terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Lampreia no Varanda de Lisboa (Hotel Mundial) - 4,5 *

1.Uma introdução
Em finais de Janeiro fui um dos convidados * para um almoço especial de apresentação da temporada de lampreia que começou em 5 de Fevereiro e estará disponível, todos os dias ao almoço e jantar, até 15 de Março. O Menu Especial Lampreia tem um custo de 40 €, com direito a entrada, prato (Arroz de Lampreia à Mundial ou Lampreia à Bordalesa) e sobremesa.
Não vou repetir o meu histórico afectivo com o Hotel Mundial, mas pode ser lido nas crónicas
."Lampreia no Varanda de Lisboa" e
."Lampreia e Sável no Hotel Mundial"
* também participaram os blogues Mesa Marcada e Mesa do Chefe e, ainda, Time-Out, Evasões, Edições do Gosto, VIP Gourmet e Caras, para além dos anfitriões (CEO, Director Geral, Director F & B e a responsável pelo Marketing).

2.O almoço
À chegada fomos recebidos com um copo do espumante Almeida Garrett Bruto Nature Chardonnay 2014, uma simpática surpresa vinda das Beiras.
Já na mesa, foi-nos servido um escabeche de lampreia (demasiado soft, para o meu gosto) e um saborosíssimo arroz de lampreia. A fechar o repasto, um agradável pudim de limão e café de balão.
A acompanhar a entrada, provei o Muros Antigos Loureiro 2018 - fresco e mineral, acidez pronunciada, ligou bem com a entrada. Muito novo, vai melhorar com mais 3 ou 4 anos. Nota 16.
Com a lampreia foi bebido o Vallado Sousão 2019 "Divina Lampreia" em garrafa magnum, especialmente concebido para alguma restauração e apresentado por um elemento da Qtª do Vallado, também presente no almoço - muita fruta preta, acidez elevada, taninos algo agressivos, algum volume, mas final de boca curto. Nota 15,5.
Os vinhos foram bebidos em copos Schott, mas de pequena dimensão. As temperaturas foram as correctas.
De registar a presença do chefe Vitor Sobral, agora consultor do Varanda, que apresentou os pratos, uma mais valia. Na cozinha continua o chefe residente Carlos Queijo, da velha guarda. De referir, também, o bom trabalho do escanção Pedro Lopes.

3.O restaurante
Recentemente renovado, ficou mais atraente, confortável e luminoso. A placa alusiva ao casal José Saramago e Pilar, continua visível no mesmo local. A componente histórica do Mundial manteve-se, o que é de louvar.
A carta foi renovada e oferece 2 sopas, 7 entradas, 5 pratos de peixe, 4 de carne, 3 de cozinha de sala, 2 pastas, 3 arrozes e 10 sobremesas.
Tem, ainda, um Menu do Dia a 19,50 € com direito a entrada, prato e sobremesa. Bebidas à parte e couvert a custar 3,50 não é nada simpático e fica perder com a concorrência (só na Baixa há pelo menos 5 hotéis a oferecerem um menu completo a um preço mais baixo).
Quanto à componente vínica, a melhoria é mais do que evidente, com um espaço climatizado (15,5 º) com capacidade para 320 garrafas. É obra!
Inventariei 5 espumantes (1 a copo), 4 champanhes (1), 39 brancos (3), 7 rosés (2), 57 tintos (3) e mais 15 (vinhos tintos de outro tempo, sendo o mais novo da colheita de 2001). A carta ainda não contempla os fortificados, que aparecem na lista do bar (11 Porto, 2 Madeira, 2 Moscatéis e 1 Carcavelos) e ainda não aderiu às cervejas artesanais.
A carta está muito bem organizada, inclui vinhos nada óbvios e tem tudo datado. Uma mais valia!
Um único senão: os vinhos a copo são poucos e a quantidade servida (apenas 12 cl) insuficiente.

4.A fechar
Foi uma bela jornada e, ainda por cima, ofereceram aos convidados uma embalagem com 2 vinhos (branco e tinto) que a Adega Mãe engarrafou propositadamente para o Hotel Mundial.
Os meus agradecimentos, na parte que me toca.

domingo, 9 de fevereiro de 2020

Grupo FJF (15ª sessão) : um branco raro de eleição e um belo Porto Colheita

Esta última sessão do Grupo FJF (Frederico, João e Francisco) decorreu no Lugar Marcado, com vinhos da minha garrafeira, iniciando uma nova temporada. Em vez de cada um de nós levar um vinho, optámos por concentrar na mesma pessoa a escolha do restaurante e dos vinhos (1 branco, 1 tinto e 1 fortificado, todos para provar às cegas), tendo sido eu o voluntário de serviço.
Por iniciativa da Fátima, a proprietária, foram provados 3 azeites (Qtª Vale Meão Bio, Mouchão Galega e Principal Vintage), todos muito bons, mas o Vale Meão e o Principal a impressionarem mais.
Desfilaram:
.Conceito Ontem 2016 branco (uma das 900 garrafas) - com base nas castas Rabigato, Verdelho, Síria, Dona Branco e Encruzado de vinhas centenárias a 700 metros de altitude e fora da região demarcada (situa-se entre o Douro e o Dão), estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês; fruta de caroço, algum citrino, grande equilíbrio acidez/gordura, volume e final de boca notáveis (11,5 % vol.). Original e muito complexo. Nota 18,5 (noutra situação 17,5).
Maridou com chamuças de bacalhau, ameijoas à Bulhão Pato e camarões panados à moda da chefe Sandra.
.Conceito 2011 tinto - 90 pontos na Wine Spectator e 95 no Parker; com base nas castas tradicionais do Douro, estagiou 20 meses em barricas de carvalho francês (50 % novas e 50 % usadas); aromático, alguma fruta e acidez, especiado, taninos civilizados, estrutura e final de boca apreciáveis (14 % vol.). No ponto óptimo de consumo. Nota 18.
Harmonizou com coelho frito, bife do lombo com molho de café, milho frito e batatinhas no forno.
.Dalva Colheita 1985 (engarrafamento de 2018) - 92 pontos no Parker; presença de frutos secos e alguma tangerina, acidez equilibrada, taninos de veludo, volume e final de boca de referir. Frescura e complexidade. Notável relação preço/qualidade. Nota 18,5 (noutras 18,5/17+/18,5/18,5).
Acompanhou o bolo de chocolate "improvável" e um sortido de gelados.
Foi mais uma grande sessão de comeres e beberes, com a gastronomia da Sandra e o serviço da Fátima à altura dos acontecimentos.

sábado, 8 de fevereiro de 2020

Fogo by chefe Alexandre Silva - 4 *

Muito (demasiado) badalado este novo espaço de restauração do chefe Alexandre Silva, abriu com pompa e circunstância em meados de Dezembro. A aposta forte é cozinhar todo o menu, que pode ser visto no portal respectivo, em forno de lenha. Em contramão com a crítica e com dezenas de opiniões que se podem ler na net, acho que nem tudo o que luz ali é ouro, nomeadamente os preços. Por exemplo, no referido portal o preço do serviço de pão é 5 € (paguei 6 €) a raia 16 € (paguei 18 €)! Convenhamos que é pouco sério.
O restaurante não tem janelas, é muito escuro e um pouco claustrofóbico, embora acolhedor em dias frios. Mesas despojadas à moda, tampos de madeira, mas guardanapos de pano. Cozinha à vista, onde actua o chefe residente, Manuel Libaut de seu nome, com um balcão onde se podem sentar meia dúzia de clientes. No dia em que fui lá almoçar, contei 6 empregados na cozinha e outros tantos na sala, além de uma relações públicas.
Comi o chamado serviço de pão (pão tipo Gleba feito no local, azeite, manteiga, rillette de porco e pickles caseiros) e a raia na grelha com molho de manteiga e alho que achei algo seca. Escolhi este prato para testar o "fogo", pois se fosse carne era mais fácil ficar bem na fotografia. Como mais valia, o prato foi devidamente explicado, o que fazem com toda a ementa.
Serviço distante, mas profissional.
Quanto à componente vínica, não tive a oportunidade de inventariar a lista como costumo fazer, mas percebi que estava tudo datado e a selecção não era nada óbvia.
Optei por um copo do tinto bairradino Rama & Selas 2017 (4 €) - alguma fruta, notas vegetais e acidez, algum volume e final de boca, perfil muito rústico. Nota 16.
A garrafa veio à mesa e dada a provar num bom copo, com uma temperatura aceitável.
Quanto ao balanço final sim, mas...De qualquer modo, tenciono voltar para testar o menu carnívoro.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Comemorar os 50 anos (versão 2020)

À semelhança dos anos anteriores, fiz um levantamento da oferta de fortificados de 1970, com incidência nas garrafeiras da Baixa de Lisboa. Para quem quiser comemorar o 50º aniversário de qualquer acontecimento, seja nascimento, casamento, divórcio ou outro pretexto para abrir uma garrafa especial, tem o trabalho facilitado.
Inventariei 29 referências e é só escolher uma destas (com o respectivo preço em €):
1.Garrafeira Nacional (14)
.Barros Vintage - 235,00
.Burmester Vintage - 285,00
.Cockburns Vintage - 225,90
.Ferreira Vintage - 179,50
.Fonseca Vintage - 349,00
.Graham's Vintage - 289,00
.Krohn Vintage - 215,00
.Noval Vintage - 239,00
.Taylor's Vintage - 319,00
.Warre Vintage - 314,50
.Barão de Vilar Colheita - 149,00
.Burmester Colheita - 267,50
.Krohn Colheita - 199,00
.Niepoort Colheita - 243,50
2.Manuel Tavares (6)
.Borges Vintage - 122,5
.Burmester Vintage - 250,50
.Krohn Vintage - 335,00
.Ramos Pinto Vintage - 489,00
.Messias Colheita - 364,00
.Vista Alegre Colheita - 252,50
3.Casa Macário (5)
.Borges Vintage 170,00
.Krohn Vintage - 330,00
.Maynard's Colheita - 168,00
.Qtª da Devesa Colheita - 150,00
.Vista Alegre Colheita 250,00
4.Napoleão (3)
.Ramos Pinto Vintage - 349,95
.Maynard´s Colheita - 329,95
.Vista Alegre Colheita - 349,95
5.Mercado da Praça da Figueira (1)
.Krohn Vintage - 280,00
De referir:
.mais uma vez, a Garrafeira Nacional bate aos pontos a concorrência na oferta disponibilizada
.mais uma vez, o Solar do Vinho do Porto que deveria ser uma montra do Vinho do Porto, continua fechado ( o prédio continua em obras!?), sem que haja um alerta no respectivo portal.
Boas comemorações!

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Grupo dos 3 (70ª sessão) : Villa OLiveira e Moscatel Alambre em alta

Esta última sessão decorreu na Taberna Albricoque, já aqui referida mais de uma vez, com vinhos da minha garrafeira. E eles foram, provados às cegas:
.Villa Oliveira Encruzado 2015 (garrafa nº 469/2417) - estagiou 9 meses em barricas de carvalho (1/3 novas); nariz discreto, presença de citrinos e notas florais, algum vegetal, belíssima acidez, algum volume e final de boca longo (13 % vol.). Austero e gastronómico, aguentando bem o vinagre de algumas das entradas. Nota 18.
Harmonizou com o couvert (pão da Gleba, salada de pau roxo e tiborna de citrinos) e, ainda, moreia frita, tártaro de carapau e rissol de berbigão.
.Villa Oliveira Touriga Nacional 2011 (garrafa nº 384/2511) - 93 pontos no Parker; com base na Touriga Nacional em vinhas velhas, estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês; ainda com fruta vermelha, fresco e floral, acidez equilibrada, especiado, grande volume e final de boca persistente (13,5 % vol.). Complexo e elegante, a beber nos próximos 10 a 12 anos. Nota 18,5.
Não ligou bem com a feijoada de litão, mas maridou muito bem com o pernil com nabos e tupinambor.
.Moscatel Alambre 20 Anos José Maria da Fonseca (engarrafamento de 2019) - 94 pontos na Wine Enthusiast e 19 na Grandes Escolhas; presença de citrinos e frutos secos , acidez e gordura, complexidade, notável volume e final de boca extenso. Um grande Moscatel, com uma relação preço/qualidade imbatível. Nota 18,5.
Este fortificado casou bem com trilogia algarvia, citrinos e folar de Olhão.
Na componente gastronómica, com a excepção do litão, tudo o que veio para a mesa tinha muita qualidade e originalidade. Na componente vínica, é de salientar os bons copos, temperaturas adequadas e o serviço muito profissional a cargo do Clovis Silva.
Como mais valia, os chefes Bertílio Gomes e Bruno Salvado vieram à nossa mesa.
Foi mais uma grande sessão de convívio, comeres e beberes.

domingo, 2 de fevereiro de 2020

2019 : na hora do balanço (VII) - as 10 crónicas mais lidas

Com a crónica de hoje, referente às 10 mais lidas e publicadas no decorrer do ano passado, termino este balanço de 2019.
Para os mais interessados ou que as não tenham lido na  altura, fica aqui um link para cada uma delas.
E elas foram, por ordem descendente:

."Jantar do 8º Aniversário da Garrafeira Néctar das Avenidas"

."Bastardo revisitado 4 * "

."Dezembro 2010 : o que se passou aqui há 8 anos".

."Agosto 2011 : o que se passou aqui há 8 anos"

."Taberna Albricoque - 4 * "

."Fevereiro 2011 : o que se passou aqui há 8 anos"

."Espaços de restauração revisitados : Santa Clara dos Cogumelos e Farol da Torre"

."Julho 2011 : o que se passou aqui há 8 anos"

."As contradições dos Prémios W atribuídos pelo Aníbal Coutinho"

."Mais 1 restaurante que vale a pena conhecer : Bacalhoaria Moderna - 4 * "

De referir o interesse:
.sobre o que se passou há 8 anos neste blogue (40 % das crónicas mais lidas)
.dos amigos e clientes da Néctar das Avenidas (o 8º aniversário e os Prémios W)
.pelas críticas (positivas ou negativas) aos espaços de restauração

sábado, 1 de fevereiro de 2020

Janeiro 2012 : o que se passou aqui há 8 anos

Das 16 crónicas publicadas em Janeiro de 2012, destaco estas 3:

."Júlia Vinagre : uma grande senhora caída no esquecimento"
Lembrando uma referência no panorama gastronómico nacional, lamentavelmente esquecida e que nem sequer mereceu um comentário na crónica mencionada.
É de inteira justiça recordar a Júlia e a parceria com as Coisas do Arco do Vinho (CAV) na elaboração da carta de vinhos no restaurante Terreiro do Paço.

."Jantar Qtª das Bageiras"
Por coincidência, participei ainda ontem em mais um jantar vínico com este produtor na Casa do Bacalhau, organizado pela Néctar das Avenidas.
Há 8 anos decorreu no Assinatura, nos tempos áureos do chefe Henrique Mouro.

."Mais uma boa jornada na Fonte Santa"
Recordando um convite do nosso amigo Alfredo Penetra, na altura cliente das CAV e elemento do painel de prova cega, prematuramente desaparecido.
Pertencia ao Banco de Portugal e, nessa qualidade, tinha acesso à Quinta da Fonte Santa, podendo levar os seus convidados. Eu fui um desses privilegiados.