o 10º Aniversário das Coisas do Arco do Vinho (1ª parte)"

."Lembrando o 10º Aniversário das Coisas do Arco do Vinho (2ª parte)"

Nestas 2 crónicas recordo as comemorações "oficiais" do 10º aniversário das CAV, começando pela prova na loja de vinhos do nosso amigo produtor António Saramago e pela apresentação do nosso CARM BOCA 2004, com um lote seleccionado por nós. Foi o vinho mais vendido nas CAV!

Em seguida recordo o jantar comemorativo que contou com o apoio dos nossos amigos e produtores Álvaro de Castro e Dirk Niepoort. Estiveram presentes algumas figuras públicas que sempre estiveram próximas de nós e fizeram o favor de serem nossos clientes e amigos: António Barreto, João Pedro Vasconcelos e Sérgio Godinho.

Finalmente recordo a má educação do presidente do CCB (António Mega Ferreira) que, sendo o convidado de honra, não compareceu e nem sequer se deu ao trabalho de dizer alguma coisa. Enfim...


."Lembrando o 10º Aniversário das Coisas do Arco do Vinho (3ª parte)"

Nesta crónica recordo um jantar da iniciativa do nosso amigo Adelino com algumas raridades da sua preciosa garrafeira, que chegou ao domínio público através de um artigo no DN, elaborado pelo jornalista gastrónomo Duarte Calvão.

Recordo também a brochura comemorativa, com a história das CAV. A belíssima introdução saiu da pena do nosso cliente e amigo António Barreto.


."Jantar Qtª Roques/Qtª Maias"

Recordando mais um jantar vínico, organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas. Este contou com a presença do produtor Luis Lourenço e seus vinhos, tendo decorrido no restaurante Assinatura, com o chefe Henrique Mouro inspiradíssimo.

domingo, 1 de novembro de 2020

Curtas (CXXVI) : Barca Velha, Ponto Wine, Sabores do Campo e Imperdíveis

 1.Barca Velha 2011

A notícia caíu que nem uma bomba no mundo enófilo. Afinal a mediática e tão esperada colheita de 2011 de Barca Velha não sairia em 2020, segundo comunicado da Sogrape emitido em 23 de Outubro. Rezava assim: "Num gesto de responsabilidade e sensatez, a equipa de enologia do Douro da Sogrape, liderada por Luis Sotomayor, decidiu adiar a comercialização das garrafas de 75 cl de Barca Velha 2011 após operação de rearrolhamento recentemente efectuada. (...)".

Na Fugas de ontem o tema do jornalista Pedro Garcias (PG) era "O que se passou, afinal, com o Barca Velha 2011?". Desenvolvendo o tema o PG refere "(...) Não há memória no vinho português de uma falsa partida destas, sobretudo depois de a Sogrape ter feito uma grande operação promocional do vinho na Quinta da Leda (...)". E, mais à frente refere que "(...) Devia ter sido mais explícita (a Sogrape) sobre o que realmente aconteceu às rolhas. É sobre isso que todos se questionam. (...)".

De facto, depois de lhe atribuirem 20 valores (a Revista de Vinhos) ou 19 (a Grandes Escolhas), a preocupação de todos os que tencionam adquirir esta colheita é legítima.


2.Ponto Wine Garrafeira

Ainda sem grandes referências na net, a Ponto Wine, aberta há pouco tempo em Castelo Branco (Rua Rei Dom Diniz,1) e propriedade da distribuidora Aromas Portugueses, é uma moderna e atraente garrafeira, com a particularidade de ser simultaneamente um espaço de restauração e loja de produtos gourmet.

Tropecei nela por acaso e lá almocei 2 vezes. Para além de um apreciável portefólio que inclui cerveja artesanal, caso raro nas garrafeiras, também se come lá bem. Só falta resolver o problema das temperaturas dos tintos a copo.

Aconselho-a a todos os enófilos que passem ou visitem Castelo Branco, uma simpática cidade do interior.


3.Sabores do Campo à Mesa

Durante o mês de Novembro, a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira organiza a campanha de Gastronomia "Sabores do Campo à Mesa", cujo tema e prato principal será o "Torricado com Bacalhau Assado". Decorrerá em 14 restaurantes aderentes nas localidades de Alhandra, Alverca, Calhandriz, São João dos Montes, Vialonga e Vila Franca de Xira.


4.Imperdíveis

Este programa que passa no Porto Canal está a comemorar o seu 10º aniversário, o que é obra. No entanto continua a não identificar o nº do respectivo episódio, só o fazendo quando o programa já vai no seu 5º ou 6º minuto, o que não se entende de todo.

Parabéns ao programa e ao Pedro Nunes, o seu organizador.

Mas também um cartão amarelo, por continuarem a não exibir o nº de cada episódio!